EM TEMPOS DE CRISE, COMO REINVENTAR A ENGENHARIA QUÍMICA?

Se você chegou até esse texto, provavelmente está à procura de respostas.

Todavia, antes de continuar sua leitura, sugiro que você esteja disposto a mudar seu pensamento e tente não procurar soluções prontas. Você não obterá em apenas um “clique”, um check list ou um plano de ação com tudo o que deverá fazer para reinventar sua profissão. Não encontrará em lugar algum as regras sobre o que você pode ou não pode fazer. O objetivo desse texto é fazer você pensar.

Definitivamente não sei nada sobre você, leitor, isso é fato. Você pode ser um empresário bem sucedido buscando inovações, ou um Engenheiro Químico experiente que perdeu o emprego e não consegue recolocação. Você pode ser um recém-formado que não consegue uma oportunidade para atuar na profissão ou um profissional concursado e entediado por estar tanto tempo no mesmo lugar. Independente da sua história de vida, se você continuou a leitura até aqui, provavelmente, existe uma ponta de insatisfação no seu coração e você busca algum tipo de mudança com relação à sua realidade profissional.

A Engenharia Química no Brasil é uma ciência relativamente nova que foi estruturada no século XX devido às necessidades das indústrias de processos químicos. Até os dias de hoje, as atribuições do engenheiro químico não são bem compreendidas pelo mercado e muitas vezes nem pelos próprios engenheiros. Há atuação de engenheiros químicos em diversas áreas: como vendas, projetos, administração, produção, gestão de negócios, pesquisa, qualidade, segurança do trabalho, educação e consultoria. Os segmentos industriais também são inúmeros, como mineração, agricultura, alimentos, farmacêutico, automotivo, cosméticos, petrolífero (exploração, refino e processamento de subprodutos), energético, produtos de limpeza e produtos químicos em geral. Diante de um leque tão vasto, ao invés de encontrar um campo aberto para atuação, o engenheiro químico se depara com a indefinição de suas atribuições e com a falta de características que o marcam e o definem como Engenheiro Químico.

Se isso lhe parece loucura, gostaria que você pensasse em outros tipos de profissionais, como os médicos e os advogados. A imagem de um médico é forte, identificamo-los quando vemos seu jaleco e suas roupas brancas, seu estetoscópio pendurado no pescoço. E sabemos bem o que um médico faz, independente de sua especialidade. O mesmo vale para os advogados, facilmente identificados por suas roupas sociais, suas palavras marcantes e incisivas. E sabemos bem o que eles fazem, independente da área que ele escolheu se especializar. Entretanto, quando o mundo volta seus olhos para os engenheiros químicos, eles enxergam alguém que reside o interior de um laboratório, que provavelmente sabe fazer bombas e com potencial para ser o novo Heisenberg. Não há uma cultura comportamental que nos defina de forma aparente apontando para nossas reais atribuições.

Provavelmente esse é o principal motivo pelo qual você sente um pouco de insatisfação quanto a sua jornada de Engenheiro Químico: a falta de identidade. Naturalmente qualquer profissional tem como objetivo se tornar um ideal de acordo com um modelo que se espera dele, e então como consequência de sua atuação perfeita vem o retorno financeiro. Como os engenheiros químicos não tem uma imagem-modelo, seu objetivo é fazer qualquer coisa que se apresenta como demanda no mercado para enfim obter o recurso financeiro como consequência. A consequência é a motivação, não há um modelo ideal de atuação profissional. Claro que existem aqueles que têm a sorte de trabalhar com a demanda de mercado que eles realmente amam, ou aqueles que trilharam seu caminho especializando-se na demanda que lhes enche o coração de alegria. Mas a grande maioria dos engenheiros químicos prossegue preenchendo as lacunas do mercado motivadas pelo retorno financeiro. Nesse cenário, quando se instala uma crise econômica no país, os engenheiros químicos se desestabilizam e ficam paralisados. Se você corre atrás de onde há dinheiro, e agora o dinheiro não está em lugar algum, para onde você vai?

Desse modo, a busca da identidade começa dentro de cada um. Talvez você esteja estagnado, com medo de tentar novos horizontes e pode ser que sua verdadeira paixão pela profissão não está onde você procura e sim onde você tem receio de ir. Às vezes uma pequena modificação de comportamento, pode trazer novas oportunidades, ou talvez uma pequena mudança em uma empresa, pode fazer a diferença no mercado. É preciso criar uma estratégia de sobrevivência em um momento como esse. Só existe progresso fora da sua zona de conforto.

Descobrir seus verdadeiros anseios, desejos, valores, missão de vida e habilidades natas podem trilhar rotas que apontam para o que chamamos de sucesso. Sua essência pessoal precisa estar alinhada com a essência da Engenharia Química. Esse aspecto é muito negligenciado por aparentar certo romantismo, entretanto é necessário compreender a integralidade do ser humano. Integralidade é a compreensão de que não há distinção de personalidade de acordo com o ambiente de convivência: cada pessoa permanece a mesma em seu ambiente profissional, familiar e social. Se somos seres integrais, nossas atividades profissionais não podem ser incompatíveis com nossa percepção sentimental e cognitiva do mundo. Então, se você já cogitou a hipótese de “driblar” o momento de crise com cursos, especializações e MBA’s, não os faça apenas por obrigação, procure aquilo que realmente te atrai.

A educação também é uma forte aliada na sua reinvenção de identidade profissional, visto que a cultura acadêmica influencia o pensamento e as atitudes do profissional em formação. Instigar o pensamento crítico, compreender a dinâmica do mercado e dar espaço para o desenvolvimento de habilidades e competências podem aflorar a capacidade de adaptação a momentos economicamente instáveis com a motivação correta. O que se observa na cultura acadêmica das escolas de engenharia é uma falsa ideia de que os engenheiros são profissionais muito inteligentes, seguros de si e que ganham rios de dinheiro. Essa construção ideológica é perigosa porque não permite um encontro desse profissional com seu próprio “espelho” para enxergar suas reais limitações e estabelecer metas que provoquem melhorias comportamentais. Em tempos de crise, o mercado necessita de profissionais capazes de lidar com transformações, com conflitos e situações de estresse. Para isso, você deve olhar para dentro de si, entender sua forma de ver as coisas e reagir a elas, é preciso ter um autoconhecimento para saber o que precisa ser melhorado. Estar atento ao mercado e às suas tendências para identificar novas áreas de atuação é um importante passo para driblar esse momento de recessão.

Ficou claro que não existe uma fórmula mágica para o sucesso, o que resta fazer é repensar sua motivação profissional, seus alvos de vida e analisar o mercado. Não há solução pronta porque as variáveis desse problema são diferentes para cada pessoa, e isso significa que a resposta está dentro de você. Pense fora da caixa, inove, questione a si mesmo, reinvente-se e desta forma será um profissional preparado para superar qualquer desafio!

Fonte: Imagem 1: Almeida.C.Dicas para vencer a crise. Disponível em <<http://www.institutocftv.com.br/dicas-para-vencer-a-crise.html>>.

Camila Gabrieli Reckziegel
Trainee do Setor Acadêmico da BetaEQ, estudante da Unioeste.

Carla Cristina Araújo Parreira
Trainee do Setor Acadêmico da BetaEQ, estudante do Centro Universitário UNA.

Mariana de Souza
Trainee do Setor Acadêmico da BetaEQ.

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