EMPREENDEDORISMO: COMO SER INCENTIVADO NAS UNIVERSIDADES?

As universidades podem influenciar seus alunos a empreenderem a partir do momento que oferecem bases para eles desenvolverem seu espírito empreendedor, e vivenciarem essa atividade na prática.

Algum dia você já pensou em abrir um negócio próprio? Já pensou nos requisitos necessários para colocar suas ideias em prática, e como se capacitar para isso? Segundo um estudo realizado pela Endeavor Brasil (2016-a), 6 em cada 10 estudantes universitários, no Brasil, cogitam abrir sua própria empresa. Diante desse fato, qual é o papel da universidade e como a mesma pode contribuir para a formação de um profissional que não adquira apenas conhecimentos técnicos, ao longo da graduação, mas também tenha a oportunidade de desenvolver seu espírito empreendedor, e assim optar ou não por seguir nesse ramo? De acordo com Aguiar (2013), o incentivo ao empreendedorismo por parte das universidades estabelece um elo entre o setor acadêmico e empresarial, diminuindo a distância entre eles, além de ser capaz de gerar benefícios à ambos.

As universidades podem incentivar os estudantes a se tornarem aptos para empreenderem por meio da oferta de disciplinas e palestras voltadas para esse tema. Muitas vezes as disciplinas associadas ao empreendedorismo são ofertadas à apenas alguns cursos, o que reduz o contato do aluno com esse campo, e por consequência o possível desejo que ele teria de gerir sua empresa. Segundo a Endeavor Brasil (2015), em 50% dos cursos de engenharias e ciências sociais há a oferta por disciplinas nessa área, enquanto em outros cursos essa oferta é de 30%. Para ressaltar o impacto desses ensinamentos, a pesquisa ainda revela que 46% dos alunos empreendedores já cursaram tais disciplinas. Em 2014, o diretor geral da Endeavor Brasil, relatou em uma entrevista à revista Exame, que palestras e mentorias são programas capazes de aproximarem os estudantes do universo do empreendedorismo. Essas atividades permitem aos estudantes um melhor conhecimento do mercado associado à sua área de estudo na graduação, assim como as tendências desse mercado e as possibilidades de empreendimentos que podem realizar. Mas, infelizmente, esses programas ainda são pouco frequentes na atualidade.

Outra barreira que precisa ser enfrentada é a falta de professores qualificados para incentivar o empreendedorismo no setor acadêmico, não há uma boa conexão entre estes profissionais e o mercado. Segundo a Endeavor Brasil (2016-b), pouco mais da metade dos professores que são considerados referência em empreendedorismo realmente empreendeu. Isto é, eles ensinam algo que não vivenciaram de fato, formando alunos com alto referencial teórico e desatualizados tecnologicamente. Uma das maneiras de resolver este problema é a atualização dos professores por meio de palestras e programas de formação, para que desta forma eles auxiliem os alunos no meio empreendedor.

Uma boa dica para os alunos que queiram desenvolver seu lado empreendedor é conversar com executivos e profissionais desta área, para que assim, entendam na prática como funciona o mercado e suas oportunidades. Uma maneira de obter este contato é a através do estágio em empresas start-ups; a criação de ligas universitárias e empresas juniores também aproxima estes dois ambientes.

De acordo com Ana Sílvia Ipiranga, pesquisadora da UECE, ambas, as universidades e as empresas, são beneficiadas com o incentivo do empreendedorismo, pois há um aumento nos recursos financeiros para as universidades, maior importância para pesquisas acadêmicas, melhores oportunidades de emprego e aproximação da realidade técnica, social e econômica para os alunos e acesso facilitado aos laboratórios para as empresas. No entanto, ainda existe uma discrepância entre os interesses das empresas e das universidades, já que para os primeiros é importante o desenvolvimento de produtos e soluções com aplicações imediatas e para os segundos a publicação de artigos científicos é prioritária e em muitos casos, as pesquisas realizadas não tem aplicação no cotidiano das empresas e da sociedade.

Portanto, é necessário que continue e aumente a relação empresa-universidade, pois juntos, estes dois mundos contribuem para o desenvolvimento econômico e social do país, transformando o conhecimento dos alunos em produtos e tecnologias que auxiliem nas demandas da sociedade.

Referências Bibliográficas:
-Agência USP de Inovação. Disponível em: <http://inovacao.usp.br/empreendedorismo /como-empreender/>. Acesso em: 23/02/2017.
-ENDEAVOR BRASIL (2015). Disponível em: <https://endeavor.org.br/ empreendedorismo-nas-universidades-2014/>. Acesso em 23/2/2017.
-ENDEAVOR BRASIL (2016-a). Disponível em: <https://endeavor.org.br/pesquisa-universidades-empreendedorismo-2016/>. Acesso em 23/02/2017.
-ENDEAVOR BRASIL (2016-b). Disponível em: <https://endeavor.org.br/como-incentivar-o-empreendedorismo-nas-universidades/>. Acesso em 25/02/2017.
-INOVA UNICAMP. Disponível em: <http://www.inova.unicamp.br/noticia/2589/>. Acesso em: 23/02/2017.
-SEABRA, Juliano. 6 formas de incentivar o empreendedorismo nas universidades. Revista Exame. Brasil, abr. 2014. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/6-formas-de-incentivar-o-empreendedorismo-nas-universidades/>. Acesso em: 23/02/2017.
-IMAGEM: EMPREENDEDOR MODERNO. Disponível em: <http://empreendedo rmoderno.com.br/>. Acesso em: 24/02/2017.

Camila Gabrieli Reckziegel (UNIOESTE) e Juliana Pereira Targueta (UFF) trainees do setor acadêmico da empresa BetaEQ.

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