INDÚSTRIA 4.0: O MITO DO DESEMPREGO

As Revoluções Industriais destacaram-se por introduzir cenários de produção jamais imaginados no passado. De forma que, na Primeira e na Segunda Revolução Industrial a produção em massa, linhas de montagem e tecnologias mecânicas eram conceitos tão distantes quanto hoje quando se fala em tecnologias de automação, que atribuem inteligência artificial às máquinas.

Em especial, na atualidade, destaca-se a Indústria 4.0, conhecida também como Quarta Revolução Industrial, como um conceito que representa toda a evolução das tecnologias de controle e automação dos processos de manufatura. Neste modelo de produção, há uma descentralização do controle dos processos, por meio da concentração do controle em cada dispositivo, devido ao desenvolvimento da tecnologia artificial.

Diante da dimensão da mudança proposta pela revolução industrial, vem os medos e mitos. Assim, o medo do desemprego tecnológico, causado pela substituição da mão de obra humana pelas inovações tecnológicas, é o principal ponto discutido na comunidade quando se fala em Indústria 4.0.

No entanto, este medo do desemprego assombra as sociedades desde a Primeira Revolução Industrial. Fato que não se ressalta é que à medida que empregos são absorvidos pelas inovações, novos são criados para atender as novas demandas. Ao longo da história, é perceptível a tendência de a tecnologia substituir os humanos em tarefas de baixo valor agregado, mas como uma aliada, facilitando as tarefas designadas aos homens.

Em se tratando da Quarta Revolução Industrial, não há dúvidas que atividades braçais e repetitivas, clássicas do chamado “chão de fábrica”, irão desaparecer. Contudo, novas vagas mais diversificadas e desafiadoras surgirão, como atividades vinculadas a análise de dados, inteligência artificial, desenvolvimento e tecnologias de softwares/aplicativos. Empregos que valorizam as habilidades pessoais, como criatividades e solução de problemas.

Este cenário de novos empregos é ilustrado no Relatório “O Futuro dos Empregos”, do Fórum Econômico Mundial, o qual aponta que 75 milhões de empregos desaparecerão e 133 milhões novas vagas serão criadas no mundo todo até 2022, devido a estas novas inovações tecnológicas proporcionadas pela Indústria 4.0.

Ainda, reforçando o cenário de que novos empregos são criados pela evolução tecnológica, o gráfico desenvolvido pela UNISINOS em uma pesquisa, ilustra que quanto maior o desenvolvimento robótico apresentado pelo pais menor o índice de desemprego.

Contudo, o desafio não se concentra na falta de empregos, mas na realocação das pessoas nas novas vagas, as quais exigirão maior nível de escolaridade. É preciso que a formação educacional da sociedade acompanhe o desenvolvimento das tecnologias. É fundamental o incentivo a educação e a especialização dos profissionais.

Desta forma, faz-se necessário que a qualidade da educação pública seja capaz de embasar as novas atividades advindas com a Indústria 4.0 e que o nível de escolaridade seja proporcional ao desenvolvimento dos setores, para que a sociedade como um todo possa aproveitar dos benefícios proporcionados pela evolução tecnológica.

O presente texto pertence ao autor e não deve ser reproduzido sem autorização da BetaEQ e do mesmo.

Autoria: Tayná de Souza Carrijo

Estudante de Engenharia Química da Universidade Federal de Uberlândia

Deixe aqui a sua opinião