O PROCESSO DE DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA

É sabido que a quantidade de água doce potável disponível para o consumo humano é mínima, em contra partida, há excedente de águas salinas. Diante deste cenário, a solução fundamentou-se em tecnologias que possibilitaram o consumo de águas com elevados teores salinos. Esta prática é conhecida como dessalinização.

Inicialmente, a dessalinização difundiu-se em regiões desérticas ou com pouca com pouca disponibilidade de água potável, como no Oriente Médio e na África, porém, o elevado custo do processo limitava a expansão da tecnologia. Atualmente, com o desenvolvimento de outras técnicas de dessalinização, este processo conquistou outras áreas. Segundo a Associação Internacional de Dessalinização (IDA), o tratamento é utilizado em 150 países, como Austrália, Estados Unidos, Espanha e Japão, abastecendo mais de 300 milhões de pessoas no mundo. Um dos líderes nesta tecnologia é Israel, onde cerca de 80% da água potável consumida pela população é proveniente do mar.

Do ponto de vista técnico, a dessalinização consiste em um processo físico químico de tratamento de água, o qual visa remover o excesso de sais minerais, micro-organismos e outras partículas sólidas presentes na água salgada e na água salobra, tornando-as potáveis ao consumo. Hoje, dispõe-se de quatro principais tipos de processos para dessalinização, sendo:

  • Dessalinização por Osmose Reversa

O processo de osmose consiste na passagem de solvente por uma membrana semipermeável para uma solução concentrada. Contudo, diante de uma pressão bastante elevada (acima da pressão osmótica), ocorrerá o processo inverso, ou seja, o solvente da solução concentrada passará pela membrana e irá em direção ao solvente puro, separando-se do soluto. Este processo é denominado Osmose Reversa.

Baseado neste princípio, água salina é separada da água pura por uma membrana semipermeável e em seguida, é aplicado uma pressão superior a 30 atm sobre a água do mar. Desta forma, a água passa pela membrana e os seus sair ficam retidos, obtendo-se água própria para o consumo.

  • Dessalinização por Destilação em Multi-Estágios

Neste processo, utiliza-se vapor em alta temperatura para fazer com que a água do mar entre em ebulição. A nomenclatura “multiestágios” se justifica por conta da passagem da água por diversas células de ebulição-condensação, garantindo um elevado grau de pureza.

Neste processo, quando ocorre o aquecimento, apenas água é evaporada, separando-a dos sais presentes, e a condensação é responsável pela obtenção da água pura.  O sistema atua de forma que a energia utilizada na ebulição e removida na condensação.

  • Dessalinização por Destilação Solar

Este é o processo mais simples de dessalinização. A água é armazenada em um tanque coberto por algum material transparente, onde recebe luz solar, aquece-se e começa a evaporar. O vapor, que se acumula na parte superior do tanque, vai gradativamente se condensando, transformando-se novamente em água sem a presença dos sais anteriormente existentes. Assim, ela é captada e remanejada para outro tanque, onde é armazenada e direcionada para o consumo. A melhor forma de realizar esse método é por intermédio do aquecimento solar natural, pois outras formas de gerar calor podem ocasionar prejuízos ambientais e um alto consumo de energia.

 

  • Dessalinização por Eletrodiálise

A eletrodiálise também é conhecida como pilha de membranas, na qual através de um sistema de cátodo e ânodo, separa-se os sais da água, obtendo água pura.

Este processo destaca-se pelo baixo consumo energético, pela variabilidade proporcionada pelo processo, podendo ser adaptado a distintos tipos de água e ainda tem baixo custo operacional.

Apesar do elevado desenvolvimento de tecnologias para dessalinização da água, estes processos ainda se apresentam caros, impactando no custo final da água potável. Porém, investimentos no setor, buscam viabilizar esta prática e torna-la competitiva no mercado, para que além do ganho ambiental, proporcione bem-estar e conforto as regiões escassas de água potável.

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