GASOLINA PRODUZIDA A PARTIR DE PNEUS DESCARTADOS

Os pesquisadores Flávio Ferreira, doutor em tecnologias energéticas nucleares pela UFPE, Renê Jorge, especialista em energia, e Cesar Dionisio, especialista em pirólise, reaproveitam pneus descartados, que levariam cerca de 600 anos para se decompor, transformando-os em gasolina.

Procedimento extrai gases capazes de serem utilizados como energia limpa. Foto: Shilton Araújo / Divulgação -

O projeto dos pesquisadores mostrou que é possível converter pneus velhos em combustível – e que funciona. A gasolina advinda do pneu descartado possui um índice de octanagem de 79,6, índice de resistência à detonação de combustíveis usados em motores no ciclo de Otto, como gasolina, álcool, GNV e GPL Auto. O índice da gasolina comum é de 80, mas este tipo de combustível não é puro. “A gasolina que produzimos é muito parecida com a comum. A diferença é que o combustível comercializado tem álcool na composição e a nossa, não”, explica Flávio.

Embora os nomes pareçam complicados, o processo em si é simples. Segundo Ferreira, os arames são retirados, os pneus são triturados e pirolisados no reator. Através do procedimento, são extraídos gases capazes de serem utilizados como energia limpa para o processamento. O sistema não é poluente, pois o mesmo é hermeticamente fechado e com ausência de oxigênio gasoso evitando, desse modo, uma possível explosão. O óleo resultante é, então destilado, e transformado em gasolina.

Gasolina do pneu tem índice de octanagem de 79,6. Foto: João Velozo / Divulgação -

Descarte

Além do combustível, pode-se obter óleo CBO, que pode ser aplicado em uma usina estacionária para converter vapor em energia. O negro de fumo, também extraído do processo, é muito empregado para pigmentação de tintas e matéria prima da indústria automobilística. “Todos os componentes podem ser aproveitados e comercializados”, conta o Professor Flávio.

Além fator econômico, o projeto auxilia o meio ambiente, já que reduz o acúmulo de pneus descartados em lixões ou queimados inconscientemente, responsáveis pela poluição do solo e do ar, além da proliferação de mosquitos Aedes aegypti.

Segundo o relatório pneumático divulgado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2016, a produção mundial de pneus chegou a 2,8 bilhões de unidades, dos quais aproximadamente 760 mil toneladas de pneus inservíveis foram produzidas no Brasil.

Hoje, a Resolução Conama nº 416/2009 estabelece que para cada pneu novo de reposição comercializado, as empresas fabricantes ou importadoras devem descartar adequadamente um pneu inservível. Conforme o Ibama, apenas 6,74% da reciclagem de pneus no país é feita no Nordeste.

 

Fonte: https://diariodepernambuco.vrum.com.br/app/noticia/noticias/2018/05/05/interna_noticias,52119/uma-alternativa-de-energia-limpa.shtml

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