LODO DE ESGOTO É ÓTIMO COMPONENTE DE SUBSTRATOS PARA PLANTAS

Pesquisador da Embrapa Adilson Bamberg – Foto: Paulo Lanzetta

Lodo proveniente de estação de tratamento de esgoto pode se tornar matéria-prima de um substrato para plantas e de um condicionador de solo. É o que tem demonstrado uma pesquisa conduzida há três anos pela Embrapa em cooperação com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), do Rio Grande do Sul.

Em uma das avaliações realizadas, o lodo de esgoto foi higienizado e então utilizado como componente de substrato para mudas, e apresentou resultados de produtividade de fitomassa entre 10% e 20% superiores a alguns substratos comerciais utilizados como referência. Além de excelente para as plantas, a utilização do lodo dá uma destinação limpa a esse resíduo, contribuindo para a sustentabilidade ambiental.

Os resultados vêm de um trabalho-piloto realizado em solo gaúcho com lodos de quatro diferentes regiões do estado. Os cientistas alertam que esses resíduos não podem ser aplicados diretamente no solo ou substrato, sob risco de contaminação. A pesquisa desenvolve justamente formas de tratamento viáveis para esses lodos e avalia seu desempenho agrícola.

Destino correto ao resíduo de esgoto

A ideia surgiu da intenção de se dar um destino mais nobre aos resíduos sólidos gerados em estações de tratamento de esgoto da Corsan, chamados lodos de esgoto. Esses materiais vinham sendo destinados a aterros sanitários. Seguindo exemplos de experiências bem-sucedidas de uso agrícola de lodo de esgoto em outros estados, como Paraná, São Paulo e Distrito Federal, a Embrapa e a Corsan começaram o trabalho analisando as características regionais de cada lodo, por meio de procedimentos de caracterização e identificação de possíveis contaminantes orgânicos e inorgânicos.

Destino correto também ao resíduo do tratamento de água

Os lodos de estação de tratamento de água (Letas), quando descartados diretamente na natureza, causam impactos ambientais significativos. Os Letas são formados essencialmente por partículas muito pequenas de argilominerais e de matéria orgânica, a porção mais rica do solo, que ficam suspensas na água bruta e que chegam à estação de tratamento para remoção e tratamento. As etapas de floculação e decantação buscam separar esses sedimentos e ofertar água potável à população, mas geram grandes quantidades de lodo misturado ao agente floculante, podendo também conter nutrientes, o que lhe dá potencial para uso agrícola.

Essa argila com matéria orgânica pode também melhorar a capacidade de retenção de água em certos tipos de solos, especialmente aqueles muito arenosos, e também levar alguns macronutrientes como cálcio, magnésio e potássio. Essas características tornam os Letas interessantes para a agricultura em determinados tipos de solo.

Como os Letas ainda não possuem um marco legal para aplicação em solo agrícola, a pesquisa vem gerando informações que, futuramente, poderão subsidiar uma proposta de legislação específica que regulamente seu uso na agricultura.

Lodos devem ser tratados e corrigidos antes do uso

Os lodos de estação de tratamento de esgoto (Letes) são gerados a partir da biomassa microbiana que decanta durante o processo de tratamento do esgoto bruto, no qual os microrganismos decompositores e a própria matéria orgânica digerida do esgoto se acumulam no fundo dos tanques das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).

Esse lodo é rico em nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio, e contém ainda vários micronutrientes, mas oferece risco à saúde humana se não for desinfetado corretamente. Além dos processos conhecidos e normatizados pela legislação brasileira para a higienização de Letes, a pesquisa está avaliando o processo de carbonização para que ele seja melhor utilizado no meio agrícola.

O projeto-piloto começou com a coleta e caracterização física, química e biológica dos resíduos de Estações de Tratamento de Água (ETAs) nos municípios de Gravataí, Rio Grande e Santa Maria; e de ETEs em Passo Fundo, Rio Grande e Santa Maria. Segundo o pesquisador da Embrapa Adilson Luís Bamberg, após essa etapa, estão sendo conduzidas avaliações e identificações dos melhores processos de correção desses resíduos para seu uso seguro e eficiente na agricultura.

“Não é possível a utilização do material dos Letes direto ao solo de uma lavoura, é preciso fazer a higienização – por compostagem ou por carbonização – e no caso dos Letas, também trabalhamos ele somente após correção, pois se não for corrigido, libera alumínio, ferro e manganês em níveis que são tóxicos para a água e à maioria das plantas”, explica o pesquisador.

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