QUÍMICA FORENSE

O que é Química forense?

Química forense é a aplicação dos conhecimentos da química e toxicologia no campo legal ou judicial. Diversas técnicas de análises químicas, bioquímicas e toxicológicas são utilizadas para ajudar a compreender a face sofisticada e complexa dos crimes, seja assassinatos, roubos e envenenamentos, seja adulterações de produtos e processos que estejam fora da lei. Trata-se de um ramo singular das ciências químicas uma vez que sua prática e investigação científica devem conectar duas áreas distintas, a científica (química e biologia) e a humanística (sociologia, psicologia, direito).

A solução de um crime, com a punição dos culpados, é a meta primordial da justiça. Ao desvendar as circunstâncias de um crime, os investigadores fazem um trabalho de grande importância: de um lado, protegem a população da ação de criminosos e de outro, impedem que inocentes sejam punidos injustamente.

Técnicas sofisticadas como cromatografia, espectroscopia, espectrometria de massa, calorimetria, papiloscopia e termogravimetria são capazes de identificar a substância utilizada em um envenenamento, as impressões digitais de envolvidos em crimes, manchas orgânicas, como sangue, esperma, fezes e vômito, manchas inorgânicas, como lama, tinta, ferrugem e pólvora, e analisar evidências como fios de cabelo, peças de vestuário, poeiras e cinzas em locais de crime.

A química forense engloba análises orgânicas e inorgânicas, toxicologia, investigações sobre incêndios criminosos e serologia, e suas conclusões servem para embasar decisões judiciais.

Apesar de as investigações criminais serem o aspecto mais conhecido da química forense, ela não se limita a ocorrências policiais. O químico forense também pode dar seu parecer em decisões de natureza judicial, atuar em questões trabalhistas, como determinar se uma atividade é perigosa ou insalubre, detectar adulterações em combustíveis e bebidas, uso de drogas ilícitas, fazer perícias em alimentos e medicamentos e investigar o doping esportivo.

Quando começou?

A investigação química de crimes é muito antiga, sendo relatado que Democritus foi provavelmente o primeiro químico a relatar suas descobertas a um médico Hipócrates. Na Roma antiga já existiam legislações que proibiam o uso de tóxicos em 82 A. .C A forma mais usual de cometer assassinatos ou suicídios era através do uso de substâncias tóxicas, como o arsênico ou através de venenos como os de escorpiões. Isso se deve ao fato de que qualquer substância pode ser perigosa, dependendo apenas da dose administrada.

O primeiro julgamento legal a utilizar evidências químicas como provas ocorreu apenas em 1752, o caso Blandy.

O surgimento da química forense na modernidade deu-se a partir de um famoso crime, cometido em 1850, no Castelo de Bitremont na Bélgica. A vítima, Gustave Fougnies, era o cunhado do conde Hippolyte Visart de Bocarmé. Este, por sua vez, teria extraido óleo da planta do tabaco e, juntamente com a condesa, a irmã da vítima, teria obrigado Gustave Fougnies a ingerir a substância. A polícia que encontrara evidencias da preparação do veneno no laboratório do conde, precisava de provas concretas para constatar o envenenamento e solicitou assim, a ajuda do químico francês Jean Stas. Stas conseguiu desenvolver um método para detectar a nicotina nos tecidos do cadáver, o que levou a condenação do conde por assassinato, no ano seguinte, foi executado na guilhotina.

O que fazem os químicos forenses?

O químico forense trabalha dentro do laboratório, analisando amostras colhidas por outros investigadores, e também nos locais de crimes e ocorrências. Uma de suas tarefas principais é fazer análises especializadas para identificar materiais e conhecer a natureza de cada prova relacionada a um crime.

Por lidar com grande variedade de provas e amostras, o químico forense deve ter conhecimentos sólidos de todas as áreas da química, principalmente de química orgânica e bioquímica, já que terá, com frequência, de analisar fluidos de origem biológica. Ele também precisa ter conhecimentos suficientes para decidir que tipo de análise será feita com o material disponível e quando é necessário buscar provas ou amostras adicionais. Por tudo isso, precisa manter-se permanentemente atualizado.

O químico forense trabalha como perito para as polícias civis de todos os estados brasileiros e para a Polícia Federal. Sua formação nestes casos se dá em cursos de curta duração – entre 6 e 8 meses – oferecidos pelas academias de polícia, que incluem conteúdos de química forense e biologia forense.

Como a química pode ajudar a elucidar crimes?

Caso um: uma intoxicação fatal

Um homem vai a uma festa com os amigos e volta para casa mais cedo com uma garota de programa. Toma vários copos de bebida e adormece no sofá. Os amigos chegam repentinamente, encontram o homem adormecido e conversam com a mulher antes que ela vá embora. Vão para seus quartos e deixam o homem adormecido no sofá. Na manhã seguinte, o homem está morto.
O que teria acontecido? A necropsia não revelou a causa da morte. Suspeita-se que a garota de programa ou os amigos estejam envolvidos. Um exame toxicológico é pedido e revela que os níveis de álcool no sangue eram normais. Outra substância é detectada, um fármaco de efeito antidepressivo, mas também em quantidade segura. Um estudo mais detalhado, porém, revela que a interação entre o medicamento e o álcool é perigosa. Nos níveis encontradas, foi suficiente para que o homem morresse. A causa da morte, enfim, determinada.

Caso dois: presença de sangue em local de crime

O luminol é uma substância utilizada para se detectar rastros de sangue que não visíveis a olho nu. Reage com o ferro, do grupo heme da hemoglobina das células vermelhas do sangue (hemácias). Quando misturado com água oxigenada em um meio alcalino, o luminol é oxidado, produzindo quimiluminescência. Isso ocorre porque, oxidado, o luminol perde nitrogênio e oxigênio, formando o 3-amino-fitalato, uma substância não-estável que, quando perde energia, emite luz. A questão é que essa é uma reação lenta. Quando em contato com sangue, o ferro do grupo heme age como catalisador e a reação ocorre muito mais rapidamente. Borrifa-se solução de luminol, portanto, em áreas com suspeita de derramamento de sangue, emitindo luz quando isso tiver ocorrido.
Íons de ferro, cobalto, cobre e o hipoclorito de sódio (principal componente da água sanitária), porém, também reagem com o luminol. Isso produz falsos-positivo, ocorrendo a emissão de luz mesmo quando não há rastro de células sanguíneas na superfície testada. Por isso mesmo, outros testes são utilizados para confirmar o luminol, como análise em microscópio.

Outros casos
Um método eficiente e rápido de se encontrar resíduos de disparos de armas de fogo, como chumbo e bário, é a aplicação de uma solução de rodizonato de sódio no local onde há a presença de partículas de chumbo ou bário, o que resultará em uma coloração vermelha forte, indicando a presença dos metais.


Outra técnica famosa, a papiloscopia, consiste em utilizar uma substância, tal como a aninidrina, que reage com substâncias do suor e das secreções da pele, deixadas em objetos quando os tocamos. Dessa forma, a aninidrina revela a impressão digital, que poderá ser acessada para identificar o indivíduo que tocou em determinado objeto de uma cena de crime ou em uma arma.

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