CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DE BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR

Os materiais chamados de lignocelulósicos são materiais fibrosos, que formam matrizes complexas constituídas de celulose, um rígido polímero de glicose, hemiceluloses, pectinas e outras gomas. Esses tipos de materiais são os mais abundantes presentes na forma de biomassa de plantas como, por exemplo, o bagaço de cana-de-açúcar.

A maior parte dos países tropicais possui o bagaço de cana-de-açúcar como um dos principais materiais lignocelulósicos utilizados para bioconversão em etanol. Isso ocorre pois, o material apresenta uma alta concentração de carboidratos, baixo conteúdo relativo de lignina, fácil utilização e baixo custo de colheita, transporte e armazenagem.

O tipo de metodologia utilizada na determinação da composição química desses materiais é de extrema importância em estudos de valorização dos mesmos como, por exemplo, no desenvolvimento de processos para produção de etanol a partir da biomassa da cana-de-açúcar, uma vez que, envolve a otimização de forma integrada de diversas etapas: pré-tratamento, hidrólise e fermentação dos hidrolisados.

Para que possa ser avaliada a eficiência de diferentes processos disponíveis, torna-se fundamental uma caracterização da composição química da biomassa durante a sua conversão nas etapas envolvidas.

Um dos métodos disponíveis para caracterização química de lignocelulósicos é a hidrólise ácida com ácido sulfúrico. Nesse método, ocorre uma despolimerização do polissacarídeo, formando oligômeros e seus açúcares constituintes. No caso da hemicelulose, as maiores frações são de xilose, ácido acético e furfural. Já para a celulose, são formados glicose e hidroximetilfurfural (HMF) que, por sua vez, pode ser convertido a ácido fórmico.

Um artigo disponível no Química Nova realiza a validação da metodologia para a caracterização química de bagaço de cana-de-açúcar, quanto aos teores de celulose, hemicelulose e lignina. A metodologia analítica avaliada tem sido utilizada rotineiramente nos laboratórios do Departamento de Biotecnologia da Escola de Engenharia de Lorena (EEL/USP) para análises de gramíneas, tais como bagaço e palha de cana-de-açúcar.

No artigo a metodologia foi validada, através da análise de resultados de caracterização de uma mesma amostra de bagaço obtidos por 2 laboratórios: pelo Departamento de Biotecnologia da EEL e pelo Laboratório de Processos Biotecnológicos do Departamento de Antibióticos da UFPE, sendo ambos participantes da Rede Bioetanol, cujo objetivo é o desenvolvimento de um processo de produção de etanol a partir da biomassa da cana-de-açúcar.

Para ter acesso ao artigo completo com os resultados obtidos no uso do método citado, clique aqui.

 

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