RISCOS NA PAVIMENTAÇÃO

Pavimentação é o nome do processo dado quando se reveste um chão ou um piso, no entanto, também se utiliza esse termo para indicar a pavimentação asfáltica, que como visto no texto Asfalto no estado líquido, é quando as vias e rodovias recebem uma nova camada de piche, para haver um melhor conforto e rolamento.

Pavimentação asfáltica
Fonte: CONSTRUFENIX

Para poder aplicar o asfalto, é preciso estar em estado líquido, ou seja, ele precisa ser aquecido. No entanto, durante esse aquecimento, emissões de gases são liberados, prejudicando não apenas o meio ambiente, mas principalmente, a saúde dos pavimentadores, pessoas que aplicam a camada de piche – motoristas de rolo compressor, motoristas da máquina de aplicar a camada asfáltica e motoristas de caminhão basculante, além, é claro, da equipe de aplicação propriamente dita.

Durante as obras de pavimentação ocorre a formação de nuvens, essas nuvens são misturas de fumos de asfalto e, quando aquecidos, emitem agentes químicos para o ar, sendo muitos deles cancerígenos. Dentre os agentes liberados, têm-se como principais o metano, o dióxido de enxofre, o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio. Também é possível encontrar solventes aromáticos, como o BTX (benzeno, tolueno e xileno), sendo o HAP, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, os mais destacados, devido a sua ação cancerígena. O benzo(a)pireno é um dos HAP que se destacam na toxicologia humana; a penetração no organismo humano ocorre de duas formas: por inalação e pela epiderme.

Molécula de Benzo(a)pireno, composto mutagênico e altamente cancerígeno.
Fonte: Wikipédia

Essas emissões possuem um tamanho pequeno, aproximadamente 2,5 mm, ou seja, além de contribuir para a inalação, facilita a chegada nas partes mais profundas do pulmão, os alvéolos, diminuindo a capacidade respiratória. Segundo Guimarães, muitos pavimentadores não fazem o uso de proteções respiratórias, inalando os componentes tóxicos.

O Ministério da Saúde, por meio de referências bibliográficas, relaciona a atividade de pavimentação como risco para a formação de câncer de pulmão e dos brônquios, assim como o câncer de pelo e o de bexiga. Na Portaria 1.339/99 do Ministério da Saúde, consta os dados desses tipos de doença.

Atualmente, a legislação que trata da exposição ocupacional a produtos químicos no Brasil é a Norma Regulamentadora 15 (NR-15) da Portaria nº 3.214/78 do MTE. O Benzo(a)pireno, que é citado no Anexo 13 como Benzopireno, é enquadrado como insalubre em grau máximo (40%) pelo item “Operações Diversas”. O Betume, sinônimo de asfalto no Brasil, também é enquadrado como insalubre em grau máximo (40%), mas pelo item “Hidrocarbonetos e outros compostos de carbono”.  (GUIMARÃES, p. 5).

Os sintomas envolvem: irritação ocular, irritação nasal e na garganta, tosse, asma química, bronquite, dor de cabeça, irritação, ressecamento e queimaduras da pele, rachaduras e feridas. E na consulta, o profissional deve procurar pelo betume.

Ter rodovias e vias em ótimo estado de conservação, nos proporciona um conforto maior, além da segurança. Porém, os profissionais que aplicam a camada de pavimentação, são expostos a emissões de agentes químicos muito prejudiciais à saúde, aos quais entram em contato não só com a pele, mas pelas vias respiratórias, chegando até o pulmão. Para reduzir essas exposições é necessário o uso de respiradores dotados de filtros químico para material particulado.

Referências

Riscos para a saúde de trabalhadores de pavimentação com asfalto

Riscos para a saúde de trabalhadores de pavimentação de ruas: as emissões tóxicas do asfalto 

Cuidados de Segurança no Manuseio de Asfaltos

Riscos e agentes químicos na pavimentação com cimento asfáltico de petróleo