Química forense (parte 1)

Técnicas sofisticadas como cromatografia, espectroscopia, espectometria de massa, calorimetria, papiloscopia e termogravimetria são capazes de identificar a substância utilizada em um envenenamento, as impressões digitais de envolvidos em crimes, manchas orgânicas, como sangue, esperma, fezes e vômito, manchas inorgânicas, como lama, tinta, ferrugem e pólvora, e analisar evidências como fios de cabelo, peças de vestuário, poeiras e cinzas em locais de crime.

capaA Química forense é responsável pelo apoio científico nas investigações de crimes inexplicados, aplicando dos conhecimentos da química e toxicologia no campo legal ou judicial. Empregando as provas materiais recolhidas no momento da perícia criminal diversas técnicas de análises químicas, bioquímicas e toxicológicas são utilizadas para ajudar a compreender a face sofisticada e complexa dos crimes, seja assassinatos, roubos e envenenamentos, seja adulterações de produtos e processos que estejam fora da lei.  Nessa semana iremos abordar diversos assuntos relacionados às ciências forenses; hoje trouxemos um “super resumo” com termos e dados que talvez você desconheça.

A solução de um crime, com a punição dos culpados, é a meta primordial da justiça. Ao desvendar as circunstâncias de um crime, os investigadores fazem um trabalho de grande importância: de um lado, protegem a população da ação de criminosos e de outro, impedem que inocentes sejam punidos injustamente.

HISTÓRIA

A investigação química de crimes é bastante antiga, sendo relatado que Democritus foi provavelmente o primeiro químico a relatar suas descobertas a um médico (Hippocrates). Na Roma antiga já existiam legislações que proibiam o uso de tóxicos em 82 A.C. A forma mais usual de cometer assassinatos ou suícidios era através do uso de substâncias tóxicas, como o arsênico ou através de venenos como os de escorpiões. Isso se deve ao fato de que qualquer substância ser perigosa, dependendo apenas da dose administrada. O primeiro julgamento legal a utilizar evidências químicas como provas ocorreu apenas em 1752, o caso Blandy.

CSI

Diferentes das séries de TV, em investigações de crimes, na vida real, o foco principal do profissional forense é confirmar a autoria ou descartar o envolvimento do(s) suspeito(s). A química forense engloba análises orgânicas e inorgânicas, toxicologia, investigações sobre incêndios criminosos e sorologia, e suas conclusões servem para embasar decisões judiciais.

LOCAL DO CRIME

É a porção do espaço compreendida em um raio que, tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se estenda de modo a abranger todos os lugares em que hajam sido praticadas pelo criminoso, os atos materiais preliminares ou posteriores à consumação do delito e com ele diretamente relacionados

Provas no local: as principais provas que podem ser encontradas no local são: manchas, impressões e marcas, armas (brancas ou de fogo), instrumentos, peças de vestuários, pelos, cabelos documentos, venenos, pós, poeiras e cinzas.

TÉCNICAS PARA REVELAÇÃO DE DIGITAIS

A técnica do pó está baseada nas características físicas e químicas do pó.

A interação entre os compostos da impressão e o pó é de caráter elétrico, tipicamente forças de van der Waals e ligações de hidrogênio.

Você sabia que a probabilidade da ocorrência de duas impressões digitais idênticas é de 1 em 64 bilhões? Você nem tinha nascido ainda quando o Brasil adotou a impressão digital como método de identificação de indivíduos, em 1903.

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MANCHAS DE SANGUE (LUMINOL)3

Este é clássico nos seriados de investigação científica e também na vida real. O 5-amino-2,3-di-hidro-1,4-ftalazinadiona, mais conhecido por luminol, é um composto que, sob determinadas condições, pode fazer parte de uma reação quimiluminescente.

4BALÍSTICA

 A força com que este é projetado para fora do cano depende da combustão da pólvora. Esta gera gases, os quais, com a elevação da temperatura interna (podendo chegar aos 2500°C) aumentam o volume e a pressão no interior da arma, fazendo com que o projétil seja ‘empurrado’, violentamente.

FOTOGRAFIAS

Os peritos tiram fotografias de tudo antes de mexer ou mover uma única parte da prova. O médico legista não irá tocar no cadáver antes do perito terminar de fotografá-lo. Há três tipos de fotografias que um perito tira para documentar a cena do crime: visão geral, média distância e close-ups.

DOCUMENTOS

O perito coleta e guarda diários, agendas de compromisso, agendas de telefones ou bilhetes de suicídio encontrados na cena do crime. Ele também entrega ao laboratório contratos assinados, recibos, uma carta rasgada encontrada no lixo ou qualquer outra evidência escrita, digitada ou fotocopiada que possa estar relacionada ao crime. Um laboratório especializado em documentos geralmente pode reconstruir um documento inutilizado, até mesmo um documento queimado, bem como determinar se o documento foi alterado ou não. Os técnicos analisam os documentos em busca de falsificações, fazem fotos de comparação da caligrafia da vítima e de suspeitos e identificam o tipo de máquina usada para produzir o documento. Eles podem utilizar uma impressora ou fotocopiadora encontrada no local para determinar a compatibilidade ou incompatibilidade de uma prova encontrada relacionada ao suspeito.

ENVENENAMENTO

Medicamentos, plantas, produtos químicos e substâncias corrosivas são os principais causadores de envenenamentos ou intoxicação, especificamente em crianças.

Os sinais e sintomas mais comuns são queimaduras nos lábios e na boca, hálito com cheiro da substância ingerida, vômitos, alteração da pulsação, perda de consciência, convulsões e, eventualmente, parada cárdio-respiratória.

 -Mineral (arsênico ou mercúrio);

 -Vegetal (a cicuta ou algumas plantas venenosas; as plantas medicinais, como a Atropa belladona, contêm substâncias tóxicas que são venenos em determinadas quantidades);

 -Animal (peçonha de serpentes, abelhas;)

 -Artificial (muitas das substâncias sintetizadas pelo ser humano na indústria, como o ácido sulfúrico, ou o monóxido de carbono do escapamento dos automóveis)

O QUE FAZEM OS QUÍMICOS FORENSES

O químico forense trabalha dentro do laboratório, analisando amostras colhidas por outros investigadores, e também nos locais de crimes e ocorrências. Uma de suas tarefas principais é fazer análises especializadas para identificar materiais e conhecer a natureza de cada prova relacionada a um crime.

 Por lidar com grande variedade de provas e amostras, o químico forense deve ter conhecimentos sólidos de todas as áreas da química, principalmente de química orgânica e bioquímica, já que terá, com frequência, de analisar fluidos de origem biológica. Ele também precisa ter conhecimentos suficientes para decidir que tipo de análise será feita com o material disponível e quando é necessário buscar provas ou amostras adicionais. Por tudo isso, precisa manter-se permanentemente atualizado.

COMO SE TORNAR UM QUÍMICO FORENSE

O químico forense trabalha como perito para as polícias civis de todos os estados brasileiros e para a Polícia Federal. Sua formação nestes casos se dá em cursos de curta duração – entre 6 e 8 meses – oferecidos pelas academias de polícia, que incluem conteúdos de química forense e biologia forense.

Apesar de as investigações criminais serem o aspecto mais conhecido da química forense, ela não se limita a ocorrências policiais. O químico forense também pode dar seu parecer em decisões de natureza judicial, atuar em questões trabalhistas, como determinar se uma atividade é perigosa ou insalubre, detectar adulterações em combustíveis e bebidas, uso de drogas ilícitas, fazer perícias em alimentos e medicamentos e investigar o doping esportivo.

Durante esta semana iremos discutir, aqui na BetaEQ, vários temas relacionados a química forense.

Caso você se interesse pelo assunto e queira saber informações detalhadas, acesse: http://pessoas.hsw.uol.com.br/investigacoes-da-cena-do-crime1.htm Observe que no fim da página existe um “menu” com oito páginas de conteúdo. Este site fornece informações bem detalhadas, tratando desde análise de DNA à escutas telefônicas e casos de investigações no Brasil.

Referências bibliográficas:

Química forense. CRQ IV. Disponível em: <http://www.crq4.org.br/qv_forense>. Acesso em 20/03/16.

Química forense. Professor Kleber Bastos. Disponível em: <https://sites.google.com/site/kbjr12/quimica-forense>. Acesso em 20/03/16.

Na cena do crime. HSW/UOL. Disponível em: <http://pessoas.hsw.uol.com.br/investigacoes-da-cena-do-crime3.htm>.  Acesso em 20/03/16.

IMAGEM 1. Crime scene investigation. Disponível em: <http://www.eventurous.co.uk/wp-content/uploads/2014/02/IMG_0968.jpg>. Acesso em 20/03/16.

 

AUTOR: João Paulo Werdan (UFF)