MICRÓBIOS QUE CONSOMEM ÓLEO SÃO CAPAZES DE LIMPAR VAZAMENTOS NO ÁRTICO?

Alguns micróbios utilizam hidrocarbonetos como fonte de energia, assim podem decompor o óleo em água e dióxido de carbono. No entanto, para que seja possível a alimentação dessas bactérias é necessário tornar o óleo em pequenas gotas, tornando-o “biodisponível”, isso pode ser feito por vários processos de intemperismo que alteram as propriedades químicas e físicas do óleo.

Um dos processos mais rápidos de intemperismo que pode diminuir as manchas de óleo é a evaporação de hidrocarbonetos voláteis. O espalhamento do derramamento também altera as propriedades do óleo, pois aumentará a área do derramamento, mas diminuirá a espessura da camada. O óleo pode ser disperso em gotículas menores através da ação das ondas ou da mistura da coluna de água, e os hidrocarbonetos solúveis em água serão dissolvidos.

Uma revisão feita por pesquisadores da Universidade Aarhus, na Dinamarca, mostrou que a biodegradação pode ser inibida em águas frias. Sabe-se que os micróbios ajudam a limpar os derramamentos de óleo em águas mais quentes, mas sabe-se menos sobre as capacidades de “autolimpeza” dos ecossistemas do Ártico.

Apenas 15 a 25% dos derramamentos de óleo marinho podem ser removidos com métodos mecânicos. O petróleo irá degradar naturalmente ao longo do tempo com a ajuda de certas bactérias, mas isso é altamente dependente das condições locais. A revisão identificou essas condições no Ártico. “Estamos agora apresentando uma primeira avaliação do potencial de degradação microbiana nas águas do mar da Groenlândia”, disse Leendert Vergeynst, do centro de pesquisa do Ártico, na Universidade de Aarhus.

Intemperismo do petróleo no Ártico

O fator mais óbvio que influencia o Ártico é a temperatura fria. Isso mudará as propriedades químicas do óleo e retardará a biodegradação. Como o óleo frio é mais viscoso, ele se espalha mais e não se dispersa facilmente em gotículas. Certos tipos de óleos com alto conteúdo de cera podem solidificar, o que inibe ainda mais a dispersão. A baixa temperatura também reduzirá a evaporação de hidrocarbonetos voláteis.

O gelo marinho inibe a evaporação e a falta de movimento devido à redução da atividade das ondas retardará o rompimento do óleo. Se o óleo ficar preso dentro do gelo, ele pode ser exposto a bolsas de salmoura. A alta salinidade reduz a solubilidade em água da maioria dos hidrocarbonetos, de modo que, quando a estação de fusão ocorre, o óleo altamente puro é liberado na superfície.

Os micróbios que consomem óleo precisam de nutrientes como nitrogênio e fósforo, mas são menos abundantes na água da Groenlândia. Além disso, há grandes florações de fitoplâncton na primavera e no verão que podem competir com bactérias por esses nutrientes, embora o nível de competição ainda não esteja claro.

Fonte: https://www.thechemicalengineer.com/news/can-oil-eating-microbes-clean-up-spills-in-the-arctic/

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