CERVEJA I: COMO TUDO COMEÇOU

Assim como o futebol e o churrasco, tomar cerveja se tornou algo comum no mundo todo. Há muito tempo essa bebida faz sucesso em datas comemorativas e também no dia a dia. “A loira gelada” foi inventada há muitos anos e faz parte dos hábitos e da cultura de muitas pessoas nos quatro cantos do mundo. Mas, de onde surgiu a cerveja? Como tudo começou? Isso é o que vamos descobrir neste primeiro episódio.

A história da cerveja não começa em um bar, mas sim no cerne da própria agricultura, há 10 mil anos, aproximadamente. Há evidências de que a prática da cervejaria originou-se na região da Mesopotâmia onde a cevada cresce em estado selvagem. Os primeiros registros de fabricação de cerveja têm aproximadamente 6 mil anos e remetem aos Sumérios, povo da Sumer (Suméria) cidade da Mesopotâmia.

Documentos históricos mostram que em 2100 a.C. os sumérios alegravam-se com uma bebida fermentada obtida de cereais, período em que o processo de fermentação foi descoberto pela humanidade e, assim, as primeiras bebidas alcoólicas foram produzidas.

A primeira cerveja produzida foi, provavelmente, um acidente, tendo ocorrido quando algum pedaço de pão de centeio se estragou e passou a apresentar um sabor diferente e agradável, fruto da fermentação alcoólica. Mais tarde, o que havia sido acidental foi transformado num processo padronizado de fabricação.

Figura 1: Pães e grãos de cevada

A palavra “cerveja” vem do nome da deusa romana da agricultura, Ceres. O latim biberis, “beber”, originou o nome da cerveja, no italiano (birra), inglês (beer), francês (bière), línguas eslavas (pivo) e alemão (bier).  Esta bebida tem registros na cultura de outras civilizações antigas, além dos Sumérios.

Acredita-se que a fabricação de cerveja difundiu-se da região da Mesopotâmia ao Egito, aproximadamente 1400 quilômetros distantes. Ela então se tornou a bebida básica no Egito em todos os níveis, do Faraó aos camponeses. Os mortos eram enterrados com suprimentos de cerveja. Os enlutados dos nobres mortos levavam ofertas de cerveja aos santuários em seus túmulos. Há muitos retratos e esculturas que descrevem a fabricação de cerveja no Egito antigo.

Figura 2: Telha egípcia antiga – da moagem de grãos ao embarrilamento da cerveja

Os babilônios por exemplo, outra civilização da época, possuíam o Código de leis dos Babilônios que foi escrito em 2.100 a.C e que regia sobre eles. Nesse código, haviam várias leis criadas relacionadas à cerveja, o que demonstra a importância da mesma para aquele povo naquela época.

Um dos aspectos da lei é que estabelecia uma porção diária de cerveja que a população poderia consumir. Quanto mais “nobre”, maior o consumo permitido.

  • Um trabalhador normal: 2 litros por dia;
  • Funcionário público: 3 litros;
  • Administradores e sacerdotes: 5 litros.

Nesta época existia uma regra de que se servir má cerveja, o castigo seria a morte por afogamento.

Na Roma Antiga, através dos povos bárbaros e menos favorecidos, a cerveja acabou popularizada — principalmente, porque o custo era incomparavelmente mais acessível do que o vinho. Nessa época, a cerveja era uma bebida típica dos pobres, enquanto os ricos preferiam o vinho.

Assim, a história da cerveja se escrevia em larga escala produtiva até a Idade Média, quando já existiam diversos códigos de ética, na produção, e a bebida já era consumida por muitos povoados — se não todos — das regiões conhecidas do Velho Mundo.

Os monastérios europeus desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da cerveja moderna. Ainda na Idade Média, vários mosteiros fabricavam cerveja, empregando diversas ervas para aromatizá-la, como mírica, rosmarinho, louro, sálvia, gengibre e o lúpulo, este último utilizado até hoje e introduzido no processo de fabricação da cerveja entre os anos 700 e 800. O uso de lúpulo para dar o gosto amargo da cerveja e para preservá-la é atribuído aos monges do Mosteiro de San Gallo, na Suíça. Os monges por serem os únicos que reproduziam os manuscritos da época, puderam conservar e aperfeiçoar a técnica de fabricação da cerveja.

De uma atividade familiar, o fabrico da cerveja passou a atividade profissional. Entre os séculos VII e IX surgiram os primeiros mestres cervejeiros, que trabalhavam para abadias e grandes casas nobres. Pequenas fábricas foram surgindo nas cidades europeias a partir do séc. XII.

Em 1492, Cristóvão Colombo descobriu o continente americano para os europeus. No continente recém-descoberto, os europeus verificaram que os índios consumiam vários tipos de bebidas alcoólicas, entre elas o cauim (cerveja de mandioca) e a chicha (cerveja de milho).

Figura 3: Chicha – Cerveja de Milho

Avançando na história, em 1516, o duque Guilherme IV da Baviera decreta a “Lei da Pureza” (“Reinheitsgebot”), que determina os ingredientes autorizados na composição da cerveja: cevada, lúpulo e água. Mais tarde foi incluída a levedura da cerveja. Ainda hoje, a pureza da água, a qualidade da cevada e a finura do lúpulo contam no resultado final.

O século XVI ficou mais famoso pelas explorações marítimas europeias em direção ao que seria o Novo Mundo para eles. Consequentemente, a cerveja vinha a bordo à medida que bandeiras europeias eram fincadas em terrenos até então inexplorados.

A história das primeiras cervejarias no Brasil começa com a chegada de Maurício de Nassau ao Recife em 1637. Junto com Nassau veio o cervejeiro Dirck Dicx com uma planta de cervejaria e os componentes para serem montados.

A cervejaria foi montada a partir de outubro de 1640, na residência chamada “La Fontaine” que Nassau deixou de utilizar após a construção do parque de Vrijburg. A ampliação da venda de cerveja ao Brasil ocorreu a partir de 1808, trazida pela família real portuguesa de mudança para o território.

Pouco menos de cem anos depois, a indústria cervejeira já estava estabelecida com vinte e sete cervejarias registradas. O sucesso desta indústria no país se deve ao clima adequado e a boa qualidade da cerveja, fatores que permitem um consumo praticamente uniforme o ano todo, com um consumo per capta anual de cinquenta litros.

O destaque produtivo, entretanto, fica por conta dos séculos 17 e 18, quando o processo de produção da cerveja já era de conhecimento popular, e praticamente todas as regiões possuíam o seu tipo de cerveja próprio.

Foi, também, quando a industrialização da cerveja deu seus primeiros passos com os ruídos mecânicos das máquinas a vapor. Em seguida, a refrigeração artificial e o método da pasteurização foram significativos para que a cerveja fosse conservada por mais tempo.

Figura 4 e 5: Linha do tempo da cerveja

Conforme a linha do tempo acima, a produção da cerveja tornou-se algo inovador e destaque ao longo dos anos. Tornou-se arte e história, da qual fazemos parte atualmente. Foi preciso incrementar a história da cerveja com novos rótulos, novas técnicas de produção e, claro, muitos brindes em homenagem a essa bebida milenar.

Porém, os ingredientes principais dessa bebida permaneceram em meio a tantas mudanças. Que tal conhecer mais a fundo todos os componentes que a cerveja possui? Falaremos mais sobre isso no próximo texto!

REFERÊNCIAS

História da Cerveja

História da Cerveja

História da cerveja

MARTINS, Izadora F.; FUZIOKA, Pâmela U.;SILVA, Alexsandro M. Processo de produção da Cerveja. Centro Universitário São Camilo, 2014.

Um brinde a incrível e milenar história da cerveja

Uma breve história da cerveja

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