REVESTIMENTO TÉRMICO INOVADOR PODE SUBSTITUIR O AR-CONDICIONADO

Pesquisadores da Austrália desenvolveram um material inovador, um revestimento que responde de forma distinta ao frio e calor, e que terá grande aplicação na produção de janelas e portas, gerando peças térmicas inteligentes. Com uma possibilidade de expansão para turbinar outros mecanismos, transformando casas e prédios mais inteligentes.

Detalhado na revista especializada Scientific Reports, o material foi feito com base no composto inorgânico dióxido de vanádio que apresenta como característica a resposta de forma distinta a temperatura e também a eletricidade. Tem cerca de 50×150 nanômetros. Quando exposto a uma temperatura de 67ºC, adquire função isolante, se tornando um material optoeletrônico versátil, ou seja, com multifuncionalidade. A tecnologia pode ser controlada pela luz, com as opções de se tornar um isolador ou um condutor de eletricidade.

O material é transparente ao olho humano, mas opaco para a radiação solar infravermelha, característica que permite que ele responda ao Sol. Uma das autoras do estudo, Madhu Bhaskaran, professora e  pesquisadora do Instituto Real de Tecnologia de Melbourn na Austrália conta que seria impossível usar dióxido de vanádio em superfícies de vários tamanhos porque a colocação do revestimento requer a criação de camadas especializadas. Para resolver o problema, ela e os colegas desenvolveram uma maneira de criar e depositar o revestimento ultrafino sem a necessidade de plataformas especiais, chamada de pulverização catódica, em que foram depositadas camadas muito finas do material. Isso faz com que o material possa ser aplicado diretamente em superfícies, como as janelas de vidro de casa e de carros.

Fonte: James Giggacher/RMIT University

Tal pesquisa trouxe resultados promissores. A equipe conseguiu aplicar o dióxido de vanádio em superfícies de vários tamanhos sem perder os efeitos desejados. “A principal vantagem é que essa técnica alterou propriedades do material, criando uma variedade de disparadores — temperatura ou eletricidade. Com isso, estamos possibilitando a fabricação de janelas inteligentes, que bloqueiam o calor durante o verão e retêm o calor quando o clima esfria”, explica a autora.

A incorporação de um mecanismo para controlar a quantidade de iluminação emitida pelo material também é desejada pelos pesquisadores. “Esse interruptor é semelhante a um dimmer (dispositivos usados para variar uma carga elétrica) e poderá ser usado para controlar o nível de transparência na janela. Isso significa que os usuários terão total liberdade para operar a janela inteligente sob demanda”, detalha Mohammad Taha, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Real de Tecnologia de Melbourn.

O professor de engenharia química e materiais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Francisco José Moura, avalia que a pesquisa é promissora, mas coloca em observação o fato de que o projeto precisa ser pensado sob um viés econômico. “Se você conseguir manter um preço baixo desse produto e fazer com que ele possa ser incorporado às janelas atuais, será mais interessante, pois impedirá o aumento dos custos”, sugere.

Madhu Bhaskaran ressalta ainda em relação ao custo de produção que é mínimo, como também ao impacto ambiental da tecnologia, explicando:  “As soluções para a nossa crise de energia não vêm apenas do uso de energias renováveis. Uma tecnologia mais inteligente, que elimine o desperdício de energia, é absolutamente vital”.

Fonte:http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/03/05/interna_ciencia_saude,663814/revestimento-termico-e-inteligente-pode-substituir-o-ar-condicionado.shtml

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