Fotocatálise para geração de hidrogênio: Uso da luz solar para dividir moléculas de água

Fotocatálise para geração de hidrogênio: Uso da luz solar para dividir moléculas de água. Texto elaborado pela equipe AIChE Maringá.

1. Introdução  

1.1 Contexto energético global e busca por alternativas renováveis

O crescimento contínuo da demanda energética global, aliado aos impactos ambientais decorrentes do uso intensivo de combustíveis fósseis, tem impulsionado a busca por fontes de energia renováveis e sustentáveis. As emissões de dióxido de carbono associadas à matriz energética convencional estão diretamente relacionadas às mudanças climáticas, tornando urgente o desenvolvimento de tecnologias capazes de promover a transição para sistemas energéticos de baixo carbono [5, 21].

Nesse cenário, a conversão direta da energia solar em energia química surge como uma estratégia particularmente atrativa, uma vez que a radiação solar é abundante, renovável e amplamente distribuída no planeta. Tecnologias baseadas em processos fotoquímicos têm sido amplamente investigadas como alternativas promissoras para o armazenamento de energia solar em ligações químicas estáveis [23].

1.2 Importância do hidrogênio como combustível limpo

O hidrogênio destaca-se como um vetor energético estratégico devido à sua elevada densidade energética gravimétrica e ao fato de sua utilização não gerar emissões de gases poluentes, produzindo apenas água como subproduto. Quando obtido a partir de fontes renováveis, o hidrogênio pode desempenhar papel central em uma economia energética sustentável, sendo aplicável em setores como transporte, geração elétrica e processos industriais [5, 21].

Entretanto, grande parte do hidrogênio atualmente produzido é derivada de fontes fósseis, o que compromete seus benefícios ambientais. Assim, métodos alternativos de produção de hidrogênio, especialmente aqueles baseados em energia solar e água, têm recebido crescente atenção científica e tecnológica [23].

1.3 Motivação para o uso da fotocatálise e da energia solar

A fotocatálise aplicada à divisão da água representa uma rota promissora para a produção sustentável de hidrogênio, pois permite a conversão direta da energia solar em energia química sem a necessidade de etapas intermediárias complexas. Desde os primeiros estudos envolvendo semicondutores, avanços significativos têm sido alcançados no desenvolvimento de materiais fotocatalíticos mais eficientes, estáveis e capazes de operar sob luz visível [5, 10, 21].

Materiais como TiO₂, ZnO, sulfetos metálicos, perovskitas e heteroestruturas semicondutoras vêm sendo amplamente estudados, com o objetivo de ampliar a absorção espectral, reduzir a recombinação de cargas e melhorar a cinética das reações de evolução de hidrogênio e oxigênio [1, 6, 11, 22].

1.4 Estrutura do artigo

Ao longo deste trabalho, são apresentados os fundamentos teóricos e conceituais da fotocatálise e da fotoeletrocatálise aplicadas à divisão da água, bem como os principais mecanismos envolvidos na produção de hidrogênio a partir da energia solar. Também são discutidos os materiais fotocatalíticos mais relevantes, seus métodos de síntese e caracterização, além das diferentes configurações experimentais empregadas nesses processos.

Adicionalmente, são abordadas aplicações recentes e avanços tecnológicos na área, juntamente com uma análise dos desafios atuais e das perspectivas futuras para a consolidação da fotocatálise como uma rota viável para a produção sustentável de hidrogênio. Por fim, são apresentadas as considerações finais do estudo.

 

2. Fundamentos da Fotocatálise    

2.1 Conceito de fotocatálise e fotoeletrocatálise

A fotocatálise consiste em um processo no qual a energia luminosa é utilizada para promover reações químicas na superfície de um material semicondutor. Quando esse material é irradiado com fótons cuja energia é igual ou superior ao seu band gap, elétrons são excitados da banda de valência para a banda de condução, resultando na formação de pares elétron–lacuna capazes de participar de reações de oxidação e redução [5,21]. Esses portadores de carga fotogerados constituem o elemento central do mecanismo fotocatalítico, sendo responsáveis pela conversão direta da energia solar em energia química armazenada em ligações moleculares.

A fotoeletrocatálise representa uma extensão desse conceito, na qual o semicondutor atua como um eletrodo em um sistema eletroquímico. Nessa configuração, a separação espacial das reações redox é favorecida por meio de um circuito externo, reduzindo a recombinação das cargas fotogeradas e permitindo maior controle sobre o potencial aplicado ao sistema [21,23]. Embora apresente maior complexidade experimental, essa abordagem tem demonstrado vantagens significativas em termos de eficiência e estabilidade para a divisão da água.

2.2 Princípios físico-químicos da fotocatálise

O processo fotocatalítico envolve uma sequência de etapas fundamentais: absorção de fótons, excitação eletrônica, geração de pares elétron–lacuna, transporte das cargas no interior do semicondutor e transferência dessas cargas para espécies adsorvidas na superfície do material [3,5]. Durante o transporte, elétrons e lacunas podem sofrer recombinação radiativa ou não radiativa, o que representa uma das principais perdas energéticas do processo fotocatalítico.

A eficiência da separação e migração das cargas depende fortemente das propriedades estruturais do semicondutor, tais como fase cristalina, tamanho de cristalito, morfologia e presença de defeitos. Materiais com elevada área superficial e boa cristalinidade tendem a apresentar maior número de sítios ativos e menor taxa de recombinação, favorecendo as reações redox superficiais [3,4]. Dessa forma, o controle das condições de síntese e o uso de técnicas avançadas de caracterização são fundamentais para a otimização do desempenho fotocatalítico.

2.3 Requisitos para um bom fotocatalisador

Um fotocatalisador eficiente deve apresentar band gap adequado para absorver uma fração significativa do espectro solar, estabilidade química e fotoquímica em meio aquoso, além de boa mobilidade e transporte de cargas [5,21]. A posição das bandas de valência e condução deve ser compatível com os potenciais redox das reações de evolução de hidrogênio e oxigênio, garantindo a viabilidade termodinâmica do processo de divisão da água.

Semicondutores como o dióxido de titânio e o óxido de zinco destacam-se pela elevada estabilidade e baixo custo, sendo amplamente utilizados como materiais de referência em estudos fotocatalíticos [1,10]. No entanto, seus elevados valores de band gap limitam a absorção à região do ultravioleta, o que corresponde a uma pequena fração da radiação solar incidente. Para contornar essa limitação, estratégias como dopagem, formação de compósitos e heteroestruturas têm sido amplamente exploradas, visando modificar a estrutura eletrônica do material e reduzir a recombinação de cargas [7,10,17].

 

3. Mecanismos da Divisão da Água (Water Splitting)  

3.1 Reações de oxidação (OER) e redução (HER)

A divisão fotocatalítica da água envolve duas semi-reações fundamentais: a reação de evolução de hidrogênio (HER), associada à redução de prótons, e a reação de evolução de oxigênio (OER), relacionada à oxidação da água [5,21]. A reação global requer a transferência de quatro elétrons e quatro prótons, tornando o processo cineticamente complexo e altamente dependente das propriedades do material fotocatalítico.

A OER é considerada a etapa limitante da reação de divisão da água, pois envolve múltiplas etapas intermediárias, incluindo a formação de ligações O–O, o que resulta em elevados sobrepotenciais e cinética lenta [21]. Em contraste, a HER apresenta cinética mais favorável, especialmente quando catalisada por cocatalisadores metálicos, como nanopartículas de platina, que atuam como sítios ativos para a redução de prótons e facilitam a transferência eletrônica [9,14].

3.2 Desafios termodinâmicos e cinéticos

Do ponto de vista termodinâmico, a divisão da água requer um potencial mínimo de 1,23 V sob condições padrão. Entretanto, na prática, valores significativamente maiores são necessários devido às perdas associadas à recombinação de cargas fotogeradas e às barreiras cinéticas das reações de superfície [21,23]. Além disso, a estabilidade dos materiais sob irradiação prolongada e em meio aquoso representa um desafio adicional, uma vez que processos de corrosão e fotodegradação podem comprometer o desempenho do sistema [5].

Esses desafios tornam essencial o desenvolvimento de materiais capazes de promover separação eficiente das cargas, reduzir sobrepotenciais e manter estabilidade estrutural e química ao longo do tempo.

3.3 Fotocatálise heterogênea versus fotoeletroquímica

Na fotocatálise heterogênea, as reações de oxidação e redução ocorrem simultaneamente na superfície do mesmo material semicondutor, o que pode favorecer a recombinação dos pares elétron–lacuna antes que participem efetivamente das reações redox [5,21]. Embora essa abordagem apresente simplicidade experimental, sua eficiência global é frequentemente limitada pela dificuldade de separação espacial das cargas.

Por outro lado, sistemas fotoeletroquímicos permitem a separação das semi-reações em eletrodos distintos, conectados por um circuito externo, reduzindo a recombinação de cargas e permitindo maior controle sobre o potencial aplicado ao sistema [21,23]. Essa configuração tem demonstrado maior eficiência e estabilidade, especialmente em sistemas de divisão da água operando sob luz solar.

3.4 Esquemas Z-scheme e heterojunções

A formação de heterojunções entre semicondutores com diferentes níveis de energia tem sido amplamente explorada como estratégia para melhorar a separação de cargas e ampliar a absorção de luz visível [11,19]. Nessas estruturas, a transferência direcionada de elétrons e lacunas reduz a recombinação e aumenta a eficiência fotocatalítica.

Os sistemas do tipo Z-scheme destacam-se por preservar elétrons altamente redutores e lacunas altamente oxidantes em diferentes semicondutores, mimetizando o mecanismo da fotossíntese natural [21,22]. Essa arquitetura tem apresentado resultados promissores na divisão global da água, especialmente quando combinada com materiais visíveis, como sulfetos metálicos e compósitos baseados em grafeno [11,19,22].

 

4. Materiais Fotocatalíticos 

A pesquisa em materiais fotocatalíticos evoluiu de óxidos de banda larga, que servem como referências históricas, para heteroestruturas complexas e materiais bidimensionais (2D) projetados para maximizar a utilização de luz visível e controlar a transferência de carga na interface.

4.1. Semicondutores Tradicionais (TiO2, ZnO) e Suas Limitações

Historicamente, os óxidos semicondutores têm sido a espinha dorsal da fotocatálise heterogênea devido à sua estabilidade, baixo custo e não-toxicidade. No entanto, suas propriedades eletrônicas intrínsecas impõem limitações significativas para a aplicação prática na produção de H2 impulsionada pela luz solar.

4.1.1. Dióxido de Titânio (TiO2) e Óxido de Zinco (ZnO)

O Dióxido de Titânio (TiO2) e o Óxido de Zinco (ZnO) são amplamente utilizados como fotocatalisadores, sendo o TiO2 (tipicamente Degussa P25) um padrão de referência em estudos de fotocatálise. A principal restrição desses materiais é termodinâmica: ambos possuem um band gap (energia de banda proibida, Eg) muito largo.

O TiO2 na fase anatase tem um Eg de aproximadamente 3.2 e V, e o ZnO possui um Eg ainda maior, geralmente 3.37. Esses valores de Eg  restringem a absorção de fótons quase exclusivamente à região ultravioleta (UV) do espectro solar, correspondendo a menos de 5% da energia solar total disponível. Essa limitação espectral inerente estabelece o baixo rendimento quântico sob irradiação solar como o principal obstáculo para o uso prático desses óxidos puros.

Além da absorção espectral limitada, o ZnO exibe uma alta taxa de recombinação de pares elétron-lacuna fotogerados. A rápida aniquilação dessas cargas reduz a quantidade de portadores disponíveis para catalisar as reações redox na superfície. Para mitigar essa deficiência, são necessárias modificações, como o revestimento de nanopartículas de ZnO com nanopartículas de Prata AgNPs para evitar a recombinação e melhorar a separação de carga.

4.1.2. Modificação via Dopagem ou Defeitos: Superando o Band Gap Largo

A engenharia de materiais tem focado intensamente na modificação desses semicondutores para estender sua atividade para o espectro visível. A modificação da estrutura do semicondutor é a resposta direta ao problema do Eg largo.

A introdução de dopantes (metálicos ou não-metálicos, como N ou C) é uma estratégia primária. A dopagem altera a microestrutura e a estrutura eletrônica, levando à criação de defeitos e à funcionalização da superfície, que são mecanismos essenciais para a produção de fotocatalisadores mais eficientes.

Defeitos localizados, como as vacâncias de oxigênio introduzidas pela adição de dopantes, desempenham um papel crucial. Estas vacâncias podem atuar como sítios de aprisionamento (trapping sites) para os portadores de carga, sequestrando elétrons ou lacunas. Ao aprisionar uma das espécies de carga, o tempo de vida do par fotogerado é estendido, o que aumenta a eficiência da separação de carga e, consequentemente, melhora a atividade fotocatalítica.

Apesar do sucesso dessas modificações, a melhoria do desempenho através da dopagem e engenharia de defeitos, embora crucial para reduzir a recombinação e introduzir estados intermediários para absorção em comprimentos de onda maiores, não resolve o problema termodinâmico fundamental. O problema dos óxidos tradicionais não é apenas cinético (recombinação), mas também intrinsecamente espectral: a baixa energia dos fótons absorvidos sob luz solar (apenas UV) exige a busca por materiais com Eg intrinsecamente menores.

4.2. Novos Materiais: Absorção Otimizada e Arquiteturas de Heterojunção

A pesquisa moderna se deslocou para materiais que absorvem eficientemente na região visível do espectro solar e que podem ser integrados em arquiteturas avançadas para facilitar a separação de carga, como as heteroestruturas.

4.2.1. Nitreto de Carbono Grafítico (g-C3N4) e Sulfeto de Cádmio (CdS)

O Nitreto de Carbono Grafítico (g-C3N4) surgiu como um semicondutor promissor. É um polímero não-metálico, composto de precursores abundantes e de baixo custo, que exibe um band gap adequado (em torno de 2.7 e V para a absorção de luz visível. Além disso, seu potencial de banda de condução é favorável à Reação de Evolução de Hidrogênio (HER).

O Sulfeto de Cádmio CdS é outro absorvedor eficiente de luz visível (Eg2.2-2.4 e V) . No entanto, quando utilizado isoladamente, o CdS sofre de foto-corrosão. O grande avanço veio com o acoplamento desses dois materiais para formar uma heterojunção.

O acoplamento de CdS (nano-hastes) com nano-folhas de (g-C3N4) resulta em uma heteroestrutura de Tipo II. Esta arquitetura é crucial porque os níveis de energia desalinhados entre os dois semicondutores promovem a separação espacial dos portadores de carga. Os elétrons fotogerados migram para um componente e as lacunas para o outro, prevenindo a recombinação na interface e aumentando drasticamente a eficiência fotocatalítica sob luz visível.

A engenharia desta arquitetura demonstra ser a estratégia mais eficaz para aprimorar a eficiência do Overall Water Splitting (OWS). Um sistema otimizado Pt-CdS/g-C3N4-MnO, operando sob luz visível (λ > 400 nm), alcançou uma taxa de geração de H2 de 924.4 μmol h-1g-1.10 Este desempenho foi mais de 420 vezes maior do que o observado em nano-hastes puras de CdS com Pt, atingindo uma Eficiência Quântica Aparente (AQE) de aproximadamente 3.389% a 400nm. Isso valida que a engenharia do alinhamento de bandas é a chave para superar as limitações cinéticas dos componentes individuais.

4.2.2. Perovskitas e Óxidos Complexos

A família de materiais com estrutura perovskita (ABX3), que inclui óxidos complexos e haletos metálicos, oferece uma plataforma versátil para a fotocatálise. As perovskitas são atrativas devido à sua flexibilidade estrutural, que permite a sintonização precisa de suas propriedades eletro-ópticas, incluindo o band gap.

O band gap pode ser ajustado pela dopagem dos sítios atômicos A e B ou mesmo pela introdução de nitrogênio (N) no sítio X, o que é útil para reduzir a energia do Eg e adequá-la ao espectro solar. As perovskitas inorgânicas de haleto metálico (onde o sítio A é ocupado por um cátion inorgânico como Césio (Cs+) ou Rubídio (Rb+) também são intensamente investigadas para aplicações em fotocatálise, incluindo a clivagem da molécula de água. 

No entanto, um desafio persistente, semelhante a muitos novos materiais em ambientes aquosos, é a estabilidade química. Estratégias como o suporte e encapsulamento em óxidos inertes (por exemplo, suportar SrSnO3 em ZrO2) têm sido utilizadas para aumentar a estabilidade do fotocatalisador, demonstrando favorecer o processo fotocatalítico.

4.2.3. Materiais Bidimensionais (2D)

Materiais bidimensionais (2D), como o Grafeno e o Dissulfeto de Molibdênio (MoS2), oferecem um avanço na cinética de transferência de carga devido às suas propriedades estruturais únicas. Nessas estruturas em camada, os portadores de carga são confinados na espessura e têm maior mobilidade através dos planos, apresentando alto coeficiente de absorção e elevada relação superfície-volume.

O MoS2 é um dicacalcogeneto de metal de transição (TMDC) com propriedades optoeletrônicas impressionantes. Sua integração em heteroestruturas, como MoS2/Grafeno, é uma estratégia eficaz onde o Grafeno atua como uma camada de transferência de carga altamente condutora.

A engenharia morfológica desses materiais é crucial. O crescimento de nano-folhas de MoS2 verticalmente alinhadas sobre Grafeno resultou em um desempenho fotoeletroquímico (PEC) significativamente melhorado. As bordas das nano-folhas verticalmente alinhadas atuam como vias altamente condutoras para os portadores fotogerados. É fundamental que a altura dessas nano-folhas seja controlada para não exceder o comprimento de difusão do portador (aproximadamente 200 nm) para garantir que os elétrons cheguem ao sítio ativo interfacial antes que ocorra a recombinação. Esta dependência da morfologia em nanoescala demonstra que o controle preciso da arquitetura é tão importante quanto a composição química na próxima geração de fotocatalisadores.

4.3. Catalisadores Coadjuvantes (Cocatalisadores): Controle da Recombinação e Aceleração da Cinética Interfacial

Os cocatalisadores são componentes indispensáveis nos sistemas fotocatalíticos eficientes. Sua função é dupla: (i) atuar como sumidouros de portadores de carga, minimizando a recombinação elétron-lacuna, e (ii) fornecer sítios ativos com baixa sobretensão (overpotential) para acelerar as reações redox (HER e OER).

4.3.1. Cocatalisadores para HER: Acelerando a Redução

Para a HER, a transferência de elétrons da banda de condução do semicondutor para o próton (H+) é acelerada pela presença de metais com alta função trabalho.

  • Platina (Pt): A Pt é o cocatalisador de metal nobre mais estudado, devido à sua altíssima função trabalho, que favorece a transferência eficiente de elétrons do semicondutor para o metal, facilitando a redução de H+ a H2.
  • Otimização Estrutural (Nanoclusters): Pesquisas recentes indicam que a forma estrutural da Pt impacta significativamente o desempenho. Nanoclusters de Pt ultra-pequenos (tipicamente 1 a 5 átomos) depositados em TiO2 demonstraram superar o desempenho de nanopartículas de Pt maiores. Esta superioridade sugere uma maior atividade catalítica intrínseca nas escalas atômicas (Catálise de Átomo Único, SAC), maximizando a utilização de cada átomo de metal nobre.
  • Alternativas de Baixo Custo: A busca por alternativas de baixo custo para a Pt é contínua. A Prata Ag e, mais recentemente, hidróxidos de metais de transição como o Hidróxido de Níquel (Ni(OH)2) têm se mostrado promissores. O Ni(OH)2 tem apresentado boa eficiência quando utilizado como cocatalisador em sistemas baseados em TiO2.

4.3.2. O Desafio da OER e a Recombinação

A Reação de Evolução de Oxigênio (OER) é geralmente o gargalo cinético na divisão geral da água (OWS), pois envolve uma complexa transferência de quatro elétrons. A lacuna (h+) gerada na banda de valência deve oxidar a água, um processo lento que, se não for suficientemente rápido, leva ao acúmulo de lacunas e, consequentemente, à recombinação com os elétrons, diminuindo a produção de H2.

Para maximizar a eficiência de OWS, a engenharia de cocatalisadores deve abordar as necessidades cinéticas de ambas as semi-reações. O uso de sistemas duplos de cocatalisadores é a abordagem de ponta, onde um catalisador otimiza a HER Pt e outro otimiza a OER (MnOx ou outros óxidos de metais de transição).

No sistema de heterojunção CdS/g-C3N4, a incorporação simultânea in situ de Pt (para HER) e MnOx (para OER) foi crucial para atingir altas taxas de H2 e O2 em água pura. 

É importante notar que muitos estudos de alto rendimento de H2 em laboratório utilizam reagentes de sacrifício (como glicerol) que são facilmente oxidados pelas lacunas. Embora isso maximize a taxa de H2, essa prática desvia a lacuna da OER real, mascarando a baixa cinética intrínseca da OER em água pura. Isso enfatiza que, para a aplicação prática da OWS, o desenvolvimento de cocatalisadores de OER eficientes e de baixo custo é o obstáculo mais urgente a ser superado.

 

5. Métodos de Síntese e Caracterização

5.1 Sínteses comuns (sol-gel, hidrotermal, deposição, calcinação)

A eficiência de um fotocatalisador para geração de hidrogênio depende não apenas de sua composição, mas também do método empregado em sua síntese. Diferentes rotas sintéticas permitem modular desde a fase cristalina até a morfologia e a distribuição de bandas eletrônicas, fatores que determinam a absorção de luz e a separação das cargas fotogradas. Nesse contexto, quatro abordagens se destacam na literatura para a preparação de semicondutores fotocatalíticos: o método sol–gel, os processos hidrotermais, técnicas de deposição e tratamentos térmicos por calcinação.

O processo sol-gel envolve a criação de uma solução que contém precursores metálicos, seguido pelos estágios de hidrólise, condensação e gelificação. Após a secagem, obtém-se um sólido geralmente amorfo, que pode ser calcinado para se tornar cristalino. Trata-se de um caminho bastante utilizado para a produção de óxidos metálicos fotocatalíticos com elevada homogeneidade química. [1]

Já a síntese hidrotermal envolve reações em solução aquosa dentro de autoclaves a temperaturas e pressões elevadas. Ela permite produzir partículas cristalinas, muitas vezes com morfologia controlada (nanofios, nanoflores, nanopartículas bem definidas). [2]

As técnicas de deposição, como dip-coating, spin-coating ou CVD, são usadas para imobilizar o fotocatalisador sobre um substrato, formando filmes finos. Isso facilita a recuperação do catalisador e permite aplicações em reatores contínuos. Por fim, a calcinação é o tratamento térmico usado para remover compostos orgânicos, eliminar resíduos do processo de síntese e cristalizar o material. Temperaturas mais altas promovem crescimento de cristalito e mudança de fase. [3]

5.2 Técnicas de caracterização:

5.2.1 DRX, MEV/FEG, UV–Vis, FTIR, XPS, BET, eletroquímica.

Dessa forma, várias técnicas de caracterização são empregadas para entender completamente as propriedades dos materiais sintetizados. A Difração de Raios X (DRX) possibilita a identificação de fases cristalinas e a estimativa do tamanho do cristalito. A Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV/FEG) produz imagens de alta resolução, permitindo a análise da morfologia e do tamanho das partículas. A espectroscopia UV-Vis é empregada para estabelecer o bandgap e as características ópticas. A FTIR detecta grupos funcionais e ligações químicas contidas nos materiais. A XPS examina a composição superficial e os estados químicos. A técnica BET possibilita a determinação da área superficial específica e da porosidade. Por último, técnicas eletroquímicas, como voltametria cíclica e EIS, são usadas para avaliar as propriedades redox, a condutividade e a atividade catalítica de materiais utilizados em energia e catálise. [4]

5.3 Relação entre propriedades estruturais e desempenho fotocatalítico.

Portanto, a eficiência fotocatalítica de um material está relacionada às suas características estruturais, pois propriedades como a área superficial, morfologia e composição química afetam a absorção de luz, a separação de cargas e a disponibilidade de sítios ativos.  Assim, materiais que possuem uma maior área específica e porosidade, geralmente apresentam um desempenho superior, pois proporcionam mais espaços para a adsorção de reagentes e reações na superfície.  De maneira semelhante, a fase cristalina e o nível de cristalinidade influenciam a mobilidade dos portadores de carga e diminuem a recombinação eletrônica, elevando a taxa de produção de hidrogênio. Algumas alterações na estrutura, como dopagem ou criação de heteroestruturas, podem permitir um melhor aproveitamento da luz solar.  

 

6. Sistemas Reacionais e Configurações Experimentais

6.1 Fotoreatores em laboratório.

Os fotoreatores de laboratório são feitos para garantir um controle mais preciso da iluminação e temperatura do sistema reacional, possibilitando a avaliação reprodutível do desempenho fotocatalítico. Normalmente, empregam-se reatores fechados de vidro ou quartzo, dotados de lâmpadas de xenônio, mercúrio ou LEDs, conectados a sistemas de resfriamento e agitação para preservar condições consistentes. A eficiência da transferência de massa e a interação entre o catalisador e a luz, elementos essenciais para a produção de hidrogênio, são diretamente afetados pelo tipo de reator (imersão, recirculação, “slurry” ou filme fino). Fotoreatores com janela de quartzo são preferidos por sua elevada transmitância na faixa UV-visível, assegurando que o espectro luminoso alcance o catalisador sem perdas consideráveis. [5]

6.2 Condições experimentais (pH, temperatura, intensidade luminosa).

As condições do meio possuem grande influência sobre a eficiência do processo fotocatalítico. O pH altera o potencial redox das reações de oxidação e redução, afetando a fotogeração de hidrogênio e a estabilidade do catalisador. Já a temperatura interfere nas etapas de adsorção, podendo acelerar o transporte de cargas e as reações superficiais. A intensidade luminosa determina a taxa de excitação eletrônica, ou seja, valores muito baixos reduzem a atividade, enquanto valores excessivos podem promover recombinação de portadores. Assim, a otimização desses parâmetros é essencial para comparar resultados entre estudos e interpretar corretamente o desempenho de diferentes catalisadores. [5]

6.3 Uso de luz solar natural vs. simulada.

A escolha entre luz solar natural ou luz artificial determina a reprodutibilidade dos experimentos. A luz solar natural apresenta um espectro mais amplo e realista, mas sofre com variações climáticas e de intensidade ao longo do dia, dificultando comparações diretas entre estudos. Já simuladores solares permitem controle preciso da intensidade e distribuição espectral, garantindo condições que podem ser padronizadas e produzidas, fundamentais para testes comparativos e desenvolvimento de materiais. No entanto, a luz natural continua sendo essencial para validar a aplicabilidade prática de fotocatalisadores em escala real. [5]

6.4 Parâmetros de avaliação: taxa de evolução de H₂, eficiência quântica, eficiência solar-para-hidrogênio (STH).

A avaliação do desempenho dos fotocatalisadores para geração de hidrogênio possui parâmetros que permitem comparar materiais diferentes sob condições controladas. A taxa de evolução de H₂  mede diretamente a quantidade de hidrogênio produzido por unidade de tempo e massa de catalisador. A eficiência quântica avalia o número de moléculas de H₂ geradas por fóton absorvido, refletindo a eficiência intrínseca do processo fotoquímico. Já a eficiência solar-para-hidrogênio (STH) é o parâmetro mais rigoroso e representa a conversão integrada de energia solar em energia química do hidrogênio, sendo essencial para estimar o potencial tecnológico do material. Juntos, esses parâmetros permitem avaliar não apenas o desempenho, mas também a viabilidade de aplicação prática. [5]

 

7. Aplicações Práticas e Avanços Recentes

Nos últimos anos, a fotocatálise para a geração de hidrogênio a partir da divisão da água utilizando luz solar tem apresentado avanços significativos, evoluindo de estudos predominantemente laboratoriais para o desenvolvimento de sistemas integrados com potencial de aplicação prática. Esse progresso é evidenciado pela proposição de arquiteturas fotocatalíticas mais eficientes, seguras e escalonáveis, capazes de operar sob condições reais de irradiação solar. Um exemplo representativo dessa evolução é o sistema fotocatalítico escalável movido a energia solar desenvolvido por Fu et al. (2025), que permite a produção separada de hidrogênio e oxigênio, reduzindo reações reversas e aumentando a viabilidade operacional do processo.[20]

A integração da fotocatálise em sistemas de produção de hidrogênio é abordada por meio do desenvolvimento de configurações modulares, nas quais células independentes são destinadas às reações de evolução de hidrogênio (HER) e de oxigênio (OER), conectadas por um mediador redox. Essa abordagem possibilita a operação contínua do sistema e favorece sua ampliação para maiores áreas ativas, aspecto essencial para aplicações em escala ampliada. Além disso, a validação do sistema sob luz solar natural reforça o potencial da fotocatálise como rota sustentável para a produção de hidrogênio verde.[20]

No que diz respeito ao acoplamento da fotocatálise a processos industriais, embora a tecnologia ainda se encontre em estágio pré-industrial, o sistema proposto apresenta características alinhadas às exigências industriais, como segurança operacional, separação eficiente dos produtos gasosos e simplicidade construtiva. A produção separada de H2 e O2 elimina a necessidade de etapas adicionais de purificação e reduz riscos associados à mistura dos gases, fatores críticos para a viabilidade industrial do processo. Dessa forma, o estudo contribui para aproximar a fotocatálise de aplicações industriais futuras, especialmente em cadeias de armazenamento e uso do hidrogênio.[20]

O progresso em materiais e técnicas fotocatalíticas observado nos últimos cinco anos é refletido tanto na otimização dos fotocatalisadores quanto no aprimoramento do desenho dos sistemas de reação. Avanços na engenharia de materiais, aliados a estratégias modernas de caracterização e avaliação de desempenho, resultaram em melhorias expressivas na eficiência de conversão da energia solar em hidrogênio. Ademais, a realização de testes de estabilidade e desempenho sob condições reais de operação permitiu uma análise mais realista do potencial tecnológico desses sistemas, superando limitações frequentemente observadas em estudos restritos ao ambiente laboratorial.

Por fim, os estudos recentes indicam tendências emergentes na área de fotocatálise para geração de hidrogênio, destacando uma mudança de enfoque do desenvolvimento isolado de novos materiais para a concepção de sistemas completos, integrados e escalonáveis. A ênfase atual recai sobre eficiência, estabilidade, segurança operacional e viabilidade econômica, aspectos indispensáveis para a transição da tecnologia para aplicações práticas. Nesse cenário, a fotocatálise solar se consolida como uma alternativa promissora e complementar para a produção sustentável de hidrogênio verde, contribuindo para os esforços globais de transição energética.[20]

8. Desafios e Perspectivas Futuras 

8.1 Eficiência ainda limitada

Apesar dos avanços recentes na área da fotocatálise solar, a eficiência de conversão da energia solar em hidrogênio ainda constitui um dos principais desafios para a viabilidade tecnológica dessa rota. Em grande parte dos sistemas fotocatalíticos reportados, as eficiências permanecem abaixo dos valores necessários para competir com tecnologias alternativas, como a eletrólise da água alimentada por energia fotovoltaica. Essa limitação está associada, principalmente, à recombinação rápida dos pares elétron-lacuna gerados pela absorção da luz, à absorção incompleta do espectro solar e às barreiras cinéticas das reações de evolução de hidrogênio (HER) e oxigênio (OER).[21]

Além disso, muitos fotocatalisadores apresentam bandgaps (lacuna de energia) inadequados, absorvendo predominantemente na região do ultravioleta, que representa apenas uma pequena fração da radiação solar incidente. Embora sistemas mais avançados tenham alcançado eficiências solares para hidrogênio superiores a 9%, esses resultados ainda são exceções e frequentemente obtidos sob condições controladas, o que evidencia a necessidade de avanços adicionais para tornar a fotocatálise competitiva em cenários reais de aplicação.

8.2 Estabilidade dos fotocatalisadores

Outro desafio crítico refere-se à estabilidade dos fotocatalisadores durante a operação prolongada. Muitos semicondutores utilizados na fotocatálise sofrem processos de fotocorrosão, oxidação indesejada ou alterações estruturais quando expostos continuamente à radiação solar e a ambientes aquosos. Esses fenômenos resultam na perda progressiva da atividade catalítica, comprometendo a confiabilidade e a durabilidade dos sistemas fotocatalíticos.

A instabilidade dos materiais representa uma barreira significativa para aplicações práticas, uma vez que sistemas industriais exigem operação contínua por longos períodos, com mínima necessidade de substituição ou regeneração dos catalisadores. Estratégias recentes para mitigar esse problema incluem a engenharia de superfícies, a formação de heteroestruturas semicondutoras e a introdução de cocatalisadores capazes de proteger o material ativo e melhorar a separação de cargas. Trabalhos recentes demonstram que o controle de defeitos e a modificação das interfaces podem aumentar significativamente a estabilidade e a eficiência dos fotocatalisadores.[22]

8.3 Escalonamento para produção industrial

O escalonamento dos sistemas fotocatalíticos para produção industrial de hidrogênio permanece como um dos maiores desafios da área. Embora muitos estudos relatem desempenhos promissores em escala laboratorial, a transposição desses resultados para sistemas de grande área envolve questões complexas relacionadas à uniformidade dos materiais, ao transporte de massa, à dissipação de calor e à coleta segura dos gases produzidos. Essas limitações tornam difícil a replicação do desempenho observado em laboratório em condições reais de operação.[21]

Experimentos em escala ampliada ainda são relativamente raros, mas fundamentais para avaliar a viabilidade da tecnologia. Um exemplo relevante é o estudo conduzido por Nishiyama et al. (2021), que demonstrou a produção fotocatalítica de hidrogênio em uma área de aproximadamente 100 m². Apesar dos resultados promissores, o trabalho evidenciou desafios adicionais associados à operação contínua, à eficiência global do sistema e aos custos de implementação, reforçando a necessidade de maior desenvolvimento tecnológico antes da aplicação industrial em larga escala.[23]

8.4 Caminhos de pesquisa e tendências futuras

Diante dos desafios atuais, as perspectivas futuras da fotocatálise para geração de hidrogênio concentram-se em múltiplas frentes de pesquisa. O desenvolvimento de novos semicondutores com bandgaps ajustados ao espectro solar, maior estabilidade química e melhor separação de cargas é considerado essencial para o aumento da eficiência dos sistemas. Materiais baseados em sulfetos, oxinitretos e compostos multicomponentes têm sido amplamente investigados como alternativas promissoras aos semicondutores tradicionais.

Paralelamente, a engenharia de superfícies e interfaces surge como uma estratégia fundamental para otimizar o desempenho fotocatalítico. A construção de heteroestruturas, o controle de defeitos cristalinos e a introdução seletiva de cocatalisadores têm demonstrado potencial significativo para reduzir a recombinação de cargas e aumentar tanto a eficiência quanto a estabilidade dos sistemas.[22]

Além disso, o uso de inteligência artificial e técnicas de aprendizado de máquina tem emergido como uma ferramenta poderosa para acelerar o design e a descoberta de novos materiais fotocatalíticos. Essas abordagens permitem a análise de grandes bases de dados experimentais e computacionais, possibilitando a identificação rápida de composições e estruturas com propriedades otimizadas, reduzindo significativamente o tempo e o custo de desenvolvimento.

Por fim, o avanço no desenvolvimento de reatores solares fotocatalíticos integrados, eficientes e escalonáveis é visto como um passo decisivo para a consolidação da fotocatálise como rota tecnológica viável. O projeto de reatores que maximizem a captação de luz solar, facilitem o transporte de massa e permitam a separação segura dos produtos gasosos será essencial para viabilizar a aplicação da fotocatálise em contextos industriais futuros.[23]

 

9. Conclusão 

A fotocatálise aplicada à geração de hidrogênio por meio da divisão da água utilizando luz solar tem se consolidado como uma rota promissora no contexto da transição energética e da busca por fontes sustentáveis de energia. Ao longo deste trabalho, evidenciou-se que, embora avanços significativos tenham sido alcançados nos últimos anos, especialmente no desenvolvimento de materiais fotocatalíticos mais eficientes e estáveis, a tecnologia ainda enfrenta desafios relevantes relacionados à eficiência energética, à durabilidade dos fotocatalisadores e à viabilidade de escalonamento para aplicações industriais. Nesse sentido, estudos recentes demonstram que abordagens fundamentadas na engenharia atômica e no controle das propriedades eletrônicas dos materiais podem resultar em melhorias substanciais no desempenho fotocatalítico, contribuindo para a superação de limitações historicamente associadas a essa tecnologia.

A importância estratégica da fotocatálise para a economia do hidrogênio reside, sobretudo, em sua capacidade de utilizar diretamente a energia solar para a produção de hidrogênio verde, eliminando etapas intermediárias e reduzindo a dependência de fontes externas de eletricidade. Essa característica confere à fotocatálise um potencial significativo para aplicações descentralizadas e integradas a diferentes contextos energéticos, além de reforçar seu papel como tecnologia complementar às rotas convencionais de produção de hidrogênio. O desenvolvimento de sistemas mais seguros, eficientes e baseados em materiais abundantes pode ampliar ainda mais a competitividade dessa abordagem no cenário energético global.

As perspectivas futuras para a fotocatálise indicam um cenário favorável, impulsionado pelos avanços contínuos na ciência dos materiais, na engenharia de superfícies e no design de sistemas fotocatalíticos. A incorporação de estratégias inovadoras, como o ajuste fino de diferenças de eletronegatividade entre sítios atômicos adjacentes, a otimização de heteroestruturas semicondutoras e o uso de ferramentas computacionais e inteligência artificial para o desenvolvimento racional de novos materiais, tende a acelerar o progresso da área. Além disso, o aprimoramento de reatores solares fotocatalíticos escalonáveis e a validação de desempenho sob condições reais de operação são etapas essenciais para a transição da tecnologia do ambiente laboratorial para aplicações práticas. Dessa forma, espera-se que, a médio e longo prazo, a fotocatálise desempenhe um papel relevante na consolidação de uma matriz energética mais limpa, sustentável e alinhada aos princípios da economia do hidrogênio.

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