ENGENHARIA GENÉTICA

A engenharia genética consiste no ato de modificar a constituição genética de um organismo por meio da biotecnologia. Modificações podem ser geradas por métodos que alteram, removem ou introduzem genes para produzir organismos com características desejáveis. Os genes podem ser provenientes da mesma ou de outras espécies.

A genética e a biologia molecular se desenvolveram rapidamente ao término da Segunda Guerra Mundial. Em um período de 25 anos, foram esclarecidos temas de enorme importância: a estrutura dos ácidos nucleicos, o código genético, a ação dos agentes mutagênicos, a genética dos microrganismos, a estrutura e a síntese das proteínas, a regulação gênica etc. É nesse contexto de rápidos avanços que devemos situar as primeiras experiências que deram origem à tecnologia do DNA-recombinante, também chamada de engenharia genética.

A utilização da palavra “recombinante” nos remete à recombinação gênica, um fenômeno que ocorre normalmente durante a meiose, devido à permuta de fragmentos cromossômicos homólogos. Mediante o corte e a união de pequenos pedaços de DNA, a engenharia genética cria novas combinações de genes, pertencentes ou não a indivíduos de uma mesma espécie. A engenharia genética é um instrumento valioso para o estudo dos genomas, a produção de proteínas em organismos modificados geneticamente e a geração de organismos transgênicos com propriedades novas.

As técnicas de engenharia genética começaram a ser definidas no início da década de 1970, com a descoberta e utilização das chamadas “enzimas de restrição”. Essas enzimas permitem cortar o DNA em pontos bem definidos. Assim, foi possível isolar fragmentos de DNA passíveis de serem introduzidos no genoma de um organismo (do mesmo ou de outro).

Esquema de como a enzima de restrição EcoR1 atua, cortando o DNA circular entre as bases nitrogenadas A e G.

Mais de 3.000 enzimas de restrição que reconhecem e cortam o DNA já foram isoladas de bactérias. Muitas destas enzimas estão comercialmente disponíveis. Além da introdução de genes no genoma de um organismo, também é possível silenciar (“desligá-lo” e fazer com que não tenha efeito), deletar ou editar genes.

A clonagem de DNA acontece em sequencia. Dessa forma, as novas moléculas de DNA produzidas são inseridas em células bacterianas que são amplificadas por replicação resultando em clones bacterianos idênticos que contêm o DNA recombinante.

clonagem é o processo, feito em laboratório, de reprodução de espécies geneticamente iguais. O primeiro mamífero clonado foi à ovelha Dolly, em 1996, no Reino Unido, que viveu durante seis anos. No Brasil, o primeiro mamífero clonado foi à bezerra Vitória, que nasceu em 2001.

A clonagem reprodutiva tem como finalidade reproduzir um novo ser, idêntico a um que já existe. Em linhas gerais, no processo de clonagem retira-se uma célula de um organismo adulto e dela se extrai o núcleo (que contém o material genético). Esse núcleo é inserido num óvulo sem núcleo, dessa forma não há combinação entre heranças genéticas diferentes.

Quando o óvulo começa a se dividir, forma-se um embrião. O embrião é em seguida implantado no útero de uma fêmea da mesma espécie do organismo que foi clonado. O resultado será o clone, uma cópia do organismo do qual foi retirado o material genético.

A clonagem terapêutica é a formação de células de determinado órgão (coração, rim, fígado, cérebro), chamadas células-tronco, para substituir células doentes desses órgãos e fazê-los voltar a funcionar normalmente.

A genética é controlada por pequenas partículas físicas, encontradas em todos os organismos vivos, chamadas de genes, os quais são transmitidos dos genitores para a sua prole durante o processo reprodutivo. Os seres vivos, portadores das informações genéticas, diferem com relação a expressão de muitas características, o que é resultado dos cruzamentos genéticos precedentes. Estes, por sua vez, podem influenciar inclusive no comportamento humano, causando, entre outras patologias, aberrações cromossômicas e desvio de personalidade.

Um dos mais excitantes campos da ciência biológica é a genética, no entanto, há cientistas direcionando suas pesquisas para a clonagem de seres humanos. É neste ponto que a ética deve exercer o papel de delimitar e preservar os direitos humanos, para que não ocorra nenhum tipo de estrapolamento científico que traga como consequência aberrações genéticas, as quais não ocorreriam na ordem natural do desenvolvimento dos seres vivos.

REFERÊNCIAS

Engenharia Genética

Engenharia Genética: como ela pode revolucionar o nosso futuro

Engenharia genética

MALAJOVICH, M. A. Biotecnologia 2011. Rio de Janeiro, Edições da Biblioteca Max Feffer do Instituto de Tecnologia ORT, 2012.

Um estudo sobre a engenharia genética