REFINO DE ÓLEOS VEGETAIS

Óleos vegetais são extraídos de plantas, geralmente de sementes e frutos. Líquidos a 25ºC, pertencentes à classe dos lipídios, são constituídos por grandes moléculas de ácidos graxos, ou seja, ácidos carboxílicos (-COOH) com uma grande cadeia carbônica, que diferem entre si principalmente pelo tamanho e quantidade de ligações duplas (insaturações) das cadeias.

Os óleos vegetais apresentam diversas aplicabilidades, como óleo de cozinha, pintura, lubrificante, cosméticos, farmacêutico, iluminação e combustível (biodiesel ou puro). No entanto, para que estes se tornem próprios para o uso, faz-se necessário uma importante etapa, denominada refino.

O óleo bruto, aquele logo após a extração, apresenta aparência, odor e sabor considerados impróprios ao consumo. Assim, a etapa de Refino consiste em um conjunto de processos capazes transformar o óleo bruto em óleo comestível, por meio da remoção de componentes responsáveis por condenar as propriedades físicas dos óleos, como:

  1. a) substâncias coloidais, proteínas, fosfatídeos e produtos de sua decomposição;
  2. b) ácidos graxos livres e seus sais, ácidos graxos oxidados, lactonas, acetais e polímeros;
  3. c) substâncias coloridas como clorofila, xantofila, carotenóides, incluindo-se neste caso o caroteno ou pró-vitamina A;
  4. d) substâncias voláteis como hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, cetonas e ésteres de baixo peso molecular;
  5. e) substâncias inorgânicas como os sais de cálcio e de outro metais, silicatos, fosfatos, dentre outros minerais;
  6. f) umidade.

As principais etapas do processo de refinação do óleo bruto de soja são:

  1. Degomagem ou Hidratação;
  2. Neutralização ou Desacidificação;
  3. Branqueamento ou Clarificação;
  4. Desodorização.

Degomagem

Os óleos vegetais são compostos por fosfatídeos hidratáveis e não hidratáveis, os quais tendem a reagir, formando produtos mais pesados. Assim, se houver armazenamento deste óleo com fosfatídeo, haverá precipitação das gomas, formando um fundo de tanque extremamente viscoso e de difícil manuseio.

Logo, a degomagem consiste na remoção dos fosfatídeos, proteínas e substâncias coloidais, denominadas gomas. Além de remover estes componentes indesejáveis, esta etapa ainda reduz a quantidade de álcali a ser utilizado durante a subsequente etapa de neutralização.

Os fosfatídeos e as substâncias coloidais, na presença de água, são facilmente hidratáveis e tornam-se insolúveis no óleo, o que possibilita sua remoção. O método de degomagem mais utilizado consiste na adição de 1% a 3% de água ao óleo bruto aquecido a 60 C-70ºC, sob agitação constante, durante 20 a 30 minutos. O precipitado formado, é removido do óleo por centrifugação a 5000rpm/6000rpm. As gomas, assim obtidas, que contém 50% de umidade, são secas sob vácuo (aproximadamente 100 mm de Hg de pressão) à temperatura de 70ºC a 80ºC.

Neutralização

A adição de solução aquosa de álcalis, tais como, hidróxido de sódio, ou às vezes carbonato de sódio, elimina do óleo degomado os ácidos graxos livres e outros componentes definidos como “impurezas” (proteínas, ácidos graxos oxidados e produtos resultantes da decomposição de glicerídeos).

Este processo consiste na formação de sabões, os quais podem ser facilmente separados do óleo, seja por decantação (em pequena escala) ou por centrifugação. O óleo sai da centrífuga de neutralização e vai para o tanque de lavagem.

A lavagem remove o residual de sabão presente no óleo após a centrifugação, este procedimento utiliza água quente e pode ser realizado em duas fases, a fim de garantir total remoção de compostos indesejáveis.

Branqueamento

O branqueamento, como próprio nome diz, consiste na remoção de pigmentos do óleo, principalmente os vermelhos e amarelos. Outras cores como o azul também são atingidas, mas com menor intensidade, assim como traços de metais, vitaminas e oxidações.

Os processos de degomagem e neutralização já removem boa quantidade dos pigmentos presentes no óleo, devido à coagulação e ação química, respectivamente. Entretanto, os consumidores exigem, óleos quase incolores, o que é atingido pela adsorção dos pigmentos com terras clarificantes, ativadas ou naturais, misturadas, às vezes, com carvão ativado, em proporções que variam de 10:1 a 20:1. Após a mistura do óleo com o agente clarificante, este é filtrado, em que os sólidos ficam retidos e apenas o óleo clarificado segue para o processo. Comumente, utiliza-se filtro de placas para esta etapa.

Desodorização

O processo de desodorização consiste em refinar fisicamente o óleo branqueado removendo os ácidos graxos livres, responsáveis por sabores desagradáveis, e substâncias odoríferas.

As substâncias odoríferas e de sabor indesejável são, em geral, pouco voláteis, mas sua pressão de vapor é bem superior àquela do ácido oleico ou esteárico. Assim, sob as condições mantidas durante o processo, ou seja, pressão absoluta de 2 mm Hg a 8 mm Hg e temperatura de 20ºC a 25ºC com insuflação direta de vapor, alcança-se não somente a completa desodorização, mas também uma quase completa remoção dos ácidos graxos livres residuais. O alto vácuo é essencial, porque sua aplicação reduz o consumo de vapor direto, o tempo do processo e o perigo de oxidação e hidrólise do óleo.

Assim, após todas as etapas explicitadas, o óleo vegetal está adequado para destinação final, seja envase para consumidor ou hidrogenação. É importante salientar que a etapa de refino é imprescindível para assegurar a qualidade final do produto e esta deve ter maior destaque e controle dentro do processo produtivo.

Referências

Entendendo o que são óleos vegetais

Óleos e Gorduras

Processos Produtivos