VISÃO DE UM ENGENHEIRO QUÍMICO SOBRE O MERCADO DE TRABALHO PARA RECÉM-FORMADOS

“Conselhos são sempre bem-vindos… Ainda mais quando o assunto é sua carreira profissional. Ouvir àqueles que já trilharam o mesmo caminho pode lhe abrir muitas portas e ser também uma fonte de motivação!”

Nos últimos anos, a mídia tem noticiado de forma recorrente, nos diferentes meios de comunicação, a grande escassez de engenheiros no mercado brasileiro, citando inclusive, estudos produzidos por fontes oficiais. Ao fazer uma busca simples em sites de emprego gratuitos e pagos não é difícil encontrar anúncios com vagas para engenheiros químicos em diferentes segmentos da indústria, tais como petróleo, polímeros, alimentos e entre outros, em todas as regiões do país.

Mas seria essa a verdadeira realidade enfrentada por engenheiros químicos recém-formados em busca do seu primeiro emprego? Para falar sobre esta questão o Beta EQ conversou com Eduardo da Rosa Silva, 23 anos, engenheiro químico recém-formado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e estudante de Mestrado em Engenharia Química na mesma instituição.

Eduardo atualmente desenvolve pesquisa na área de fluidodinâmica computacional, usada como ferramenta para a otimização da geometria de separadores sólido-líquido, com o objetivo da valoração de sedimentos marinhos provenientes de portos a fim de evitar seu futuro descarte no meio ambiente.

De acordo com o engenheiro, o mercado de trabalho atualmente possui dois cenários conflitantes: de um lado há um caminho profissional cada vez mais difícil de se inserir, onde apenas um diploma de graduação não é o suficiente, sendo necessárias especializações, idiomas e experiências internacionais. Porém, de outro lado, ele aponta que a maioria dos alunos que se formaram em engenharia química na sua época, foram efetivados em seus estágios ou então conseguiram algum emprego na área após a formatura, o que ele acredita que pode ter também alguma relação com a região onde se encontra. Eduardo ressalta ainda que é importante fazer estágio em uma empresa de grande porte, onde já exista o hábito de efetivar estagiários.

Quando questionado a respeito de qual são as maiores dificuldades enfrentadas por profissionais recém-formados ao tentar ingressar no mercado de trabalho Eduardo responde: “Creio que a maior dificuldade de uma pessoa que está entrando no mercado de trabalho é aprender a ter resiliência. Um bom profissional tem que estar preparado para se adaptar e readaptar nas mais diversas situações que uma empresa pode oferecer, saber ser um bom engenheiro com um vasto conhecimento teórico, mas também ser um ótimo líder e passar para os colaboradores o sentimento de equipe”.

O estudante de mestrado acredita que o mercado de trabalho para o engenheiro químico está se voltando cada vez mais para a gestão, por isso julga ser cada vez mais importante um bom relacionamento com as pessoas e a facilidade de trabalho em grupo.

Eduardo encerra a entrevista falando um pouco sobre o perfil necessário para profissionais que almejam seguir a carreira acadêmica, assim como ele: “Primeiramente a carreira acadêmica deve ser vista como um caminho que será trilhado por vontade do aluno e não por falta de opção na indústria. Tem que ser uma pessoa curiosa, gostar de estudar e descobrir novos caminhos em sua área de formação, ter a facilidade de falar em público e gostar do ambiente acadêmico (sala de aula e laboratório)”.

As possibilidades para quem opta pela carreira acadêmica são muitas: “É possível seguir carreira sendo professor e pesquisador de uma universidade, ser pesquisador em centros de pesquisas ou até mesmo trabalhar na indústria, sendo um profissional capacitado e especializado naquela área”.

O engenheiro deixa ainda uma mensagem para motivar os profissionais recém-formados da área: “Quem corre por gosto não cansa”. Pois quando gostamos daquilo que fazemos o difícil fica mais fácil e passamos a aproveitar o caminho e não só o destino final.

Agradecimentos:

Gostaria de agradecer ao Eduardo da Rosa Silva pela gentileza de conceder esta entrevista ao Beta EQ e a Natali Tajes Cardozo, vice-diretora de Gestão do Conhecimento no Beta EQ, pelo suporte para esta entrevista.

Autora do texto: Sumaia Hottes/UFRRJ
Assessora de conteúdo: Thaís Silva Teodoro