Fermentação de precisão e biomassa na indústria de alimentos

Com a emergência do modelo globalizado, a abertura econômica e o gradual aumento da competitividade no mercado exigiu das empresas um forte senso de percepção e agilidade na resposta das novas demandas do consumidor. Assim, a cobrança pela Responsabilidade Socioambiental tem impactado fortemente essas novas tendências de mercado, uma vez que as organizações precisam adotar estratégias que visem galgar valores éticos e transparentes em relação à preservação dos recursos naturais.

Para a indústria alimentícia, em particular, as projeções de crescimento populacional e aumento do padrão de consumo de alimentos elevam ainda mais a importância dessas soluções socioambientais na produção de comidas e bebidas para todos. Ademais, as relações com a cadeia de valor, desde agricultores até os consumidores, tornam essa indústria uma peça fundamental do desenvolvimento sustentável. Nesta perspectiva, técnicas de bioengenharia, como a fermentação de precisão e biomassa, podem auxiliar o segmento alimentício a mitigar as emissões de gases estufas e gastos de água exagerados.

  • Fermentação de precisão

A fermentação é uma prática ancestral. É o processo que transforma a uva em vinho e faz o pão crescer. Nesse sentido, compreende-se que a fermentação de precisão é uma tecnologia mais cuidadosamente planejada. Segundo a Food Business News, a fermentação de precisão utiliza técnicas de bioengenharia, programando os microrganismos com um código genético específico para que produzam um composto desejado em condições controladas. O resultado é um ingrediente molecularmente idêntico, produzido por microrganismos

Embora essa tecnologia exista há mais de 30 anos, só recentemente seu potencial para a produção sustentável de alimentos e ingredientes alimentares começou a ser reconhecido. Atualmente, é utilizada para produzir diversos ingredientes alimentares, como sabores naturais, coalho, vitaminas e estévia. O adoçante de estévia, por exemplo, pode ser produzido sem sua folha, gerando  uma pegada ecológica 60% menor, 70% menos uso da terra e uma pegada de carbono 60% menor, em comparação com o método comum. Além disso, há um benefício financeiro, uma vez que a folha possui níveis do extrato de interesse baixos  (menos de 1%) tornando, assim, não economicamente e comercialmente viável produzir um sabor doce usando uma abordagem agronômica tradicional.

  • Fermentação de biomassa

Já a fermentação de biomassa, é um processo no qual microrganismos vivos são adicionados a um substrato nutritivo natural ou a um meio de cultura formulado. O objetivo é promover a multiplicação das células microbianas e, em seguida, utilizar o próprio microrganismo (ou seja, a biomassa celular) como fonte de proteínas. Conforme abordado na bright green partners, de todas as tecnologias alternativas de proteínas, ela é a que oferece  uma das melhores oportunidades para produzir proteínas em escala com pouco ou nenhum processamento necessário para desenvolver um produto acabado. Os três organismos principais  de fermentação para produção de biomassa são: fungos, bactérias e algas.

O processo fermentativo de biomassa de fungos pode gerar proteínas fúngicas, como a micoproteína, derivada do fungo filamentoso Fusarium venenatum, usada como base para hambúrgueres vegetarianos e outros produtos. Esse método utiliza menos terra e água em comparação com a produção tradicional de carne. Além disso, a produção de biomassa de bactérias lácteas, como Lactobacillus e Bifidobacterium, empregadas na fabricação de iogurtes, queijos e outros produtos lácteos, contribui para a mitigar a produção de gás carbônicos das áreas agrícolas.

Por fim, as algas, como a espirulina, podem ser cultivadas por fermentação e usadas como suplemento alimentar ou ingrediente em produtos como barras de proteína e shakes, pois possuem altos níveis de proteína, vitaminas e minerais. Elas oferecem benefícios ambientais significativos, uma vez que o cultivo de algas não requer grandes áreas de terra ou grandes volumes de água, e essas espécies absorvem dióxido de carbono durante o crescimento, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

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Referências:

https://www.foodbusinessnews.net/articles/25553-the-future-is-now-for-precision-fermentation

https://brightgreenpartners.com/biomass-fermentation/

Serie-Tecnologica-Fermentacao-e-processos-fermentativos-GFI-Brasil.pdf

 

Autor: Daniel Almeida.

Integrante da Prisma – Empresa Júnior de Engenharia Química da UFBA

Site institucional: https://prismaengenhariajr.com.br/

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