ADA E. YONATH GANHADORA DO PRÊMIO NOBEL APÓS 40 ANOS SEM UMA REPRESENTANTE MULHER

Ada Yonath nasceu em 1939 em Jerusalém, fez seu doutorado em cristalografia de raios X em 1968 no Instituto Weizmann de Ciências, onde ainda trabalha. Em sua apresentação, ela explicou como funcionam os ribossomos, máquinas produtoras de proteínas dentro das células e de fundamental importância no controle metabólico. Hoje, fala-se muito do aumento da resistência das bactérias aos antibióticos existentes e é nesse aspecto que seu trabalho torna-se de fundamental importância. A interpretação exata e antes desconhecida da posição atômica dos ribossomos permitirá o avanço na criação de medicamentos mais eficientes ou na possibilidade de encontrar a sinergia adequada entre diferentes antibióticos.

Após mais de 40 anos em que uma mulher não recebia um prêmio Nobel de Química, a primeira a quebrar o jejum de décadas foi a professora Ada Yonath,  do Instituto Weizmann de Ciências. Também foi contemplada em 2008 com o Prêmio L’Oreal-UNESCO Para Mulheres na Ciência.

Ada completou sua graduação e mestrado em química, bioquímica e biofísica. Em seguida, dedicou seu doutorado e pós-doutorado a investigar a estrutura de proteínas, uma delas o colágeno. Concluído o pós-doutorado, ela retornou para o Instituto Weizmann, onde antes recebera seu título de Doutora, e estabeleceu o primeiro Laboratório de Cristalografia Biológica de Israel. A partir de então, mergulhou no objeto de estudo ao qual se dedica até hoje, o ribossomo.

Em colaboração com outros pesquisadores, Ada almejava obter a estrutura tridimensional do ribossomo e assim poder compreender melhor como ocorre o processo de síntese proteica, essencial à vida de todos os organismos. Para isso, a metodologia utilizada foi a cristalografia de raio X, onde foi preciso o desenvolvimento de técnicas específicas que para muitos membros da comunidade científica não seriam possíveis. Apesar do descrédito, Ada e seu grupo obtiveram o sucesso e, entre os anos de 2000 e 2001, publicaram pela primeira vez a estrutura tridimensional completa das duas subunidades do ribossomo bacteriano.

Uma vez que os principais antibióticos que são utilizados atuam na síntese proteica das bactérias, os 20 anos de pesquisa de Ada e colaboradores dedicados aos ribossomos também possibilitaram um maior entendimento da ação destes fármacos e trouxeram novas perspectivas para os estudos de alternativas contra patógenos resistentes, uma grande problemática que se necessita superar. Atualmente, a pesquisadora almeja olhar para o passado e investigar como a maquinaria de produção de proteínas surgiu e evoluiu, se mantendo tão conservada entre as espécies.

Em meados da década de 1980, foi visualizado um túnel abrangendo a grande subunidade ribossomal e assumimos, com base em trabalhos bioquímicos anteriores que esse é o caminho pelo qual a proteína nascente progride como está sendo formada,  até emergir do ribossomo. No curso foi desenvolvido uma série de novas técnicas que hoje são amplamente utilizadas em laboratórios de biologia estrutural em todo o mundo. Uma delas é a criocristalografia cristalina, que envolve a exposição do cristal a temperaturas extremamente baixas, por exemplo cerca de –185 ° C, para minimizar a desintegração da estrutura cristalina sob o bombardeamento por raios X.

Para ver as Estruturas dos Ribossomos Clique aqui.

Para ler a Biografia completa dela Clique aqui.

 

 

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