A IMPORTÂNCIA DA ENGENHARIA QUÍMICA INDUSTRIAL NO DIA A DIA

A indústria química é a responsável pela fabricação de uma ampla lista de produtos e matérias-primas para variados setores industriais. Sabendo-se de tamanha abrangência do setor químico o maior questionamento é: “Há possibilidade de viver sem produtos químicos? ”. A resposta para essa pergunta é sim, mas a vida seria mais curta, menos saudável, menos agradável, menos prazerosa e mais arriscada.

MATÉRIAS-PRIMAS DO SETOR

Os reinos mineral, vegetal e animal são fontes de matérias-primas para a indústria química. O aproveitamento desses insumos vem se alterando historicamente, de acordo com o desenvolvimento tecnológico. Como diz Pedro Wongtschowski do Grupo Ultra:

“Os produtos químicos, presentes hoje em todos os segmentos da indústria de transformação, na agricultura e no consumo doméstico, são obtidos principalmente a partir de matérias-primas fósseis, mas insumos renováveis vêm sendo crescentemente utilizados em sua fabricação. Como a demanda de produtos químicos no Brasil tem sido cada vez mais atendida por importações, a indústria química brasileira – a sétima do mundo, em vendas, em 2009 – apresenta grande potencial de crescimento. ”

O crescimento da produção de petróleo estimulou a de gás natural, e o etano contido nesse gás tornou-se nas últimas décadas uma matéria-prima importante para a indústria petroquímica. Mais recentemente, as preocupações decorrentes dos ‘choques do petróleo’ (os aumentos súbitos dos preços internacionais, em 1973 e 1979/1980) e a crescente percepção dos problemas associados à emissão de gases que contribuem para o aquecimento global levaram a sociedade mundial a defender a adoção de critérios de sustentabilidade em todos os setores produtivos. Na indústria química, esses critérios incluem a substituição das matérias-primas convencionais por outras, renováveis, em especial aquelas obtidas do reino vegetal, como açúcar, óleos vegetais, álcool (etanol) e outros.

PRODUTOS E APLICAÇÕES

Os produtos da indústria química estão presentes – na forma de matérias-primas, de produtos de consumo ou de bens duráveis – direta ou indiretamente, em praticamente todas as atividades humanas. Amônia e ureia, obtidas a partir de gás natural, e ácido sulfúrico, ácido fosfórico e cloreto de potássio constituem a base da indústria de fertilizantes. Os petroquímicos básicos (hidrocarbonetos como eteno, propeno, benzeno, tolueno e xilenos) são utilizados na elaboração de produtos químicos intermediários (óxido de eteno, óxido de propeno, cloreto de vinila, estireno e ácido tereftálico) e finais (resinas termoplásticas, resinas termofixas, tensoativos, solventes). A página da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) na internet registra cerca de 1.500 produtos químicos produzidos em escala industrial.

A INDÚSTRIA QUÍMICA MUNDIAL 

Após quase um século de predominância da Europa, a indústria química migrou para outras regiões do mundo com o decorrer do tempo, por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial, a indústria química teve grande crescimento no Japão, que se tornou, nas três últimas décadas do século 20, o terceiro maior produtor mundial.

As vendas totais da indústria química mundial, em 2009, atingiram cerca de US$ 3,4 trilhões. Desse total, quase 37% correspondem a ‘produtos químicos básicos’, 30% a ‘produtos das ciências da vida’ (fármacos e agroquímicos), 23% a ‘especialidades’ (como tintas e cosméticos) e os restantes 10% a produtos de consumo. No mesmo ano, o Produto Interno Bruto mundial foi estimado em cerca de US$ 70 trilhões – assim, a indústria química global representa algo em torno de 4,8% do PIB mundial.

A INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA

O Brasil apresenta déficit comercial no setor químico: em 2009, as importações superaram as exportações em US$ 15,7 bilhões. Portanto, as oportunidades para o crescimento da indústria nacional existem. Seu aproveitamento, porém, dependerá do estabelecimento de mecanismos que restituam as condições de competitividade que o setor tinha no passado, entre eles estímulos ao desenvolvimento científico e tecnológico, incentivos à plena utilização dos recursos naturais do país e redução do chamado ‘custo Brasil’ – o conjunto de dificuldades (custos financeiros, impostos, burocracia, encargos trabalhistas e outros) que afeta a eficiência do setor produtivo no país.

O DESAFIO DA SUSTENTABILIDADE

A maioria dos produtos químicos é fabricada, hoje, a partir de matérias-primas fósseis, como carvão, petróleo e gás natural. No entanto, é crescente a demanda para que o setor utilize matérias-primas obtidas de fontes renováveis. Assim, açúcar, etanol e óleos vegetais vêm sendo cada vez mais usados como fonte de carbono para essa indústria. O Brasil participa dessa transformação: polímeros (polietileno e outros), solventes (alcoóis, acetatos etc.) e diversos intermediários químicos já são produzidos, no país, com matérias-primas naturais. O cenário econômico atual, de transformações, engloba tendências como globalização, concentração, especialização e descentralização geográfica. É nesse quadro que a indústria química mundial tem que enfrentar seus desafios tradicionais, como a competição crescente, a maturidade dos mercados, a necessidade de inovação e a redução continuada de sua rentabilidade. A todos esses aspectos somam-se as questões da sustentabilidade e do uso de matérias-primas de origem natural, tornando mais complexos os desafios da indústria química, mas também contribuindo para seu contínuo desenvolvimento.

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O autor do artigo é formado em engenharia química na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado na mesma área e na mesma instituição. Fez sua carreira no setor privado, desde 1972, e hoje é diretor presidente do Grupo Ultra, que atua na distribuição de combustíveis, na indústria química e em logística. A empresa química do grupo, a Oxiteno, recebeu vários prêmios de inovação tecnológica e investe 2% de sua receita anual em pesquisa e desenvolvimento, inclusive em parceria com universidades e centros de pesquisa.

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