JAMBU, A HORTALIÇA AMAZÔNICA QUE FAZ TREMER

O jambu (Acmella oleracea (L.) R.K. Jansen) é uma hortaliça nativa da região amazônica, mas atualmente cultivada em várias regiões do mundo e muito utilizada como condimento em pratos típicos da região Norte e na medicina popular. Atualmente tem despertado o interesse econômico por empresas nacionais e de outros países, na área de cosméticos, devido seu princípio ativo, o espilantol, constituinte químico que apresenta como característica a dormência e formigamento na boca (COSTA, 2014).

     

O jambu possui muitos sinônimos populares, como o agrião do Pará (PIMENTEL, 1985), agrião de Brasil, agrião do Norte, jambuaçu, abecedária (CARDOSO & GARCIA, 1997), planta louca, jamburana, erva maluca, botão de ouro e planta da dor de dente (COUTINHO et al., 2006). Seu uso em produtos tem se intensificado bastante e embora seu uso seja muito presente na região Norte, nos últimos anos a planta vem sendo cultivada também nas regiões Centro Oeste e Sudeste do Brasil. Em São Paulo ocorre a produção comercial da espécie (com sementes adquiridas de produtores do Estado do Pará) com fins destinados à indústria de cosméticos e restaurantes (CAVALCANTI, 2008).

O espilantol, substância abundantemente encontrada na espécie Acmella oleracea, possui um efeito anestésico e de formigamento sobre a língua, daí sua utilização nas afecções da boca e garganta e como tratamento para dores de dentes (BOONEN, 2010). O consumo da espécie no estado do Pará é bastante difundido, na culinária, as folhas são usadas como tempero compondo diversos pratos típicos, como: pato no tucupi, tacacá, vatapá, assim como sua utilização em novos pratos como o arroz com jambu (arroz paraense) e pizza paraense. Isso se deve as suas características peculiares o que lhe acresce alto valor no mercado, elevando a economia da culinária local. Assim como seu alto consumo no mercado de bebida que vem ganhando destaque comercial, sendo considerado a “bola da vez” (HOMA et al., 2011).

O consumo do jambu combinado com o tucupi nos pratos típicos da cultura paraense é frequente o ano todo, no entanto, em datas festivas como: festas juninas, e por ocasião das festividades do Círio de Nazaré em Belém, que é realizado em outubro, esse consumo aumenta, por conta dos muitos turistas que o evento atrai de todos os lugares, elevando sua produção e seu valor, beneficiando a mão – de – obra local desde do seu plantio até sua venda para o consumo.

Em levantamento realizado com feirantes regionais do Pará, foi registrado o consumo médio de 15 kg/dia de jambu. O maior produtor da região metropolitana de Belém produz cerca de 3.600 kg/mês (AMAZÔNIA HOJE, 2006), o que gera mão de obra local, haja visto que é consumido o ano todo.

Considerando sua importância econômica do princípio ativo do Jambu, Odiane Cunha, Licenciada em Química pela Unifesspa, realizou a análise quantitativa da concentração do espilantol presente em diferentes partes da planta (raiz, parte aérea e inflorescência), no decorrer do seu crescimento plantado tanto em bandejas como em canteiros. O método quantitativo aplicado nos extratos de A. Oleracea demonstrou que há variações na concentração de espilantol nas diferentes partes estudadas, onde é encontrado uma maior quantidade nas folhas do jambu. Ainda não há padrão puro do espilantol vendido comercialmente, para análises de alimentos, bebidas, cosméticos e demais finalidades onde atualmente esse composto vem sendo muito utilizado. Dessa forma, o procedimento estudado para o isolamento do espilantol pode contribuir para as análises do espilantol nesses materiais.

É muito difícil explicar a sensação que o Jambu causa ao ser ingerido. Diante das propriedades listadas e dos produtos que já aplicam as características dessa iguaria, é notório que ainda há muito mercado e muitas aplicações artesanais e industriais para essa hortaliça amazônica. Uma excelente alusão feita ao Jambu é feita pela Cachaça de Jambu Minha Garota: Coração de Paraense não bate, TREME!

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