QUÍMICA FORENSE – ANÁLISES

Desvendar crimes e interpretar o papel de mocinho em sua maneira mais nobre, utilizando a inteligência, mas… De que forma?

 

principal QFApresentando-se como uma área bastante curiosa e de extrema importância, as investigações forenses trabalham em pró da justiça, solucionando crimes através da aplicação de conhecimentos técnico-científicos na transformação de vestígios em provas. Diversos são os profissionais envolvidos em análises deste cunho. Engenheiros químicos, químicos, biólogos e especialistas em genética podem atuar nos mais diversos setores da investigação como toxicologia forense, microvestígios, genética forense e  claro a química forense.

             A exposição da química forense através de séries televisivas fez com que essa área fosse muito mais difundida e explorada. Área esta, que chama atenção justamente por ser uma ciência “aplicada”, onde os profissionais são vistos como detetives. Porém, trabalhar com química forense exige do profissional químico uma série de conhecimentos não só analíticos, mas também em áreas correlatas como a biologia, a física, a geologia e a criminalística dentre outras. Esse conhecimento multidisciplinar é necessário, uma vez que a perícia pode precisar ser realizada em ambientes externos, muito diferente dos laboratórios, de ambiente controlado.

            Dentre as técnicas mais utilizadas na química forense encontram-se a espectrometria de massas, a cromatografia e a colorimetria. A espectrometria de massas é indicada principalmente para a identificação de drogas ilícitas. Já a cromatografia, assim como a espectrometria de massas, é um método bastante sensível e eficaz e consiste em um método físico-químico de separação. Essas duas técnicas podem ainda ser combinadas para a obtenção de um resultado mais sensível, que exige um alto nível de confiabilidade, como é o caso, por exemplo, da detecção de vestígios de arsênio. Tal elemento era muito utilizado para o envenenamento de pessoas devido à ausência de características detectáveis e aos seus sintomas, semelhantes ao da cólera.

A colorimetria por sua vez, é uma técnica muito mais simples e rudimentar, porém, eficiente em muitos casos. Uma das vantagens da colorimetria é seu baixo custo e simplicidade de interpretação de resultados, podendo ser realizada até mesmo a campo, sem a necessidade de um laboratório. É considerada uma técnica analítica primária já que o teste pode identificar uma droga ou uma classe de drogas, onde mais de um composto pode resultar na mesma coloração. A maconha e a cocaína, por exemplo. são drogas que podem, mediante preparo de uma solução, ser identificadas por técnicas de colorimetria.

Saindo um pouco das técnicas analíticas mas ainda falando sobre a química por trás de análises forenses, aquele famoso azul fluorescente utilizado para a verificação de vestígios sanguíneos em uma determinada cena de crime, é o resultado de uma reação quimioluminescente como o luminol. Essa substância pode detectar vestígios de sangue até seis anos depois e com a sensibilidade de 1:1bilhão, ou seja, ele pode detectar uma partícula de sangue dentre 999 milhões de outras partículas. Essa capacidade atrela-se ao fato de que o luminol reage lentamente em presença de peróxidos, liberando energia luminosa. Porém, quando essa solução entra em contato com o sangue, ela utiliza o centro metálico dos grupos heme, presentes na hemoglobina, como catalisador e acelera a reação. De uma maniera mais técnica, o luminol reage com o oxigênio proveniente do peróxido de hidrogênio, gerando um peróxido orgânico muito instável que se decompõe em 3-aminoftálico, em estado excitado. Quando este volta ao normal, libera um fóton, cujo comprimento de onda corresponde a coloração azul.

Autora: Thaís Silva Teodoro (UNIVILLE)

 

Referências Bibliográficas

 

IGP – Instituto Geral de Perícias. Disponível em:<http://www.igp.sc.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=59:instituto-analise-forense-g-apresentacao&catid=39&Itemid=87>. Acesso em: 21/03/16

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