TINTAS, UM SETOR CONSOLIDADO NO BRASIL

“Segunda a Associação brasileira dos fabricantes de tintas (ABRAFATI), o setor é um dos

seis maiores mercados mundiais para tintas.”

Figura 1 – Pigmentos Fonte: AD e PG Tintas e Resinas

No Brasil, a primeira indústria de tinta foi fundada em meados de 1886 e se instalou na cidade de Blumenau. O grande avanço do século XX foi a produção e a comercialização das tintas solúveis em água que, inicialmente, eram constituídas de caseína e óleo, além de pigmentos, umectantes, emulsionantes e dispersantes. O início da comercialização das tintas látex ocorreu em 1950, sendo que as propriedades que as destacaram das tintas existentes na época foram fácil aplicação, durável, lavável e inodora. A partir da década de 50, com o desenvolvimento da indústria nacional, muitas resinas foram sintetizadas, surgindo tintas para as mais diversas aplicações.

Fabricam-se hoje no país tintas destinadas a todas as aplicações, com tecnologia de ponta e grau de competência técnica comparável à dos mais avançados centros mundiais de produção. Há centenas de fabricantes, de grande, médio e pequeno porte, espalhados por todo o país. Os dez maiores fabricantes respondem por 75% do total das vendas. Os grandes fornecedores mundiais de matérias-primas e insumos para tintas estão presentes no país, de modo direto ou através de seus representantes, juntamente com empresas nacionais, muitas delas detentoras de alta tecnologia.

cxxx

Figura 2 – Volume produzido 2015 Fonte: ABRAFATI/2016

A tinta é um material de acabamento com função decorativa e protetora ao garantir acabamento estético e impedir a penetração de agentes deletérios ao substrato como; água, umidade, poluição atmosférica, partículas do meio, etc.

Nos dias atuais, pode-se dizer que a tinta é composta basicamente por 4 elementos: pigmentos, resina, solvente e aditivos. Os pigmentos concedem o poder da cor, os ligantes aderem e dão liga aos pigmentos e os líquidos são capazes de dar consistência desejada. Já a variabilidade de aditivos são os maiores responsáveis por aperfeiçoar uma série de características e tipos específicos de tintas sejam eles à base de água ou solvente, que se encontra no mercado. (ABRAFATI, 2006)

kkkk

Figura 3 – Composição esquemática de tintas Fonte: Monografia de Andreza Cunha

PROCESSOS DE FABRICAÇÃO

TINTAS PARA REVESTIMENTOS – BASE SOLVENTE

A indústria de tintas é caracterizada pela produção em lotes, o que facilita o ajuste da cor e o acerto final das propriedades da tinta.

O processo de produção deste tipo de tinta, geralmente abrange as seguintes operações unitárias: pré-mistura, dispersão (moagem), completação, filtração e envase.

A determinação das quantidades dos insumos deve ser feita através de pesagem e medição volumétrica  com acuracidade adequada para tintas com as propriedades desejadas.

  • Pré-mistura – Os insumos são adicionados a um tanque (aberto ou fechado) provido de agitação adequado na ordem indicada na fórmula. O conteúdo é agitado durante um período de tempo pré-determinado a fim de se conseguir uma relativa homogenização.
  • Dispersão (moagem) – O produto pré-disperso é submetido à dispersão em moinhos adequados. Normalmente são utilizados moinhos horizontais ou verticais, dotados de diferentes meios de moagem: areia, zirconita. Esta operação é contínua, o que significa, que há transferência do produto de um tanque de pré-mistura para o tanque de completagem. Durante esta operação ocorre o desagregamento dos pigmentos e cargas e ao mesmo tempo há formação de uma dispersão maximizada e estabilizada desses sólidos.

Sem título

Figura 4 – Sistema de Moagem Fonte: Moinho Pirâmide

  • Completagem – Em um tanque provido com agitação são misturados de acordo com a fórmula, o produto de dispersão e os restantes componentes da tinta. Nesta fase são feitos os acertos finais para que a tinta apresente parâmetros e propriedades desejados, assim é feito o acerto da cor e da viscosidade, a correção do teor de sólidos.
  • Filtração – Após a completagem e aprovação, a tinta é filtrada e imediatamente após é envasada.
  • Envase – A tinta é envasada em embalagens pré-determinadas. O processo deve garantir a quantidade de tinta em cada embalagem.

Logo abaixo, o fluxograma de produção, descreve apenas uma das diversas formas de elaboração de tintas, onde cada tipo de especialidade tem suas particularidades para fabricação.

mm

Figura 5 – Fluxograma produção tinta base solvente Fonte: Google

O setor se subdivide em:

  • Tinta imobiliária: representa cerca de 80,3% do volume total e 63% do faturamento
  • Tinta automotiva (montadoras): 2,5% do volume e 5% do faturamento
  • Tinta para repintura automotiva: 4,5% do volume e 10% do faturamento
  • Tinta para indústria em geral (eletrodomésticos, móveis, autopeças, naval, aeronáutica, tintas de manutenção, etc.): 12,5% do volume e 21,8% do faturamento

Apesar de ser, em grande parte, um processo empírico, a produção de tintas e correlatos tem grandes perspectivas. Visto que o Brasil é um dos cinco maiores mercados mundiais, o crescimento da demanda por tintas é o mais propício.

⊗ Dica de vídeo!

Quem tiver interesse pelo assunto, a série de cinco vídeos, “Maravilhas Modernas – Tintas” do Discovery History, descreve os mais diversos tipos de tintas fabricados, estão disponíveis no YouTube.

Referências

ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas. Tintas e Vernizes. (Guia técnico ambiental tintas e vernizes série P+L). São Paulo: Governo do estado de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente, 2006.

ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas. Disponível em: <http://www.abrafati.com.br/>. Acesso em: 31/03/2016

Sun Chemical – Advanced Materials Products. Disponível em: <http://www.sunchemical.com/advanced-materials-products/>. Acesso em: 31/03/2016.

BRATIN – Tintas e Texturas. Disponível em: < http://www.ibratin.com.br//>. Acesso em: 31/03/2016.

Cunha, Andreza. O estudo da tinta/textura como revestimento externo em substrato de argamassa. Dissertação (Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Construção Civil da Escola de Engenharia UFMG) Belo Horizonte MG: Departamento de Engenharia de Materiais e Construções, Janeiro/2011

Assessora de conteúdo: Roberta Hernandez Núñez (FURG)