SIRIUS, O ACELERADOR DE PARTÍCULAS MAIS POTENTE DO MUNDO PERTENCE AO BRASIL

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), localizado em Campinas, São Paulo, prevê que, até novembro, o seu segundo acelerador de partículas, o Sirius, estará pronto para realizar os primeiros testes e que em 2019 ele deve estar em pleno funcionamento. O primeiro acelerador de partículas do LNLS, o UVX, já é uma tecnologia obsoleta e por isso será substituído por Sirius, que se tornará a fonte de luz síncrotron mais avançada de todo o mundo,até o momento.

Com o uso do UVX, sendo o pioneiro em todo o Hemisfério Sul na geração de luz síncrotron, pesquisadores foram capazes de identificar a estrutura tridimensional de uma proteína essencial na reprodução do Zika vírus, ajudando no combate da doença que é associada ao mau desenvolvimento de fetos humanos.

Mas a vida do antigo acelerador de partículas não foi sempre fácil. Na época em que a construção do UVX começou a ser discutida, ainda em 1985, havia muita resistência à ideia, até mesmo entre os físicos brasileiros, que acreditavam que o investimento seria um desperdício porque o Brasil não teria capacidade de levar adiante um projeto tão audacioso. Até mesmo a Sociedade Brasileira de Física (SBF) publicou um manifesto contrário à construção do UVX.

Sendo inaugurado em 1997, trouxe muitos avanços científicos para o Brasil, sobretudo na formação de mão de obra especializada. Um dos físicos responsáveis pelo desenvolvimento do UVX, o físico Cylon Gonçalves da Silva, explica que “a construção da máquina era mera desculpa para formar pessoas qualificadas para gerar tecnologia no país e capazes de produzir ciência na fronteira do conhecimento”.

“O Sirius está muito próximo do limite daquilo que a engenharia permite construir e será capaz de produzir ciência competitiva internacionalmente por, ao menos, uma década”, disse o diretor do LNLS, o físico Antônio José Roque da Silva.

LUZ SÍNCROTRON E ENERGIA 

A luz, ou radiação síncrotron, é um tipo de radiação eletromagnética de alto fluxo e alto brilho que se estende por uma faixa ampla do espectro eletromagnético, englobando aí não apenas toda a luz visível, mas também a luz infravermelha, a radiação ultravioleta e até mesmo os raios-X. A luz síncrotron é produzida quando a trajetória de partículas carregadas e aceleradas à velocidade da luz são desviadas por meio de campos magnéticos.

Ocorre o aquecimento de um filamento de tungstênio, liberando elétrons, que são acelerados por meio de cargas elétricas e então lançados em um booster por meio de magnetismo. No booster, uma estrutura circular, o feixe de elétrons alcança a velocidade final, que fica pouca coisa abaixo da velocidade da luz, e então é enviado ao anel de armazenamento, que é o principal acelerador e possui 500 metros de circunferência. É lá que os elétrons girarão rapidamente, liberando quantidades gigantescas de energia que poderá ser utilizada para pesquisas em todo tipo de área.

O prédio que recebe o Sirius possui área de 68 mil metros quadrados e, para proteger os estudiosos das radiações liberadas pelo funcionamento do Sirius, o conjunto será blindado por um quilômetro de paredes de concreto com 1,5 metro de espessura e três metros de altura.

CURIOSIDADE

Em 2009, a cientista israelense Ada Yonath foi laureada com o Prêmio Nobel da Química por coordenar experimentos que definiram a estrutura tridimensional dos ribossomos, organela das células animais, utilizando o European Synchrotron Radiation Facility (ESFR), acelerador de partículas que está em funcionamento na França. A resolução das imagens do Sirius é ainda mais potente que a do ESFR, e cerca de mil vezes superior à do seu parceiro aposentado, o UVX.

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