REMOÇÃO DE AGROTÓXICOS DA ÁGUA

O Brasil destaca-se, economicamente, pela grande produção agrícola, sendo esta responsável por 24% do Produto Interno Bruto do país. Contudo, tamanha produção, exige técnicas avançadas para aumentar a produtividade sem expandir a área agricultável, e, uma das principais técnicas é o uso de agrotóxicos.

Atualmente, diante do nível de resistência desenvolvido pelas pragas, tornou-se extremamente inviável obter elevada produtividade sem aplicação de agrotóxicos. Cenário que pode ser ilustrado pelo Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, o qual afirma que o consumo de agrotóxicos cresceu em torno de 190% nos últimos 10 anos, enquanto que a área agricultável expandiu apenas 19%, no mesmo período, tornando o país o maior consumidor de agrotóxicos.

Infelizmente, este excesso de aplicação de agrotóxicos tem apresentado consequências: a contaminação dos recursos hídricos. Os números revelam que a contaminação da água está aumentando de forma desenfreada. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos, em 2015 subiu para 84%, foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017.

No entanto, pesquisas brasileiras apresentaram resultados satisfatórios para reverter esta situação, descontaminando água e alimentos de agrotóxicos. Na Universidade Federal de Minas Gerais, foi desenvolvido uma espuma de poliuretano, a qual é capaz de detectar e absorver herbicidas de alimentos frescos e da água.

O poliuretano é um tipo de polímero (matéria plástica) utilizada para criar esponjas, espumas isolantes térmicas e acústicas, além de solados de sapatos, por exemplo. O produto foi criado a partir de resíduos da indústria petroquímica e componentes naturais, como óleo de mamona. Essa combinação facilitou a interação entre os componentes do poliuretano com os pesticidas, possibilitando a identificação e dissipação dos agrotóxicos em testes conduzidos em laboratório.

A eficácia da espuma foi comprovada em testes com quatro pesticidas mais frequentes, os organoclorados, de clorobenzeno, atrazina e trifluralin. Os estudos mostraram que, a espuma é capaz de remover em torno de 70% dos pesticidas, sem comprometer propriedades nutricionais, seja de alimentos ou água.

No momento, o estudo encontra-se em fase de expansão, para que possa ser aplicado em grandes quantidades, a fim de reduzir a ingestão de pesticidas presentes nos alimentos e também despoluir recursos hídricos contaminados.

REFERÊNCIAS

Água de uma a cada quatro cidades está contaminada com agrotóxicos;

Cientistas brasileiros desenvolvem espuma que pode limpar agrotóxicos de alimentos;

Como retirar poluentes orgânicos e químicos da água.