BetaEQ Talks: O ENGENHEIRO QUÍMICO NA DOCÊNCIA – ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

O Engenheiro Químico é o profissional que aplica conhecimento científico, técnico e experimental à criação e à modificação de mecanismos, estruturas, produtos e processos para converter recursos naturais e não naturais nas formas de matéria e/ou energia em formas adequadas às necessidades do ser humano e do meio que o cerca. Seu campo de atuação é bastante extenso, sendo nas áreas de projetos, produção, processos, pesquisa e desenvolvimento, higiene industrial, segurança, meio ambiente, comercial, relações humanas e docência.

Este último é de suma importância, pois ser docente significa mais que ensinar conhecimentos específicos, representa uma compreensão ampla da área de atuação, das relações que a envolvem nos contextos, escolar e social e, sobretudo, das técnicas e estratégias que demarcam a profissão de engenheiro.

Com base nesse entendimento, realizou-se uma entrevista com a Engenheira Química Patrícia Cristina de Araújo Puglia de Carvalho, professora da Universidade Potiguar do estado do Rio Grande do Norte. A professora tem 38 anos e está há 8 meses lecionando na instituição de ensino.

Abaixo a professora fala um pouco das suas experiências acadêmicas e profissionais, do seu esforço, prazer em ser docente e ser ponte dos seus discentes para o mercado de trabalho a partir dos conhecimentos repassados.

Engenheira Química Patrícia Cristina de Araújo Puglia de Carvalho, professora da Universidade Potiguar do estado do Rio Grande do Norte

ENTREVISTA

  1. Como é ser uma engenheira química?

R: Ser engenheira química é algo fantástico. Aliás, ter o título de qualquer engenharia é gratificante, pois remete sempre aos outros a ideia de esforço e determinação, até porque, concluir uma graduação em engenharia exige do estudante muitas horas de estudo, conferindo aos futuros profissionais uma grande bagagem de conhecimento das áreas de química, matemática e física. O engenheiro químico lida com a resolução de problemas dos diversos processos físico-químicos. Diante disso, ser engenheiro químico exige responsabilidade e conhecimento.

  1. Fale um pouco das suas experiências acadêmicas e profissionais.

R: Terminei o ensino médio no que chamamos hoje de IF (Instituto Federal), mas na minha época CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica). Já no início percebi uma paixão pela química e matemática e pela física, porém em menor escala (rs). Quando terminei essa etapa da minha vida já havia decidido cursar engenharia química em virtude de minhas preferências. Chegando na Universidade me deparei com outras opções e percebi que o curso de engenharia química me oferecia uma variedade de áreas. Logo no início do curso, 4º período, fui trabalhar como voluntária no laboratório de termodinâmica onde, na época, estavam estudando biocombustíveis e lá fui eu estudar também. No final do curso para fazer o tão temido por alguns estudantes trabalho final de curso ou monografia, fui trabalhar nos laboratórios de controle de águas, sendo esse meu primeiro contato com a área ambiental. Terminada a graduação decidi continuar com a pesquisa científica iniciada na graduação, então fiz mestrado e doutorado, foram alguns anos de muito estudo e dedicação para obter o título de Drª em engenharia química. Depois de finalizada essa etapa, surgiu a oportunidade de atuar na docência e hoje como professora ministro disciplinas não somente para engenharia química, mais também para engenharia ambiental e outras engenharias.

  1. Quando você era aluna, quais disciplinas lhe deram mais prazer de estudar e quais você não se identificava? Por quê?

R: Pergunta difícil essa, mas vamos lá. O curso de engenharia química possui uma grade curricular ampla, além das disciplinas ofertadas no início do curso como cálculo, química geral e física, temos os pilares da engenharia química que são as operações unitárias, termodinâmicas, fenômenos de transporte e reatores. Gostaria de dizer que sempre amei todas igualmente, mas dentre esses a que sempre gostei mais foram às operações unitárias e os reatores químicos tanto homogêneos quanto heterogêneos.

  1. Você acha importante que o aluno de Engenharia Química, durante o curso, já preste trabalhos à sociedade, à comunidade e realize pesquisas?

R: Sim, claro! O aluno deve desde o início buscar se envolver nas pesquisas que ocorrem em sua instituição de ensino. Os alunos que trabalham na pesquisa aprimoram sua capacidade de analisar resultados e desenvolver novas metodologias e soluções, potencializando a capacidade de resolver problemas, que é uma característica essencial do engenheiro químico.

  1. Qual a maior dificuldade enfrentada ao longo da sua trajetória para se tornar uma engenheira química?

R: O curso de engenharia química, assim como tantas outras graduações em engenharia é um curso que exige do estudante muita dedicação e consequentemente muitas horas de estudo, talvez esse seja a maior dificuldade, abdicar de algum momento de lazer para estudar horas, por exemplo para uma prova de transferência de massa.

  1. Fale um pouco da sua profissão como professora na Universidade Potiguar.

R: Ser professora é uma experiência nova, depois de alguns anos me dedicando apenas a pesquisa (mestrado e doutorado). Confesso que quando dei início a graduação nunca me imaginei como professora, pelo fato de ser tímida, mas a vida me encaminhou para outro lado. Hoje, como professora, me sinto honrada por fazer parte do crescimento intelectual e profissional de meus alunos, tendo em vista que a educação é transformadora como disse Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. É extremamente gratificante ver os estudantes evoluírem a cada disciplina ministrada e a cada conversa sobre um tema específico. Enfim, hoje percebo que estou na profissão certa!

  1. Caso não fosse professora, qual área da engenharia você gostaria de atuar?

R: Hoje não me vejo fazendo outra coisa, mas como a vida está sempre em constante mudança se minha atuação profissional não fosse na docência gostaria de atuar na área ambiental, principalmente tratamento de efluentes e águas, que é a minha preferida dentre todo leque compreendido pela engenharia química.

  1. Seu currículo lattes apresenta um leque de trabalhos publicados e apresentados em congressos, onde grande parte dos títulos faz uma ligação direta entre os cursos de engenharia química e engenharia do petróleo. Como você atrelou os conhecimentos e atividades dessas duas engenharias?

R: Meu foco na pesquisa sempre foi ambiental, pensando nisso uma forma de atrelar à engenharia química a engenharia de petróleo, foi buscar desenvolver técnicas de tratamento da água produzida do petróleo, que é um efluente gerado em grande volume pela indústria petrolífera e possui grande potencial para impactar o meio ambiente, em virtude de possuir uma composição química tóxica devido a presença de componentes como: hidrocarbonetos, metais pesados, partículas sólidas entre outros, que por serem descarregados no emissário marinho, sem tratamento adequado, podem poluir o meio ambiente.

  1. Trabalhar em laboratório requer cautela, cuidado e muita dedicação. Quais os principais cuidados que é preciso ter para se trabalhar nesse ambiente? 

R: Realmente trabalhar em laboratório de química exige do indivíduo muita dedicação, cuidado e muita paciência, pois na grande maioria das vezes necessitamos repetir o procedimento experimental não só uma vez, mais duas, três ou mais vezes dependendo da qualidade dos resultados que deseja obter. É importante que o indivíduo, além de utilizar todos os EPIs (equipamentos de proteção individual), deve estar atento quanto as normas de segurança do laboratório, consultar sempre o professor ou outro profissional presente no laboratório quando surgirem duvidas, evitar jogar as substâncias diretamente na pia, ter cuidado ao manusear as substâncias, entre outras coisas. É muito importante que todo trabalho desenvolvido no laboratório seja realizado com segurança e muita cautela, desse modo muitos acidentes são evitados e o procedimento experimental ocorre de forma correta.

  1. A engenharia química está em alta, pois está em tudo e em todo lugar. Você acha que no futuro, o engenheiro químico terá a mesma importância que está tendo hoje?

R: Sim, claro! Engenharia química é um curso que trabalha com processos industriais diversos atuando com transformações físicas e químicas da matéria, dessa forma pode operar em uma gama de processos e uma variedade de áreas. Os processos industriais vão sempre ocorrer, porém exigirão otimização e inovação funções do engenheiro químico.

  1. Deixe uma mensagem para os alunos de Engenharia Química do Brasil.

R: Sempre estude e procure aprofundar seus conhecimentos obtidos na universidade. Leia mais sobre as inovações tecnológicas desenvolvidas no momento, busque sempre saber o porquê das coisas (seja sempre curioso), se esforce ao máximo em cada disciplina mesmo aquelas que nos deixam a noite acordados. Dedicação, perseverança são palavrinhas que devemos sempre ter em mente. Lembre-se que a engenharia química é uma área ampla que nos oferece uma variedade de opções para trabalho. TUDO que envolve um processo físico-químico da matéria precisa de um engenheiro químico para conduzir, otimizar ou inovar o processo.