FILMES PLÁSTICOS COMESTÍVEIS – DESCOBERTA DE PESQUISADORES BRASILEIROS

Você já imaginou colocar uma pizza no forno sem ter necessidade de retirar a embalagem plástica? Pois é, pesquisadores da Embrapa descobriram como fazer um material que permita isso. A película envolta da pizza é composta por tomate, e, ao ser aquecida, se incorpora à pizza, tornando-se assim, parte da refeição.

Essa técnica permite fabricar películas comestíveis de alimentos como espinafre, mamão, goiaba, tomate e pode utilizar em muitos outros produtos como matéria-prima.

“Podemos utilizar rejeitos da indústria alimentícia para fabricar o material, isso garante duas características de sustentabilidade: o aproveitamento de rejeitos de alimentos e a substituição de uma embalagem sintética que seria descartada”, afirmou o chefe-geral da Embrapa Instrumentação e pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/02/pesquisa-da-embrapa-de-sao-carlos-cria-peliculas-plasticas-comestiveis.html

As características físicas desse novo material como a textura e resistência, são semelhantes a dos plásticos convencionais, todavia, sua vantagem refere-se a possibilidade do mesmo ser ingerido juntamente ao alimento, e ainda de acordo com os pesquisadores da Embrapa, esta película irá aumentar a durabilidade dos produtos.

A matéria-prima do plástico comestível é basicamente alimento desidratado, misturado a um nanomaterial que tem a função de dar liga ao conjunto. “O maior desafio dessa pesquisa foi encontrar a formulação ideal, a receita de ingredientes e proporções para que o material tivesse as características de que precisávamos”, conta o engenheiro de materiais José Manoel Marconcini.

Fonte: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0268005X1400143X

Esse processo de transformação é chamado de liofilização e, trata-se de um tipo de desidratação na qual, após o congelamento do alimento, toda a água contida nele se transforma do estado sólido diretamente ao gasoso, sem passar pela fase líquida, mantendo por sua vez, as propriedades nutritivas.

“A ideia era criar uma embalagem usando matéria-prima renovável para diminuir a dependência do plástico derivado do petróleo, que não é renovável”, explica o doutorando Marcos Vinicius Lorevice, que também participa do projeto.

A técnica pode ser aplicada aos mais diferentes alimentos como frutas, verduras, legumes e até alguns tipos de temperos.

Nesse sentido, acredita-se que o plástico comestível contribuirá diretamente para a redução do desperdício de alimentos, uma vez que as frutas que não são comercializadas por apresentar aspecto visual estranho, mas estão em condições de uso, poderão ser aplicados na fabricação desse plástico. Além disso, uma alternativa para utilização desse material caso se deseje descartar, é a compostagem, para obtenção de adubo. Outro ganho significativo, será a redução na quantidade de plásticos presentes nos resíduos sólidos urbanos, que muitas vezes são dispostos incorretamente.

Referências:

“Cientistas criam filmes comestíveis para embalagens”, https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/2411923/cientistas-criam-filmes-comestiveis-para-embalagens (2015).

“Embrapa cria embalagem comestível a partir de frutas e hortaliças”, http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/2015-05-06/embrapa-cria-embalagem-comestivel-a-partir-de-frutas-e-hortalicas.html (2015).

OTONI, C. G. et al., “Antimicrobial and physical-mechanical properties of pectin/papaya puree/cinnamaldehyde nanoemulsion edible composite films”, Food hydrocolloids, Brasil, Dezembro, 41. 1, pp.188-194 (2014).

“Pesquisa da Embrapa de São Carlos cria películas plásticas comestíveis”, http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/02/pesquisa-da-embrapa-de-sao-carlos-cria-peliculas-plasticas-comestiveis.html (2015).

Publicado por Wallas Souza.