SANEANTES: A QUÍMICA DO SABÃO E DETERGENTE

As substâncias químicas têm a propriedade de interagir umas com as outras de várias formas e, quando associadas, podem somar estas propriedades e gerar produtos formulados que auxiliam nas mais diversas necessidades, como, por exemplo, os produtos de limpeza.  Estes produtos, tecnicamente denominados Saneantes, são definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como aqueles destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento da água.

Dentre as categorias de saneantes, podem ser destacados:

  • Os produtos de limpeza geral, como os sabões, os detergentes, os alvejantes, as ceras/lustradores/polidores, os removedores;
  • Os produtos com ação antimicrobiana, como os desinfetantes e os esterilizantes;
  • Os desinfetantes, como os inseticidas, os produtos para jardinagem amadora, os raticidas e os repelentes, que são aqueles produtos usados com o intuito de matar, controlar ou repelir vetores indesejáveis, como, por exemplo, baratas, mosquitos, formigas, dentre outros.

Antes de serem colocados no mercado, estes produtos são desenvolvidos e têm sua qualidade controlada por profissionais com conhecimentos químicos específicos para o trabalho em cada setor da fábrica. Para se alcançar um produto com qualidade, devem ser estudados criteriosamente os componentes e suas possíveis associações, além das maneiras de realizá-las, o que configura o processo de fabricação.

Os sabões e detergentes são usados para remover sujeiras e, principalmente, gorduras dos materiais. A regra “o semelhante dissolve o semelhante” ajuda a explicar a atuação de sabões e detergentes. Substâncias oleosas e gordurosas constituem a “cola” que faz a sujeira aderir aos tecidos ou à pele. A água sozinha é muito pouco eficaz na remoção destes resíduos, mas mesmo uma pequena quantidade de detergente faz uma grande diferença. Os sabões possuem a seguinte estrutura típica:

Eles possuem uma parte apolar, representada pela cor azul, que interage com a gordura e com o óleo, que também são apolares; e apresenta uma parte polar (em amarelo), que interage com a água.

Todos os detergentes têm uma característica comum, sejam eles iônicos ou moleculares. Suas estruturas incluem uma longa cadeia (cauda) de hidrocarbonetos, não-polar, ligada a uma “cabeça” extremamente polar ou iônica. A estrutura dos detergentes também possui uma parte polar e uma apolar.

Estrutura típica dos detergentes

A cauda deste composto, como a de todos os hidrocarbonetos, é não-polar, e assim tem uma forte tendência a se dissolver em óleo ou gordura, mas não em água. Sua tendência natural é evitar a água; dizemos que a cauda é hidrófoba (não tem afinidade pela água). O íon como um todo é arrastado para uma solução em água quente somente por causa da sua cabeça iônica, que pode ser hidratada. Dizemos que esta cabeça iônica é hidrófila (amiga da água). Para minimizar os contatos entre as caudas hidrófobas e a água e para maximizar os contatos entre as cabeças hidrófilas e a água, os ânions do sabão se juntam em grupos de dimensões coloidais denominados micelas de sabão.

Desse modo, as sujeiras gordurosas são aprisionadas no centro das micelas e podem ser removidas. Outro ponto é que os detergentes e os sabões têm a capacidade de diminuírem a tensão superficial da água, porque diminuem as interações entre as suas moléculas, facilitando, assim, que ela penetre em vários materiais para remover a sujeira. É por isso que os sabões e os detergentes são chamados de agentes tensoativos ou surfactantes.

Esse é um dos fatores que ameaçam o meio ambiente, pois quando os detergentes são despejados em rios e lagos, o deslocamento dos insetos sobre a água é dificultado, o que pode diminuir a população de insetos e causar um desequilíbrio no ecossistema.

REFERÊNCIAS

Saneantes

Química dos sabões e detergentes

Sabão x Detergente 

Compostos tensoativos