Entrevista com Isadora Rossi, presidente da EJJ – Empresa Junior de Joinville

A estudante Isadora Rossi fala sobre a experiência enriquecedora de participar de uma Empresa Júnior.

EJJ

Muito se fala sobre empresa júnior. Termo esse que pode não ser familiar a algumas pessoas, mas que vem ganhando muita força no Brasil. As empresas juniores são companhias formadas por alunos de ensino superior e visam, além do engrandecimento pessoal e profissional de seus integrantes, a realização de projetos de qualidade e a um baixo custo para empresas regionais. É um jeito vantajoso e inteligente de desenvolver e “plantar a sementinha” do empreendedorismo em uma determinada sociedade. Com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre esse mundo “Empresa Junior”, conversamos com a atual presidente Isadora Rossi, no cargo á um ano, dona de sábias propostas e ideias inovadoras que prometem aprimorar o funcionamento da empresa.

Beta EQ: Olá Isadora, primeiramente quero pedir que apresente-se aos leitores da Beta EQ.

I.R.: Chamo-me Isadora Rossi, tenho 21 anos. Atualmente, sou presidente da Empresa Júnior Joinville e graduanda de Engenharia Civil na Universidade do Estado de Santa Catarina.

Beta EQ: Quando você tomou conhecimento sobre o MEJ – Movimento Empresa Júnior e como foi sua entrada e desenvolvimento na empresa?

I.R.: No segundo semestre de 2013 entrei para Engenharia Civil como sugestão de um professor. Como caloura, durante as primeiras semanas de aula, um grupo veio expor seu projeto na aula de Introdução a Engenharia Civil. Na época eu não entendia ou sabia o que era MEJ, foi apresentada a ideia de “colocar na prática o conhecimento técnico aprendido em sala de aula” e “vivenciar o curso”. Com isso, me inscrevi no processo seletivo, pois tudo que eu mais queria era saber se estava, ou não, no curso certo. Porém, o MEJ é muito mais que isso. Participar desse movimento é fazer com que as universidades formem cada vez mais empreendedores e líderes capazes de transformar a realidade brasileira. Formar empresas melhores e mais competitivas, éticas, meritocráticas e realizadoras. Foi um longo caminho de internalização e compreensão do propósito do movimento. Meu primeiro grande contato foi em um FEJESC Weekend, durante o Confratrainee, após uma palestra do presidente da época – Bruno Magnus. Entrei na empresa, participei do Núcleo de Engenharia Civil, não conseguimos concluir nenhum projeto naquele semestre. Não me identifiquei com o curso. Contudo, estava apaixonada pela empresa e surgiu uma oportunidade de mudar a realidade da empresa. O número de projetos era sempre muito baixo na EJJ, por isso foi proposto o desafio de construir a Diretoria Comercial. Não estava preparada quando me candidatei, sentia um grande dever e também não havia mais ninguém interessado/preparado. Foi á decisão que mudou a trajetória da minha vida e o rumo da empresa. Estudei muito sobre gestão comercial durante aquele semestre, sendo a Diretoria reconhecida em Assembleia Geral pelos seus resultados a fazer parte da Diretoria Executiva. Nunca deixei de ir a eventos da FEJESC, isso foi essencial para a minha construção como empresária júnior. Quase um ano depois, muitos eventos, trabalho e contatos, vejo que não há experiência mais enriquecedora.

Beta EQ: Com quantos funcionários a empresa conta hoje e como eles são divididos?

I.R.: A empresa, atualmente, conta com 34 pessoas divididas em 12 áreas, sendo 65% da empresa responsável por projetos. Após análise nos problemas internos, notamos que nossa estrutura era um grande limitante do nosso crescimento. Por termos 12 áreas, nossos processos se tornavam burocráticos, obsoletos e muitas pessoas ficavam ociosas. Com a nova estrutura, passamos de 12 áreas para 6 – Presidência, Qualidade, Administrativo-Financeiro, Marketing, Gestão de Pessoas e Projetos. Dessa maneira melhoramos a comunicação interna, relacionamento entre as áreas e principalmente trabalhamos a interdisciplinaridade dos cinco cursos presentes na EJJ.

IdeiaBeta EQ: Em quê, exatamente, a renda arrecadada por vocês é revertida?

I.R.: Temos nossos gastos fixos como, por exemplo, contadora. Todo o lucro dos projetos é reinvestido em treinamentos como Oratória, Excel, MS Project e infraestrutura da empresa.

Beta EQ: Há quantos anos a EJJ atua em Joinville e que tipo de serviços vocês oferecem atualmente?

I.R.: Estamos desde 1996 atuando na região de Joinville.  Nosso portfólio consiste em sistemas personalizados, otimização de custos e processos, projetos mecânicos, projetos residenciais, planejamento estratégico, entre outros.

Beta EQ: Você disse que os serviços prestados, bem como todo o layout da empresa, estão em processo de mudança. Você acredita que esse seja o perfil de uma empresa júnior, aquela que está sempre em busca de inovação?

I.R.: No geral, a cada dois anos as empresas juniores alteram seu portfólio através de pesquisas de mercado. Nossa carta de serviços precisa estar em constante alteração e aperfeiçoamento devido às mudanças do mercado e estratégia da empresa. Acredito que as modificações ocorrem para nos adaptarmos á realidade, isso faz parte da experiência.

Beta EQ: Sabe-se da grande rede de contatos a qual se liga uma EJ, você acredita que esse contato com outras empresas juniores ajudou e/ou até mesmo inspirou você a querer mudar?

I.R.: Certamente. Cada pessoa dentro da rede tem uma vivência e experiência diferente, com práticas e culturas organizacionais diferentes. Isso ajuda muito na hora de empreender e fazer o movimento crescer.

Beta EQ: O que a EJJ trouxe e traz para você como profissional e como pessoa?

I.R.: Após esses dois anos e meio de empresa adquiri um grande conhecimento nos processos das mais diversas áreas, obtive visão sistêmica, visão estratégica, conhecimento em gestão e projetos. Contudo, o que mais agreguei nessa experiência foi networking.

Beta EQ: Vocês têm algum parceiro, ou alguém que os ajude nessa caminhada? Se sim, foi difícil estabelecer essa parceria?

I.R.: Contamos com o apoio de ex-membros e associações.

Beta EQ: Qual mensagem você deixaria para quem tem interesse em participar ou até mesmo em fundar uma EJ?

I.R.: “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos ganhar pelo medo de tentar.” Não deixe de participar dessa experiência tão enriquecedora. Converse com outros empresários juniores e não desista! Estamos sempre dispostos a ajudar.

 

Autora: Thaís Silva Teodoro/UNIVILLE

Assessora de conteúdo: Thaís Passos/FURG