Plástico biodegradável x plástico verde

imagem 1(Texto enviado pelo Trainee BetaEQ Roberta Hernandez Núñez)

Vantagens e desvantagens das inovações e tecnologias desenvolvidas sobre polímeros.

Plástico verde

Você já deve ter ouvido falar dele e, muito provavelmente, teve uma boa impressão. Se o plástico é verde, presume-se que ele tem características benéficas ou menos nocivas ao meio ambiente. No entanto, será que é isso mesmo que acontece na prática?

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O plástico verde é produzido com matérias primas proveniente de fontes renováveis, porém não necessariamente biodegradáveis, ele foi criado com o intuito de diminuir os impactos causados pela indústria petroquímica na produção e comercialização do plástico.
Produção de polietileno tradicional proveniente do Petróleo

A brasileira Braskem, do grupo Odebrecht, foi a primeira empresa a desenvolver a tecnologia de produção de plástico com matéria-prima renovável. A produção do plástico verde ou polietileno verde é proveniente do etanol da cana-de-açúcar. A sua constituição é exatamente igual ao polietileno comum, com as mesmas propriedades, desempenho e versatilidade de aplicações. A única diferença é a matéria-prima utilizada na sua produção.

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Vantagens:
• Utilização de cana-de-açúcar em vez de petróleo, sendo um recurso renovável.
• Retirada de CO2 da atmosfera por meio da plantação de cana-de-açúcar. Cada tonelada de plástico verde produzido sequestra e fixa até 2,5 toneladas de CO2.
• Conceito de sustentabilidade, matéria-prima 100% renovável.
• Reutilizam a água no processo de desidratação do etanol.

Desvantagens:
• A tecnologia desenvolvida faz com que o polietileno “verde” fique, ao final do processo, com as mesmas características do polietileno convencional, e portanto, não é biodegradável.
• O tempo de decomposição do plástico verde é o mesmo do plástico comum.
• Há necessidade da produção de cana-de-açúcar em larga escala, o que pode comprometer a produção e custo de produção de outros alimentos.
• O custo da mesma quantidade de produto final do plástico “verde” é cerca de 40% maior que do plástico convencional

Há, algumas questões que o consumidor precisa inteirar-se sobre uma compreensão mais extensiva sobre o polímero verde.
O primeiro é que a produção de cana-de-açúcar para este fim implica em aumento da área de plantio e tem como consequências o aumento no consumo de água, uso de fertilizantes e outros insumos, alguns deles nada favoráveis ao meio ambiente.
Outra questão é a competição direta com a produção do etanol combustível à base de cana-de-açúcar. Enquanto os automóveis ao redor de todo o mundo forem movidos a combustíveis fósseis, a demanda por petróleo para seu fim menos nobre continuará e em seu refinamento sempre sobrará a fração nafta, destinada em grande medida à produção de plásticos. Assim, paradoxalmente, o efeito do plástico verde não evita, necessariamente, a redução da extração de petróleo e de seu uso na produção de plástico baseado em matérias primas não renováveis.
E por fim, cabe a reflexão quanto à utilização de áreas de cultivo para a produção de matérias-primas em detrimento de seu uso na produção de alimentos.
Plástico biodegradável

Já a origem do plástico biodegradável é natural, são aqueles que podem ser totalmente reabsorvidos pelo meio ambiente, sendo necessária uma estrutura química compatível com o processo de decomposição, Do mesmo modo que nós produzimos gordura para estocar as reservas de energia dentro do corpo, algumas bactérias produzem um composto, chamado PHB, com propriedades parecidas com as do plástico comum.

Os plásticos biodegradáveis decompõem-se em seus componentes mais simples pela atividade dos microorganismos sendo transformados em substancias mais simples tais como CO2, H2O, CH4, etc, ao entrar em contato com o solo, com a umidade, com o ar e com a luz solar, ao contrário do que ocorre com as resinas petroquímicas, que permanecem por muito tempo sem sofrer alterações.. É aproveitado na geração de energia e/ou na construção de biomassa.

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Além de toda a praticidade e diversidade de uso que proporciona o plástico agora pode ser ambientalmente correto. Sacolas de compras para supermercados, sacos de lixo, canetas, pratos, talheres, copos, cobertura para fraldas, vasos de plantas, garrafas e frascos em PET, além de muitos outros tipos de embalagens, podem ganhar características de degradabilidade, biodegradabilidade, compostabilidade e/ou hidrossolubilidade se produzidos a partir de aditivos inertes ou matérias primas de origem vegetal.

PRINCIPAIS BIOPOLÍMEROS PRODUZIDOS NO BRASIL

POLÍMERO DE AMIDO (PA)
Produzido com matérias-primas como o milho, a mandioca, a batata ou o trigo. O amido desses grãos e tubérculos é retirado e passa por um processo químico de desestabilização e rearranjo da cadeia de moléculas, formando um material “plástico”.

POLILACTATOS (PLA)
Produzido a partir do ácido láctico feito por bactérias.Um caldo “açucarado” de fontes como melaço, açúcar de beterraba ou soro de leite, recebe bactérias que fermentam o líquido e produzem ácido láctico, transformado em plástico por meio de processos químicos.

POLIHIDROXIALCANOATO (PHA)
Produzido por bactérias que se alimentam de cana-de- açúcar, milho e óleo vegetal. Num biorreator, sob determinadas condições químicas, as bactérias alimentadas fabricam polímeros, que ficam armazenados em suas células. São termoplásticos ou elastômeros, podem ser processados em equipamentos utilizados para plásticos convencionais; São insolúveis em água, possuem um alto grau de polimerização exibem propriedades piezoelétricas, são atóxicos e biocompatíveis (área médica). Aplicações, tais como: Utilização em sacolas, aparelhos de barbear descartáveis, fraldas, produtos higiênicos femininos, embalagens de cosméticos, frascos de xampu, entre outros.

A RES Brasil e uma empresa de representação, distribuição e licenciamento industrial sediada no município de Cajamar, Estado de São Paulo, ela fornece às fábricas de plásticos aditivos que, adicionados aos plásticos comuns, tornam o produto final naturalmente degradável. Portanto, a matéria prima é no mínimo 97% nacional no caso dos produtos aditivados. O aditivo representa no máximo apenas 3% do material, o que não prejudica as empresas locais.
Em outros casos, a empresa distribui a matéria prima de origem vegetal (biopolímeros) para a fabricação de artigos biodegradáveis, compostáveis. Outros produtos podem ser ainda solúveis em água. Dessa forma, são rapidamente absorvidos na natureza e m certos casos podem até servir de adubo e alimentação animal, eliminando o descarte em aterros sanitários (onde levam até 100 anos para se decompor) e deixando de poluir rios, lagos e oceanos.
Explicando de maneira simplificada a ação do aditivo, este reduz o tamanho e o peso das cadeias moleculares do plástico comum e fragiliza as ligações entre as moléculas de carbono e hidrogênio que formam o plástico, fazendo com que o material comece a se degradar sob condições comuns existentes no meio ambiente ao ser descartado para o lixo. Posteriormente à degradação, os pequenos fragmentos resultantes virão a ser mais facilmente digeridos pelas bactérias e fungos existentes na natureza.

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O tempo de decomposição, também pode ser regulado de acordo com a finalidade do produto. Essas propriedades não alteram nenhuma das características originais e desejáveis do plástico comum Porém, (por enquanto) custa de três a cinco vezes mais que o de petróleo – por isso, seu uso ainda é limitado a aplicações médicas e experimentais.

Vantagens:

• Biodegradáveis;
• Biocompatíveis (podem usados no corpo humano como próteses, implantes etc);
• Podem ser produzidos apartir de alguns efluentes industriais, principalmente das indústrias alimentícias;
• Questões Ambientais;
• Ampla faixa de aplicações e propriedades.
• Os custos de sua produção vêm diminuindo muito com o atual interesse no setor ambiental e de novas tecnologias disponíveis;
• Aplicações específicas no setor de biomateriais e nanotecnologia vêm elevando muito seu valor comercial.

Desvantagens:
• Por ser uma tecnologia em desenvolvimento e utilizada em pequena escala, os bioplásticos ainda tem um alto custo de produção.
• A aceitação e a demanda por plásticos biodegradáveis depende mais de fatores como consciência ambiental, legislação e vontade política do que de fatores econômicos, tendo em vista as vantagens/benefícios ecológicos e técnicos.
• A solução do uso de produtos biodegradáveis e compostáveis apresenta custos diretos superiores se comparados aos plásticos petroquímicos.
• Porém, a visão deve ser global, incluindo os custos indiretos como geração de lixo, poluição, entre outros impactos causados ao ambiente em que vivemos.

Sendo assim o Engenheiro Químico é um dos poucos profissionais capazes de diminuir o impacto ambiental de muitas indústrias, não só tratando os resíduos nas indústrias, mas também projetando processos e otimizando a operação a fim de minimizar a geração de efluentes e o consumo de componentes importantes ao ser humano, como a água.
O futuro das indústrias passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento das chamadas tecnologias limpas. Dentro deste escopo, uma série de ações onde o Engenheiro Químico tem papel importante tem sido desenvolvidas a fim de reduzir o impacto das indústrias sobre o meio ambiente. Alguns exemplos podem ser citados como o plástico verde, plásticos biodegradáveis, biocombustíveis, entre muitas ações.

http://www.enq.ufrgs.br/graduacao/o-que-e-engenharia-quimica/qual-o-futuro-da-engenharia-quimica
http://www.braskem.com/site.aspx/plasticoverde
http://www.ecycle.com.br/component/content/article/37/695-afinal-o-que-e-plastico-verde.html
http://viajeaqui.abril.com.br/materias/plastico-biodegradavel-verde-e-oxibiodegradavel-qual-a-diferenca
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/alternativa-limpa-etanol-brasileiro-materia-prima-veja-625434.shtml
FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. “Plástico verde”; Brasil Escola. Disponível em <http://www.brasilescola.com/quimica/plastico-verde.htm>. Acesso em 20 de setembro de 2015.

Autor: Roberta Hernandez Núñez (Universidade Federal do Rio Grande)
Assessor de conteúdo: Karine

Postado por: Julio Petrine