NOVIDADES TECNOLÓGICAS NA ENGENHARIA QUÍMICA MUNDIAL

Atualmente, as indústrias vêm reconhecendo a inovação tecnológica como ferramenta estratégica para manutenção e crescimento de seus negócios. Na engenharia química não é diferente e as novidades tecnológicas estão aparecendo cada vez mais.

A inovação tecnológica tem como característica a incerteza, que é a obtenção de resultados que podem tanto ser de sucesso quanto de fracasso, uma vez que se realiza e desenvolve algo que nunca foi feito, e que depende da aceitação do mercado em geral.

Dentro da Engenharia Química, uma Empresa que se destaca pela estratégia de Inovação tecnológica é a Oxiteno, que é uma das maiores companhias químicas do país, que atua no setor químico e petroquímico e sua produção engloba óxido de eteno, etilenoglicóis, éteres glicólicos, etanolaminas, metil-etil-cetona, tensoativos e especialidades químicas, atendendo a mais de 30 segmentos de mercado, destacando-se os de agroquímicos, alimentos, cosméticos, couros, detergentes, embalagens para bebidas, fios e filamentos de poliéster, fluidos para freio, petróleo, tintas e vernizes. Atualmente 2% do faturamento da empresa é investido em pesquisas para criação de novos produtos (MIRON et al., 2005).

Um processo físico muito utilizado por indústrias químicas e petroquímicas é a destilação, processo capaz de efetuar a separação de misturas líquidas da carga alimentada na coluna, com base nas diferenças de temperatura de ebulição das substancias que a constituem. As torres de destilação demandam um intenso gasto energético, e o advento tecnológico permitiu o desenvolvimento de uma parede divisória, cuja função é evitar a mistura das correntes na fase líquida e vapor. Na metade da década de 1990, a Montz desenvolveu paredes divisórias constituídas por laminas metálicas verticais, que são instaladas sem solda, com a finalidade de garantir um ajuste mais preciso e flexível. Assim, as colunas tradicionais foram substituídas pelas DWC – coluna de parede dividida, que reduz o consumo energético, permite uma melhor separação das frações e menor degradação térmica de produtos termosensíveis (PEREIRA; DERENZO, 2016).

O uso da tecnologia para o desenvolvimento de equipamentos contribui para uma melhor eficiência e capacidade produtiva, e também pode ser aplicado visando benefícios ambientais. Um exemplo de aplicação dessa tecnologia é o desenvolvimento de tubo de caldeira austenítico, para caldeiras que operam com carvão. Este material utilizado para a confecção dos tubos permite que a caldeira opere a maiores temperaturas e pressão, obtenha maior eficiência de conversão do carvão. E portanto, a diminuição no consumo de carvão favorece uma redução na quantidade de CO2 emitida (ABEQ, 2016).

As indústrias têm adotado plataformas tecnológicas que permitem a obtenção de informações on-line com transmissão wireless, que podem ser sincronizadas a celulares e a tabletes permitindo um acompanhamento contínuo do funcionamento de equipamentos. Assim, pode-se avaliar por exemplo, qual o melhor momento para a realização de uma manutenção preventiva. Este sistema tecnológico pode ser aplicado em algumas bombas, onde alguns parâmetros controlados pelo aplicativo são: vibração, temperatura e tempo de operação. Os aplicativos também são capazes de emitir alertas e fazer diagnósticos de falha quando os parâmetros operam fora do normal (ABEQ, 2016).

Um setor que também vem se destacando no quesito inovação tecnológica é o setor energético. O setor sucroalcooleiro do Brasil se destaca como um dos maiores produtores de energia e inovação tecnológica no Brasil e no mundo, atraindo investimentos em pesquisa por se tratar de uma energia limpa e que contribui positivamente para o meio ambiente.

Outra novidade que inclusive rendeu o prêmio Nobel de Química em 2011 a um Israelense é a descoberta dos “quasicristais”. Sabe-se que um cristal é uma substância cujos átomos, moléculas e íons estão organizados de maneira repetitiva. Os quasicristais também são formados por arranjos ordenados de átomos, porém não se segue uma repetição periódica. Os quasicristais já estão sendo bastante aplicados e ainda prometem muitas inovações em vários setores. A partir deles, uma empresa sueca criou um aço inoxidável muito resistente que vem sendo utilizado em lâminas e agulhas cirúrgicas. Os quasicristais também estão sendo utilizados como isolantes térmicos, antiaderentes e em materiais termoelétricos (FONSECA, 2014).

O desenvolvimento de tecnologias, seja com relação aos materiais aplicados nos equipamentos, na inovação de processos, ou no desenvolvimento de programas que permitem um maior controle dos sistemas operacionais, constituem ferramentas importantes que contribuem para a otimização e maior segurança de processos, assim como para assegurar um maior tempo de vida útil dos equipamentos, redução de custos produtivos e minimização de impactos ambientais.

Referências Bibliográficas:

MIRON, M. V.; CAVALCANTI, F.; WONGTSCHOWSKI, P. Inovação tecnológica e produção no setor químico. Química Nova, v.28, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422005000700016>. Acesso em 31 mar. 2017.

FONSECA, F. Quasicristais: Uma nova classe de sólidos – Pet Química Unesp Araraquara, 2014. Disponível em: <https://petquim.wordpress.com/category/quimica-inovacoes-tecnologicas/>. Acesso em 31 mar. 2017.

PEREIRA, V. L.; DERENZO, S. Processos de destilação. Revista Brasileira de Engenharia Química: Tecnologias em equipamentos favorecendo a sustentabilidade e a confiabilidade, v.3, n.3, p. 10-14, 2016.

ABEQ, 2016. Tecnologias em equipamentos favorecendo a sustentabilidade e a confiabilidade. Disponível em: <http://www.abeq.org.br/comunicacao/rebeq/ rebeq2015_abr_04b.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2017.

Imagem 1: Inovações tecnológicas na educação: contribuições para gestores públicos. Disponível em <<http://compromissocampinas.org.br/inovacoes-tecnologicas-na-educacao-contribuicoes-para-gestores-publicos/>>.Acesso em 31.mar.2017.

 

Carla Cristina Araújo Parreira
Trainee do Setor Acadêmico da BetaEQ, estudante do Centro Universitário UNA.

Juliana Targueta
Trainee do Setor Acadêmico da BetaEQ, mestranda na UFRJ.

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