Biomateriais: uma área em expansão na Engenharia Química

“A diversidade de aplicações dos biomateriais, assim como suas diferenças químicas, físicas, biológicas e morfológicas, faz da pesquisa nesta área do conhecimento um trabalho com características eminentemente interdisciplinares.”

Biomaterial é qualquer substância ou combinações de substâncias, sintética ou natural, que possa ser usada por um período de tempo, completa ou parcialmente como parte de um sistema que trate, aumente ou substitua qualquer tecido, órgão ou função do corpo. É uma área em rápido crescimento, cujo desenvolvimento requer uma competência multidisciplinar, envolvendo ciências básicas, engenharias e as áreas de saúde. Em virtude disso, cada vez mais encontra-se engenheiros químicos trabalhando em pesquisas nesse ramo.

celulasmedulaossea_peqA área de biomateriais abrange pesquisas em medicina regenerativa, odontologia, engenharia de tecidos, tintas, biocerâmicas, filmes e recobrimentos, modificações superficiais de materiais implantáveis, desenvolvimento de biopolímeros e biocompósitos, desenvolvimento de substratos para fixação de biomoléculas, biosensores, engenharia de tecidos, dentre outros.

Em todas as suas etapas de produção necessita-se de profissionais com variadas formações para que a análise possa ser feita de forma a abranger os vários aspectos requeridos, destacando-se o papel de químicos, farmacêuticos, engenheiros, físicos, biólogos, médicos e dentistas. Desta forma, pode-se seguramente afirmar que a abordagem para o desenvolvimento dos biomateriais é, por natureza, multidisciplinar e que prioriza a convergência de metas.

Enxerto SintéticoNo Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Federal do Pará (IFPA) criaram recentemente dois tipos de ossos sintéticos, que poderão ser usados em enxertos nas áreas de medicina e odontologia. Esses novos biomateriais são formados por polímeros e principalmente por nanopartículas minerais de hidroxiapatita (HA), um material preparado a partir de fosfato de cálcio que induz o crescimento do tecido ósseo e a revascularização da área de implante. Em outra linha de pesquisa, cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estudam as interações e integração entre os biomateriais artificiais e os tecidos vivos dos pacientes.

Além disso, destacam-se também os biomateriais à base de quitosana com aplicação médica e odontológica. A quitosana é um biopolímero hidrofílico obtido a partir da quitina, material existente principalmente nas carapaças de crustáceos, e que representa o segundo polissacarídeo mais abundante na natureza. É um produto natural, de baixo custo, renovável e biodegradável, de grande importância econômica e ambiental. Devido ás características biológicas de biocompatibilidade e biodegradabilidade foram encontradas diversas aplicações para este biomaterial.

Nas últimas décadas, o setor de biomateriais não só cresceu em número de produtos disponíveis e em desenvolvimento, mas também avançou economicamente de maneira significativa. Entretanto, apesar da grande disponibilidade atual de biomateriais, os desenvolvimentos nesta área são ainda uma necessidade, visto que boa parte dos dispositivos tecnologicamente mais avançados está restrita ao uso somente por uma pequena parcela da população mundial.

Autora: Thaís Passos (FURG)

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