O DIVERSIFICADO MERCADO DOS GASES INDUSTRIAIS

O mercado de produção e utilização de gases industriais possui forte ligação com os engenheiros químicos, seja pela sua atuação nos processos de produção, ou na utilização desses gases para originar outros produtos.    

Os gases industriais possuem aplicações em mercados bastante diversificados, possuindo atividade fundamental em processos industriais, onde podem ser utilizados como matéria-prima para a geração de outros produtos. Conhecer o objetivo final de determinado processo também se torna essencial para a aplicação do gás correto a tal processo, além de minimizar possíveis danificações em equipamentos e gerar um aumento de produtividade, de modo que possibilita a otimização de custos (CRQ, 2017; PRAXAIR, 2017).

O gás hidrogênio é usado para a produção de amônia por meio do tradicional processo industrial conhecido como Haber-Bosch. Aplica-se também a hidrogenação a gorduras quando a finalidade é atingir um maior ponto de fusão, e a óleos vegetais, caracterizando um processo de transformação de um óleo líquido em um óleo semilíquido, como é o caso da margarina (UNESP, 2017; BARCZA).

O hidrogênio possui aplicação no setor energético, em processos de hidrocraqueamento catalítico, auxiliando na quebra de moléculas presentes na carga de gasóleo para obtenção de gasolina e GLP, e também em processos de reformação catalítica, onde é utilizado na etapa de pré-tratamento da nafta pesada para a obtenção de produtos de elevado índice de octanagem, e hidrocarbonetos aromáticos nobres. O hidrogênio ainda pode ser usado para a produção de energia limpa por meio das células de combustível (PETROBRAS).

O nitrogênio pode ser obtido em estado líquido ou gasoso. No estado gasoso tem uso imprescindível em refinarias e petroquímicas, que necessitam de grande volume de N2 para a purga de oxigênio e umidade. Já na indústria alimentícia emprega-se o N2 líquido e gasoso para o acondicionamento de alimentos, e para manutenção da temperatura adequada durante o período de armazenamento e transporte (Air Liquid, 2017). O nitrogênio líquido tem sido um elemento bastante empregado na gastronomia molecular, para a produção de drinques mais bonitos (saindo fumaça, por exemplo), sorvetes e até mesmo carne, como ilustrado na imagem a seguir.

 Figura 1: Uso de nitrogênio líquido para a produção de hambúrguer. Crédito: Silva, André.

O dióxido de carbono possui uma extensa gama de aplicações, que variam desde a aplicação no setor alimentício ao tratamento de efluentes. Com relação aos alimentos e bebidas, o CO2 tem aplicação nos processos de carbonatação, resfriamento e congelamento, além de ser usado para o controle de temperatura dos produtos durante a etapa de armazenamento e transporte (Air Liquid, 2017).

No setor de petróleo e gás o CO2 pode ser usado para o fraturamento hidráulico de poços de petróleo. Na metalurgia possui utilidade como gás de proteção em alguns processos de soldagem, e na siderurgia aplica-se para a supressão de fumos. Por fim, no tratamento de efluentes tem como finalidade a neutralização ou redução de pH e precipitação de metais pesados em combinação com cálcio (Air Liquid, 2017).

Outros gases difundidos no setor industrial são o hélio, que é empregado nos tanques de mergulho, e também no enchimento de balões utilizados para eventos meteorológicos e de pesquisa. O oxigênio possui aplicação na medicina, para o tratamento de insuficiência respiratória. O argônio é empregado em aplicações de iluminação fluorescente e atua como protetor térmico não reativo em janelas de vidro duplo. Outros gases industriais menos conhecidos são o acetileno e aletileno, que possuem aplicações no tratamento metalúrgico (Air, Liquid 2017).

E qual o papel do engenheiro químico neste cenário? O profissional de engenharia química pode atuar tanto nos processos industriais de produção de gases, como também em setores referentes ao de tratamento de efluentes, produção energética e produção alimentícia, onde o uso de gases industriais se faz necessário para o desempenho de tais atividades industriais.

Referências Bibliográficas:

BARCZA, Marcos Villlela. Hidrogenação de óleos e Gorduras. Departamento de Engenharia Química da USP. Disponível em: <http://www.dequi.eel.usp.br/~barcza/HidrogOleoseGorduras.pdf>. Acesso em 11. jul. 2017.

Air Liquid, 2017. Gases Industriais. Disponível em: <https://industrial.airliquide.com.br /gases-industriais>. Acesso em 11. jul. 2017.

PRAXAIR, 2017. White Martins, Praxair. Disponível em: <http://www.praxair.com.br /gases>. Acesso em 11. jul. 2017.

CRQ, 2017. Gases Industriais. Disponível em: <http://www.crq4.org.br/quimica_viva __gases_industriais>. Acesso em 11. jul. 2017.

UNESP, 2017. Hidrogênio – Laboratório Virtual de Química. Disponível em: <http://www2.fc.unesp.br/lvq/LVQ_ tabela/001 _hidrogenio.html>. Acesso em 11. jul. 2017.

PETROBRAS. Processos de Refino. Disponível em: <http://www.dequi.eel.usp.br/~ barcza/RefinoPetrobras.pdf>. Acesso em 11. jul. 2017.

Imagem 1: Gases Industriais. Disponível em <https://www.novaesefonseca.com/? lightbox=dataItem-ik0cxqi9>. Acesso em 11. jul. 2017.

Imagem 2: Uso de nitrogênio líquido para a produção de hambúrguer. Disponível em: < http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI236661-17773,00-COMIDA+DE +LABORATORIO.html>. Acesso em 11. jul. 2017.

Juliana Targueta
Assessora do Setor Acadêmico da BetaEQ. Mestranda na UFRJ.

 

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