OTIMIZAÇÃO E SIMULAÇÃO DE PROCESSOS – NOÇÃO GERAL

A simulação de processos é uma ferramenta indispensável quando o assunto é o estudo e o planejamento de projetos, bem como o de processos já em operação, trazendo benefícios como a otimização destes de forma rápida e eficiente.

 

A essência da simulação consiste na elaboração de um modelo matemático que traduz, da maneira mais fiel possível, as etapas de um processo como um todo. A partir desse modelo, os profissionais responsáveis estão aptos a simular situações e verificar os resultados que as mesmas podem ou não gerar. A interpretação destes, bem como a escolha da melhor opção e aplicação desta “mudança” conferem o processo de otimização. De maneira não imediata, porém efetiva, a otimização vem como um resultado “a longo prazo” que, nos dias de hoje, pode ser considerado bem pequeno, visto o desenvolvimento tecnológico e a cobrança do atual mercado por respostas praticamente instantâneas.

A necessidade de “prever” e imaginar situações futuras acompanha o ser humano desde os primórdios e veio evoluindo da necessidade de se possuir modelos e de processos analíticos mentais (filosofia) para algo mais concreto denominado simulação. Com o surgimento dos computadores no início da década de 50, essa necessidade começou a ser suprida e em poucos anos deu um salto para o que conhecemos hoje, todas as linguagens de programação que nos possibilitam uma infinidade de combinações e a elaboração de programas complexos. A evolução da “simulação de processos” pode ser entendida mais detalhadamente na tabela abaixo:

                                      Tabela 1 – Histórico do uso da simulação computacional

Tabela 1

                                       Fonte: KELTON et al.(1998) retirado de GAVIRA (2003, p. 60)

Diversos são os tipos de simulação existentes e para que se possa entender melhor o funcionamento global deste sistema o conhecimento de suas “partes” se faz necessário. Segundo Moreira, citado por Nunes Brighenti (2006, p.13) sistema é a origem dos dados, modelo é um grupo de instruções para a geração de novos dados e o simulador é o dispositivo capaz de dar sequência às instruções do modelo. Esses constituintes da simulação seguem uma classificação que varia de acordo com a necessidade de cada processo. Agora que você já sabe o que representa cada parte deste sistema, o entendimento da Tabela 2, que apresenta a descrição das classificações, se faz possível.

Tabela2Tabela 2 – Classificação de sistema, modelo e simulação (PEREIRA, 2000) retirado de BRIGHENTI (2006, p. 15).

Para obter-se a eficiência máxima do uso de simuladores é necessário seguir alguns passos, para que de maneira organizada os resultados desejados sejam obtidos e seu processo otimizado. Esses passos podem variar de acordo com o projeto, porém, os procedimentos básicos são essencialmente os mesmos. São eles o plano de estudo, a definição do sistema, a construção do modelo, a condução do experimento, a análise dos resultados e a comunicação dos resultados.

No plano de estudos são estabelecidos os objetivos, as ferramentas a serem usadas, restrições e parâmetros como custo e tempo. A definição do sistema consiste na etapa de recolhimento de dados e na identificação do modelo conceitual na qual a simulação será baseada. Já a construção do modelo é constituída, dentre outras etapas, pela representação do sistema definido, pelo refinamento dos dados e pela validação do modelo. Com o resultado da simulação em mãos é possível obter uma resposta sobre a validade das mudanças hipotéticas implantadas em um sistema.

Durante a realização de um experimento, diversas variáveis precisam ser aferidas de acordo com as especificações desejadas para então serem medidas e correlacionadas, o que configura a etapa de condução do experimento. Os dois últimos passos, análise de resultados e comunicação dos mesmos, consistem em avaliar os resultados da simulação sempre estabelecendo questionamentos, a fim de contornar todas as possibilidades e finalmente reportá-los de maneira clara para que decisões possam ser tomadas.

Depois todos esses conceitos, você deve estar assustado, pensando na complexidade de todo o programa. E sim, esse tipo de software requer muito trabalho e estudo para ser desenvolvido e muitos cálculos estão por trás deste. Porém a utilização do mesmo se apresentará de maneira mais simples e vem, assim como tudo, evoluindo e se tornando cada vez mais acessível. Diversos são os softwares de simulação disponíveis no mercado, dentre eles podemos citar EMSO, ARENA, PROMODEL, AUTOMOD, STELLA, entre outros.

É fácil perceber a importância desses softwares para o planejamento e otimização de processos. Mas um critério vital que não pode deixar de ser analisado e, muitas vezes se apresenta difícil de ser calculado, tem relação com os benefícios financeiros da aplicação destes softwares. Apesar do retorno da utilização destes programas não ser imediato ele é sim efetivo e sem dúvidas, traz uma segurança a mais para a tomada de qualquer decisão. Para exemplificar, acompanhe a Figura 1, que apresenta a evolução dos custos com e sem simulação.

Imagem1Imagem 1 – Representação gráfica da evolução dos custos com e sem simulação (HARRELL et al., 2000) retirado de BRIGHENTI (2006, p. 10)

 

Nota: Em caso de interesse sobre a utilização de um software desta ordem, você pode encontrar informações detalhadas sobre o EMSO em nossa página: https://betaeq.com.br/index.php/2015/10/26/i-sseq-emso-um-software-para-modelagem-simulacao-e-otimizacao-de-processos/.

 

Referências Bibiográficas

 BRIGHENTI, José Renato Nunes. Simulação e Otimização de uma Linha de Manufatura em Fase de Projeto. Universidade Federal de Engenharia de Itajubá. Disponível em:<http://www.iepg.unifei.edu.br/arnaldo/download/dissertacoes/Renato%20Brighenti.pdf>. Acesso em: 03/02/16

GAVIRA, Muriel de Oliveira. Simulação Computacional como uma Ferramenta de Aquisição de Conhecimento. Universidade de São Paulo. Disponível em:<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18140/tde-20052003-004345/publico/Gavira1.pdf>. Acesso em: 02/04/2016

SECCHI, Argimiro R.. Modelagem e Simulação de Processos. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em:< http://www2.peq.coppe.ufrj.br/Pessoal/Professores/Arge/COQ790/Modelagem_Processos.pdf>. Acesso em: 03/04/16

Autora: Thaís Silva Teodoro (UNIVILLE)