USO DE GASES TÓXICOS NA GUERRA 

Os gases tóxicos figuram atualmente como os mais letais armamentos químicos e seu uso é expressamente proibido em guerras, haja vista que são armas de destruição em massa.

O uso de gases tóxicos na Primeira Guerra Mundial provocou um enorme impacto na forma de se conceber uma batalha, em virtude do tipo de lesões e de morte por eles provocados.

Os principais gases usados na Primeira Guerra foram o gás de cloro, o gás mostarda e o gás fosgênio.

Os gases eram disparados contra as trincheiras onde ficavam os soldados que se protegiam da artilharia inimiga. Ao longo da guerra, várias formas de lançá-los foram empregadas. A principal era a produção de nuvens gasosas a favor do vento que ia em direção às trincheiras inimigas.

Os ataques com nuvens tóxicas produziam efeitos diferentes de acordo com o tipo de gás empregado. O mais devastador era o do gás à base de iperita ou “gás mostarda.”

Tipos de armas:

Gás cloro (Cl2)
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, o cientista alemão Fritz Haber teve a idéia de usar gás cloro para obrigar as tropas inimigas a sair das trincheiras e aceitar o combate a céu aberto. Os alemães lançaram gás cloro no front perto da cidade belga de Ypres. Foi uma devastação — 5 mil soldados franceses desprevenidos foram mortos e outros 10 mil ficaram feridos.

Categoria: Asfixiante.

O que causa: O cloro pertence ao grupo dos gases sufocantes, que irritam e ressecam as vias respiratórias. Para aliviar a irritação, o organismo segrega líquido nos pulmões, provocando um edema. A vítima morre literalmente afogada.

Tratamento: Inalação de oxigênio úmido e intubação traqueal ou traqueostomia em pacientes com obstrução das vias aéreas ou hipoxemia grave.

Gás mostarda (Cl – CH2 – CH2 – S – CH2 – CH2 – Cl)

Tinha esse nome por causa do cheiro picante de mostarda que ele provocava. Além de asfixia e ressecamento das vias respiratórias, esse tipo de gás provocava também erupções na pele, cegueira instantânea e ruptura dos vasos sanguíneos, dando aos soldados uma aparência disforme e monstruosa.

Categoria: Agente vesicante.

O que causa: Provoca irritação nos olhos e feridas na pele e pode matar por asfixia se for inalado.

Tratamento: O tratamento com corticosteróides tem valor incerto, mesmo quando são aplicados por via intravenosa.

Soldado canadense com queimaduras de gás mostarda

Gás Fosgênio

As deficiências do gás de cloro foram superadas com a introdução do gás fosgênio, que foi elaborado por um grupo de químicos franceses liderados por Victor Grignard. Incolor e com um odor comparado a “feno mofado”, o gás fosgênio é difícil de detectar, tornando-se uma arma eficaz. Embora o fosgênio tenha sido usado às vezes por conta própria, foi mais utilizado misturado com um volume igual de cloro, que ajudava o fosgênio a espalhar-se de modo mais denso. O fosgênio é um agente mais mortal do que o cloro.

Categoria: Asfixiante.

O que causa: fortes dores de cabeça, tosse, irritação nos olhos com lacrimação e temporária dificuldade de visualização, queimaduras e corrosão nas membranas do sistema respiratório, matando por asfixia devido ao inchaço interno das vias respiratórias se inalado em grande quantidade.

Ele tinha uma potencial desvantagem na medida em que alguns dos sintomas de exposição levavam 24 horas ou mais para se manifestar. Isso significava que as vítimas eram inicialmente capazes de continuar a combater. A desvantagem inicial era compensada com um maior número de baixas após este período, uma vez que muitos não se protegiam com máscaras por não se sentirem ameaçados enquanto inalavam o gás sem perceber.

Agente laranja

Desfolhante usado na Guerra do Vietnã pelas tropas norte-americanas e sul-vietnamitas. Calcula-se que tenham sido lançados 45,6 milhões de litros do produto durante os anos 60, cobrindo dez por cento do território do Vietnã.

Categoria: Desfolhante

O que causa: Derruba as folhas das árvores, impedindo que os soldados se escondam na mata. Causa sérios danos ao meio ambiente.

Gás cianídrico (HCN)

O ácido cianídrico é um gás incolor que mata imediatamente se inalado numa concentração superior a 300 mg/m³ de ar. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi utilizado pelos nazistas para o extermínio de judeus em câmaras de gás.

Uma curiosidade: o cianeto de potássio, quando ingerido, reage com a acidez do estômago e gera gás cianídrico. Por isso, foi utilizado na Segunda Guerra Mundial como uma alternativa de suicídio rápido em situações de emergência. O líder nazista Goering, por exemplo, suicidou-se engolindo uma cápsula de cianeto pouco antes de ser levado ao enforcamento em Nuremberg.

Categoria: Agente do sangue

O que causa: Combina-se com a hemoglobina, bloqueando a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Provoca a morte rapidamente quando inalado.

Tratamento: A ação do gás cianídrico é muito rápida. O tratamento só é possível se a quantidade inalada não atingir a concentração fatal. O Na2S2O3 aplicado por via intravenosa reage com o cianeto, formando sulfocianeto, que é atóxico e eliminado pela urina. Outros produtos podem ser usados, como 4-dimetilaminofenol, piruvato de sódio e oxigenoterapia.

Napalm

O napalm foi largamente utilizado no Sudeste Asiático durante a Guerra do Vietnã. Mistura de gasolina com uma resina bastante espessa da palmeira que lhe deu o nome, o napalm, em combustão, gera temperaturas superiores a 1.000 ºC.

Categoria: Agente carbonizante

O que causa: O napalm em combustão adere à pele, queimando os músculos e fundindo os ossos. Além disso, libera monóxido de carbono, fazendo vítimas também por asfixia.

Sarin

O sarin é um composto organofosforado. Essa classe de compostos foi sintetizada pela primeira vez em 1936 pelo químico Gerhard Schrader, que tentava desenvolver pesticidas de uso agrícola. O caso mais recente de utilização de sarin foi um atentado terrorista ao metrô de Tóquio, no Japão, em 1995. A seita japonesa radical Verdade Suprema foi a responsável pelo atentado, que deixou doze mortos e 5 mil feridos. Outro composto organofosforado de efeito devastador é o tabun.

Categoria: Agente dos nervos

O que causa: Os compostos organofosforados agem sobre o sistema nervoso e inibem uma enzima que controla as contrações musculares, o que leva a um curto-circuito no sistema nervoso. A vítima morre por estrangulamento de órgãos vitais como o pulmão e o coração, causado pela contração descontrolada dos músculos.

A enfermeira inglesa Vera Mary Brittain descreveu o envenenamento por gás mostarda: “Eu gostaria que as pessoas que falam sobre ganhar esta guerra custe o que custar pudessem ver os soldados sofrendo de envenenamento por gás mostarda! Grandes bolhas cor de mostarda surgem ao longo do corpo e os olhos dos cegos ficam com as pálpebras pegajosas e presas juntas. Homens lutando para respirar, com as vozes de um mero sussurro, dizendo que suas gargantas estão fechando e eles vão engasgar e morrer sem ar”.

Proibição do uso de armas químicas

Como dissemos, atualmente, o uso de armas químicas, bem como de quaisquer tipos de armas de destruição em massa, é expressamente proibido por convenções internacionais, apoiadas pela ONU. Os principais motivos dessa proibição são, além da destruição em massa, o tipo de morte provocado, que vai desde a asfixia até a deformação completa do corpo, e o possível uso desse tipo de arma contra a população civil.

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