BEBIDAS E ENGENHARIA QUÍMICA: O GIN

O Gin é mais precisamente definido como um destilado retificado. Resulta da redestilação de bagos de zimbro, seguida de aromatização com vários tipos de ervas e plantas.

O Gin ficou imortalizado pelo famoso drink chamado Dry Martini.

A HISTÓRIA

Pouco conhecido no Brasil, o gin não passa de um irmão da vodca, só que com uma personalidade mais marcante. A produção é bem similar a da sua parente mais popular: cereais como trigo, cevada e milho são fermentados para chegar num mosto de baixo teor alcoólico que é destilado para chegar ao líquido neutro e com alta graduação de álcool (90%). Daí pra frente é que começa a diferença.

A Origem de Gin é retratada por volta do século XVII. Com a finalidade de desenvolver uma fórmula barata de diurético para o tratamento de doenças renais, na faculdade de Leyden, a 35km de Amsterdam, o médico e catedrático holandês Francisco De La Boe elaborou uma bebida a base zimbro.

Essa fruta foi escolhida por realmente possuir efeitos benéficos ao sistema renal. Porém não resultou em um medicamento eficaz, mas premiou o médico como o criador da bebida destilada aromática das mais conhecidas no mundo – o Gin De La Boe.

Aos holandeses é creditada a criação do Gin, porém foi os ingleses quem a popularizou. Durante as Guerras Holandesas, soldados do Exército Britânico, conheceram essa bebida aromática e acabaram levando para casa.

No início do século XVIII, com a ameaçada dos destilados holandeses e dos vinhos franceses, a Coroa Britânica começa a restringir as importações, passando a proteger a produção inglesa. Com essa medida, houve o aumento da produção do Gin Britânico tornando-o o mais famoso do mundo.

Passando a utilizar uma destilação contínua, os ingleses melhoraram a qualidade do Gin. A bebida era refinada a fim de se eliminar aromatizantes fortes e doces, tornando-a mais pura e neutra.

O consumo na Inglaterra cresceu de tal forma (11, 5 litros por ano – por habitante) que em 1736, o Parlamento Britânico, preocupados com os efeitos negativos que o alcoolismo gerava à economia do país, decretou o Gin Act. Ficaram estabelecidas severas restrições aos produtores e comerciantes de Gin, rigorosas punições aos contrabandistas e maior vigilância sobre o varejo.

O nome Gin é derivado da palavra francesa geniève e holandesa genever, que significa zimbro.

PROCESSO DE ELABORAÇÃO

Gin é um spirit branco elaborado a partir de bagas de zimbro (juniper), misturadas com algumas ervas botânicas e temperos aromáticos como milho, cevada, centeio, canela, cardamomo e coentro. A base do Gin é principalmente de grãos (normalmente trigo ou centeio) no qual resulta em spirit de corpo límpido.

A MATÉRIA PRIMA

O principal elemento na elaboração do Gin é o zimbro, uma fruta azul-esverdeado altamente aromatizado de um arbusto cultivado no norte da Itália, Croácia, Estados Unidos e Canadá. Os elementos adicionais botânicos mais usados são erva-doce, angélica, canela, casca de laranja, coentro e cardamomo. Cada produtor de Gin possui sua própria combinação de elementos botânicos em segredo, o que confere a cada marca um produto diferenciado.

O Geneve Gin é feito principalmente de “malt wine” (uma mistura de cevada maltada, trigo, milho e centeio) que produz um spirit encorpado semelhante ao malt whisky cru. Um número pequeno de Geneve Gin na Holanda e Bélgica é destilado diretamente das bagas do zimbro fermentadas, produzindo um spirit de aroma particular.

A DESTILAÇÃO DO GIN

Os gins do tipo London Dry da Inglaterra são os mais famosos no mundo. A destilação em modo contínuo resulta numa bebida leve e aromática que compões drinques como dry martini e gim tônica. Já na Holanda ele é mais encorpado por ser destilado em alambique do tipo pot consumido gelado e puro como aperitivo. Os alemães o chamam de steinhager e o consomem como um digestivo pós-refeição.

A maioria dos produtores de Gin destilam seus produtos em still de colunas. O spirit resultante é avaliado quanto ao corpo límpido, com a quantidade mínima de congêneres e agentes de condimentos. O Gin Genever é destilado em pot stills que resulta em um spirit de maior aroma.

Gins de combinações de baixa qualidade são feitos misturando o spirit básico simplesmente com o zimbro e extratos botânicos. Gins mais comuns no mercado são produzidos saturando bagas de zimbro e elementos botânicos em um spirit básico e depois redestilando a mistura.

Gins de alta qualidade são produzidos de uma única maneira. Depois de uma ou mais destilações o spirit básico é redestilado mais uma última vez. Durante esta destilação final o vapor do álcool flutua por uma câmara na qual as bagas de zimbro e botânicos secos são suspensos. O vapor extrai os elementos aromáticos, óleos das bagas e temperos e depois passa pela câmara para chegar ao condensador. O spirit aromático resultante tem um grau notável de complexidade.

O controle de qualidade é feito através de amostragens regulares para verificação do grau alcoólico e por meio de testes de olfato. É uma bebida que não necessita o envelhecimento e possui um grau alcoólico entre 40° e 47° GL.

A ORIGEM DO DRY MARTINI

Composto de Gin, vermute e azeitona, esse famoso drink, o Dry Martini, tem duas versões para a sua origem.

A primeira, datada de 1860, conta que o barman Jerry Thomas, de São Francisco, na Califórnia, para animar um cliente prestes a sair para uma viagem de 35km até o vilarejo de Martinez, teria misturado Gin e vermute. Apelidado de The Martinez, o coquetel logo se transformou em Dry Martini.

A segunda, conta que o barman Martini de Armatiggia, do Knickerboker Hotel, em Nova York, misturou Gin e vermute para agradar o bilionário John Rockfeller e cedeu seu primeiro nome ao coquetel – Dry Martini.

FAMA (INJUSTA) DE MAL
Apesar da sua graduação alcoólica ser compatível com outros destilados como vodca, tequila e pisco e mais baixa que de diversos runs, o gim tem fama de mal. “Esta percepção é por falta de conhecimento. A graduação alcoólica é justamente para manter os aromas das especiarias por mais tempo”, justifica Marques.

O especialista complementa ainda que é só uma questão de apresentar a bebida para as pessoas. “Vamos mostrar como deve ser consumida e despertar o paladar para o caminho sem retorno do mundo complexo e marcante do gin”. Ele aposta ainda que com o crescimento do turismo internacional entre os brasileiros ele vão acabar tendo mais contato com o gin lá fora, que está super em países da Europa e América do Norte.

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