INDISPENSABILIDADE DO TRATAMENTO DE EFLUENTES NA INDÚSTRIA DE CELULOSE

De acordo com a resolução Conama 430/2011, efluentes de qualquer fonte poluidora somente podem ser lançados diretamente no corpo receptor desde que obedeçam a uma série de condições e padrões, ou seja, é necessário um tratamento prévio ao descarte.

Um dos processos que mais exigem recursos naturais como a água, são os produtos fabricados da celulose e do papel, cuja média é na ordem de 15 a 270 m³ de água por tonelada produzida. A água é o principal material para dar liga nesse segmento, percebe-se isso ao analisar as etapas de produção. No início do processamento as toras são limpas com jatos de água visando a remoção de sólidos como terra, cascas e etc., na sequência durante a produção da polpa a mesma é enxaguada e elimina pequenos sólidos com fração orgânica biodegradável, soda cáustica e sulfito de sódio. Na última etapa tem-se o branqueamento, onde há liberação de matéria orgânica e uma grande fração de sólidos em suspensão. 

O efluente da Indústria de Papel e Celulose não é muito concentrado, porém é necessário efetuar o tratamento para adequação de pH, remoção de sólidos e redução da carga orgânica, visando o reaproveitamento da água pelo bem do meio ambiente. Esse tratamento de efluentes ocorre em algumas fases, assim como o processo de fabricação do papel.

Para correção do pH utiliza-se um tanque para equalização com mistura (mecânica ou aerada) equipamentos e bombas de dosagem de soluções ácidas e alcalinas associadas a sensores de pH instalados em campo ou em laboratório especifico da ETE (estação de tratamento de efluentes). Já a remoção de sólidos e matéria orgânica é efetuada por sistema biológicos aeróbios principalmente por lagoas aeradas ou lodos ativados, não sendo recomendo o uso de sistema anaeróbios, pois o efluente apresenta baixa carga orgânica e de difícil digestão, devido à presença de compostos como a lignina.

A lagoa aerada, consiste em geral em uma escavação no solo impermeabilizado através do uso de membranas, com sistema de aeração mecânica ou difusa. O tempo do efluente parado na lagoa varia de 5 a 7 dias e a taxa de aplicação de carga orgânica volumétrica é de 40 a 60 DBOg/m³ (demanda bioquímica de oxigênio). Após a lagoa aerada é necessária uma lagoa de decantação, para que a biomassa e parte dos sólidos sedimente para que o efluente possa sair clarificado. O sistema de lagoa apresenta o benefício de baixa geração de lodo em conjunto com reduzidos custos operacionais, porém requerem grandes espaços.

Já o sistema de lodo ativado possui um tanque de aeração com aeração superficial ou difusa assim como a lagoa aerada, porém o tempo do efluente parado é menor e pode variar de 8 a 24 horas, a carga orgânica volumétrica é maior e está compreendida na faixa de 1,0 a 3,0 kg DBO/m³. dia. Após o tanque de aeração existe o decantador final, que possui a mesma função da lagoa de sedimentação, porém o grande diferencial operacional do sistema de lodo ativado é o retorno da biomassa. A manobra de recirculação do lodo do fundo do decantador secundário para o tanque de aeração permite que as células permaneçam por mais tempo no sistema, 10 a 25 dias, desse modo a operação emprega mais biomassa e assim o tempo necessário para oxidação biológica da matéria orgânica será reduzido. Apesar da elevada eficiência e reduzido tamanho, o sistema de lodo ativado apresenta maior produção de lodo e consumo de energia se comparado com a lagoa aerada

A indústria de celulose é fundamental para a economia, gera empregos e dinheiro para os países. E após o tratamento do efluente esse torna–se novamente parte da natureza, para ser reutilizado conforme demanda da fábrica.

 Autoria de: Paula Schneid Alves 

Estudante de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) – RS

Fonte: Tratamento de efluentes de indústria de papel e celuloseTratamento de efluentes na indústria de papel e celulose;

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