A água virou lama: O rompimento das barragens que devastou Mariana

Imagem1Nos últimos dias, as barragens do Fundão e de Santarém, que ficam no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana (cidade histórica mineira a 124 km de distância de Belo Horizonte), se romperam e causaram o que talvez seja a maior tragédia ambiental, ecológica, econômica, hídrica, já ocorrida no país; afetando não só o abastecimento de água de cidades vizinhas, mas toda a bacia, alterando o ecossistema da região para sempre. E as consequências serão sentidas por muitas décadas.

As barragens, que continham lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro, pertencem à mineradora Samarco, a qual produz pequenas bolas de minério de ferro usadas na produção de aço controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, opera em Minas Gerais e no Espírito Santo e é a 10ª maior exportadora do país. Após a tragédia, a empresa suspendeu as atividades de mineração na região.

Estima-se que o volume dessa lama tóxica extravasada seja de 62 milhões de metros cúbicos, o que poderia ser comparado a um tsunami do tamanho de um arranha-céu cúbico de 140 andares de uma só vez, ou até mesmo a 20 mil piscinas olímpicas. 1 metro cúbico de lama = 1000 litros de lama. Agora calcule: em litros quanto são 62 milhões de m³ de lama? Nós respondemos: o suficiente para devastar várias localidades e desabrigar mais de 600 famílias que viram suas casas afundarem sob a onda de lama, extinguir inúmeras espécies da fauna e flora local, além de incontáveis outros prejuízos irreversíveis, como a perda do Rio Doce – um dos maiores e mais importantes rios do Brasil -, que contaminado desde a sua nascente, se transformou num mar marrom, sem vida, com peixes mortos aflorando na superfície.

Análises laboratoriais de amostras da água do rio encomendadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu, no Espírito Santo, afirma que a lama despejada contém a presença de partículas de metais pesados como arsênio, chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e até mercúrio, mas a mineradora Samarco nega a informação. De toda forma, o IBAMA vai aplicar multa preliminar à empresa de R$ 250 milhões por uma série de infrações à legislação ambiental federal, como poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para a ocupação humana, causar interrupção do abastecimento público de água, lançar resíduos em desacordo com as exigências legais, provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade ao longo do rio Doce, colocando em risco a saúde humana.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

 

Autora: Paula Lavrador / UFRRJ

Assessora de Conteúdo: Laísa Zanon / UFRRJ