DESTINAÇÃO NOBRE À LIGNINA

A lignina é o segundo polímero natural mais abundante da Terra, ficando atrás somente da celulose, correspondendo a cerca de 30% de todo o carbono orgânico não fóssil da Terra. É um material amorfo, fundamentado por três estruturas fenilpropanóides (álcool coniferílico, álcool sinapílico e álcool p-cumarílico) que juntos, dão origem a um amplo número de grupos funcionais e ligações, resultando em um polímero complexo e tridimensional.

A lignina atua na proteção das plantas, aumentando a impermeabilidade da parede celular à água, resguardando a madeira contra os ataques de microrganismos e dando suporte para a árvore graças à sua característica rígida.

Em razão da sua complexidade e variedade estrutural nos diferentes tipos de planta, a lignina é tida como um resíduo da produção de celulose, papel e etanol e empregada amplamente na combustão para geração de energia devido ao seu elevado poder calorífico.

São estes resíduos da lignina que, na atualidade, estão sendo examinados e apontados como substitutos de muitos derivados de petróleo para a produção de energia limpa, além de outras aplicações na indústria de bens de consumo, desde a produção de biocombustível até o seu emprego na fabricação de fármacos e cosméticos e na indústria alimentícia.

Pode-se obter uma variedade de produtos baseados em lignina e ter um complexo de biorrefinarias florestal que integra processos de conversão de biomassa em biocombustíveis, insumos químicos, materiais, alimentos e energia. O intuito é otimizar o uso de recursos e reduzir os efluentes, potencializando os benefícios e a lucratividade do setor.

As biorrefinarias unem várias rotas de conversão como bioquímicas, microbianas, químicas e termoquímicas a fim de aperfeiçoar o aproveitamento da biomassa e da energia.

Por ser rica em compostos químicos como fenóis, benzenos, vanilina, entre outros, a lignina compõe, atualmente, numerosos produtos como os agentes emulsificantes, utilizados na indústria de alimentos, os antioxidantes, os pesticidas, os fertilizantes, o carvão vegetal e as nano cápsulas para ativos medicamentosos ou cosméticos. Estudos apontam também à viabilidade técnica de adicionar a lignina ao concreto devido às suas características físicas e químicas.

O que antes era visto como um problema na indústria, passou a ser um material de alto valor agregado e grande potencial de aplicabilidade.

REFERÊNCIAS

Estudo de viabilidade técnica para substituição parcial de cimento por lignina no concreto auto-adensável (CAA).

Aplicações para valorização da lignina.

Lignina: O petróleo do futuro?