TRATAMENTO DA ÁGUA RESIDUÁRIA DO CAFÉ (ARC)

Os grãos de café são produzidos e exportados por mais de 50 países, no entanto, a maior parte dos consumidores está em países industrializados como os EUA, União Europeia e Japão.

O grão de café é o segundo produto mais comercializado no mundo, sendo de vital importância para o balanço comercial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. É uma das bebidas mais difundidas no mundo, proporcionando aos países produtores uma renda média de oito bilhões de dólares/ano.

Grãos de café

Segundo o COFFEA, no Brasil, a principal região cafeeira abrange os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Paraná, com mais de 90% da produção nacional. Historicamente, o café produzido no Brasil é destinado às exportações e ao consumo interno.

Uma das opções na colheita do café é colher o conjunto de frutos produzidos pela planta em diferentes estágios de maturação e separá-los em unidade de processamento, mediante limpeza, lavagem e descascamento. A título de processamento, pode-se dar duas formas: processamento por via seca e por via úmida.

Estágios de maturação do café

Via Seca

O processamento via úmida de secagem do café é bastante comum entre os produtores da América Central e África, alcançando boas cotações no mercado por proporcionarem, de modo geral, a produção de bebida suave.

Embora o Brasil seja conhecido como produtor de grãos de café obtidos por via seca (90% de sua produção total), é notório que há uma tendência dos produtores optarem por esse método, que agrega valor ao produto em função da qualidade obtida da bebida.

Entretanto, apesar do processamento via úmida oferecer inúmeras vantagens, gera grandes volumes de águas residuárias ricas em materiais orgânicos altamente poluente para o meio ambiente e a saúde humana, necessitando de tratamento prévio para o despejo em cursos d’água. As condições e padrões para o lançamento são descritas na Resolução nº 430 do CONAMA.

Água residuária do café

Via Úmida

Consiste na utilização de água no processo de lavagem, separação e retirada da casca (exocarpo) e da mucilagem (mesocarpo), dando origem aos cafés descascados, despolpados e desmucilados. O despolpamento do café consiste na retirada da casca do fruto maduro por meio de um descascador mecânico e posterior fermentação da mucilagem e lavagem dos grãos. Os cafés despolpados têm a vantagem de diminuir, consideravelmente, a área de terreiro (30%) e o tempo necessário para secagem (1/3 do processo via seca), além de proporcionarem, de modo geral, a produção de bebida suave.

Café despolpado

Reforçando, as ARC são ricas em compostos orgânicos e inorgânicos e poluentes que causam a degradação dos solos, dos cursos de água e a contaminação do ar atmosférico, pela emissão de gases como o metano, dióxido de carbono, gás sulfídrico e amônia, entre outros, como resultado das atividades bacterianas.

Dessa forma, é preciso desenvolver tecnologias para reduzir o gasto de água no processamento dos frutos de café e/ou métodos de remoção dos produtos orgânicos poluentes, a fim de não comprometer a sustentabilidade da produção do café descascado.

Patricia Rodrigues Gonring

Estudante de Engenharia química da Universidade Federal do Espírito Santo – Alegre, ES.

Fonte:

Cantareira 

Embrapa