COSMÉTICOS I: ORIGEM DOS COSMÉTICOS

Já pensou em tomar banho sem sabonete e shampoo? Ou em sair de casa sem passar um hidratante, um perfume, maquiagem ou um desodorante sequer? Usados desde muitos anos atrás, não há como imaginar nossas vidas sem esses produtos. Neste episódio, mostraremos um pouquinho da história desses itens para conhecermos suas origens.

A história dos cosméticos começa com os homens da pré-história, que faziam gravações em rochas e cavernas e também pintavam o corpo e se tatuavam. Rituais tribais praticados pelos aborígines dependiam muito da decoração do corpo para proporcionar efeitos especiais, como a pintura de guerra.

Existem evidências arqueológicas do uso de cosméticos para embelezamento e higiene pessoal desde 4000 anos antes de Cristo. A palavra cosmético deriva da palavra grega kosmetikós e do latim cosmetorium que significa “hábil em adornar”. Também tem origem em Cosmus, perfumista romano famoso no século I que fabricava o cosmianum, um unguento antirrugas muito utilizado na época, além de ter desenvolvido diversos outros produtos voltados para tratamento da pele.

Muitos cosméticos se originaram na Ásia, mas os primeiros registros tratam dos egípcios, que pintavam os olhos com sais de antimônio para evitar a contemplação direta do “Deus Ra”, representado pelo sol. Para proteger sua pele das altas temperaturas e secura do clima desértico da região, os egípcios recorriam à gordura animal e vegetal, cera de abelhas, mel e leite no preparo de cremes para a pele.

 Além disso, esse povo desenvolveu os primeiros produtos de toucador (produtos de penteadeira, produtos de toalete) em larga escala. Alguns minérios foram usados como sombras de olhos e rouge, assim como usavam extratos vegetais, como a henna. A famosa rainha Cleópatra se banhava com leite de cabra para ter uma pele suave e macia, e incorporou o símbolo da beleza eterna. Também nesta época, os faraós eram sepultados em sarcófagos que continham tudo o que era necessário para se manter belo.

Figura 1: Representação da rainha Cleópatra usando produtos de beleza

Na Bíblia, é possível encontrar muitos relatos do uso de cosméticos pelos israelitas e por outros povos do antigo Oriente Médio, como: a pintura dos cílios (de Jezebel) com um produto à base de carvão; os tratamentos de beleza e banhos com bálsamos que Ester tomava para amaciar sua pele; e a lavagem com vários perfumes e óleos de banho dos pés de Jesus, por Maria – irmã de Lázaro.

Mais ou menos no ano de 180 d.C., na era Romana, um médico grego chamado Claudius Galen realizou sua própria pesquisa na manipulação de produtos cosméticos, iniciando, assim, a era dos produtos químico-farmacêuticos.

Figura 2: Clauduis Galen de Pergamon, considerado o médico mais capaz da antiga Europa (ca. 130 – 200 d.C.)

Os gregos e romanos foram os primeiros povos a produzir sabões, que eram preparados a partir de extratos vegetais muito comuns no Mediterrâneo, como o azeite de oliva e o óleo de pinho, e também a partir de minerais alcalinos obtidos da moagem de rochas. Atores do teatro romano eram grandes usuários de maquiagem para poderem incorporar diferentes personagens ao seu repertório. No século 10, os cabelos eram lavados não com água, mas com misturas de ervas e argilas, que limpavam, matavam piolhos e combatiam outras infestações do couro cabeludo.

Na Idade média, mas precisamente no século 13 com a epidemia de peste negra, os banhos foram proibidos, pois a medicina da época e o radicalismo religioso pregavam que a água quente, ao abrir os poros, permitia a entrada da peste no corpo. Durante os 400 anos seguintes, os europeus evitaram os banhos e a água era somente usada para matar a sede. Lavar o corpo por completo era considerado um sacrilégio e o banho era associado a práticas lascivas. Mãos, rosto e partes íntimas eram limpos com pastas ou com perfumes, e as práticas de higiene eram mínimas, o que muito contribuiu para o crescimento do uso da maquiagem e dos perfumes.

O reconhecimento do benefício da higiene pessoal cresceu ao longo do século 19. As donas de casa dessa época fabricavam cosméticos em suas próprias residências utilizando limonadas, leite, água de rosas, creme de pepino etc. A influência do Romantismo e o contato dos europeus com os povos indígenas da América, cuja cultura estava profundamente associada ao banho e à higiene, voltaram a glorificar a natureza do banho como um ato saudável. Em 1878, foi lançado o primeiro sabonete, pela empresa Procter & Gamble, produzido por Harley Procter e seu primo químico James Glander.

Figura 3: Primeiro sabonete produzido

No século 20, a indústria de cosméticos cresceu muito. Em 1910, Helena Rubinstein abriu em Londres o primeiro salão de beleza do mundo. Em 1921, pela primeira vez o batom é embalado em um tubo e vendido em cartucho para as consumidoras. Entre as inovações da indústria de cosméticos, destacam-se: os desodorantes em tubos, os produtos químicos para ondulação dos cabelos, os xampus sem sabão, os laquês em aerossol, as tinturas de cabelo pouco tóxicas e a pasta de dentes com flúor.

Nos anos 50, políticas de incentivo trouxeram para o Brasil empresas multinacionais gigantescas, como a americana Avon e a francesa L’Oréal. Essas empresas lançaram novidades como à venda direta e produtos para o público masculino. A maquiagem básica, que se compunha de pó-de-arroz e batom, foi se diversificando e se sofisticando.

Nos anos 90, o tempo entre a aplicação do cosmético e o aparecimento do efeito prometido na bula diminui de 30 dias para menos de 24 horas. Surgem os cosméticos multifuncionais, como batons com protetor solar e hidratantes antienvelhecimento.

Neste início do século 21, os alfa-hidroxiácidos, utilizados em cremes para renovar a pele, começam a ser substituídos por enzimas mais eficazes. Outra tendência é a descoberta de novas matérias-primas contendo várias funções. No momento atual, as pesquisas avançam na direção da manipulação genética para melhorar a estética.

No passado, os cosméticos tinham como principais objetivos disfarçar defeitos físicos, sujeira e mau-cheiro. Com a mudança nos hábitos de limpeza e cuidado pessoal, seu uso hoje é muito mais difundido e diferente do que ocorria. Por esta razão, o aprimoramento dos produtos utilizados para beleza e higiene e cuidados com a pele, seus processos e aplicações tornaram-se cada vez mais significativos para a sociedade.

Diante disso, conhecer a fundo as melhorias, práticas, classificação dos cosméticos e suas aplicações são de fundamental importância para o bem-estar de quem os utiliza e é isso que detalharemos no próximo episódio.

 

REFERÊNCIAS

A fascinante história dos cosméticos

Cinco curiosidades sobre o desenvolvimento de produtos cosméticos

Claudius Galen de Pergamon

Cosméticos à base de produtos naturais. Estudos de mercado SEBRAE/ESPM, 2008.

GALEMBECK, Fernando; CSORDAS, Yara. Cosméticos: A química da beleza. Sala de leitura, 2019.

História dos cosméticos da antiguidade ao século XXI 

Invenção do sabonete

Para ler os outros textos da Série Cosméticos, acesse os links abaixo:

COSMÉTICOS II: CLASSIFICAÇÕES E APLICAÇÕES DOS COSMÉTICOS

COSMÉTICOS III: MATÉRIAS PRIMAS E PROCESSO DE PRODUÇÃO DOS COSMÉTICOS

COSMÉTICOS IV: A TECNOLOGIA DOS COSMÉTICOS