PETRÓLEO I: HISTÓRIA DO PETRÓLEO

O petróleo é um combustível fóssil composto principalmente por hidrocarbonetos e que, depois do processo de refinamento, dá origem a várias frações usadas em nosso cotidiano. Você sabia que o petróleo é atualmente uma das fontes de energia mais utilizadas no mundo? Sua história, você conhece? O primeiro episódio dessa série quer te apresentar o contexto histórico e social deste produto no Brasil e no mundo. Vamos conhecer?

Quando se fala sobre o petróleo, muitas pessoas têm a errônea impressão de que essa substância somente apareceu na história com o advento da Revolução Industrial. Contudo, desde a Antiguidade temos relatos que nos contam sobre a existência desse material em algumas civilizações.

O registro da participação do petróleo na vida do homem remota a tempos bíblicos. Na antiga Babilônia, os tijolos eram assentados com asfalto e o betume era largamente utilizado pelos fenícios na calafetação de embarcações. Os egípcios usaram na pavimentação de estradas, para embalsamar os mortos e na construção de pirâmides, enquanto gregos e romanos dele lançaram mão para fins bélicos.

No Novo Mundo, o petróleo era conhecido pelos índios pré-colombianos, que o utilizavam para decorar e impermeabilizar seus potes de cerâmica. Os incas, os maias e outras civilizações antigas também estavam familiarizados com o petróleo, dele se aproveitando para outros fins.

O início e a sustentação do processo de busca com crescente afirmação do produto na sociedade moderna datam em 1859, quando foi iniciada a exploração comercial nos Estados Unidos, logo após a célebre descoberta do Cel. Drake, em Tittusville, Pensilvânia, com um poço de apenas 21 metros de profundidade perfurado com um sistema de percussão movido a vapor, que produziu 2 m³/dia de óleo. Descobriu-se que a destilação do petróleo resultava em produtos que substituíam, com grande margem de lucro, o querosene obtido a partir do carvão e o óleo de baleia, que eram largamente utilizados para iluminação. Estes fatos marcaram o início da era do petróleo.

Figura 1: O primeiro poço de petróleo descoberto no ano de 1859.

Até o fim do século passado os poços se multiplicaram e a perfuração com o método de percussão viveu o seu período áureo. Neste período, entretanto, começa a ser desenvolvido o processo rotativo de perfuração. Em 1900, no Texas, o americano Anthony Lucas, utilizando processo rotativo, encontrou óleo a uma profundidade de 354 metros. Este evento foi considerado um marco importante na perfuração rotativa e na história do petróleo.

Nos anos seguintes, a perfuração rotativa se desenvolve e substitui a perfuração pelo método de percussão. Com as melhorias no desenvolvimento de produtos, qualificando assim as perfurações, foi possível alcançar profundidades superiores a 10.000 metros, naquela época.

A busca do petróleo levou a importantes descobertas nos Estados unidos, Venezuela, Trinidad, Argentina, Borneu e Oriente Médio. Até 1945, o petróleo produzido provinha dos Estados Unidos, maior produtor do mundo, seguido da Venezuela, México, Rússia e outros.

Nos anos 50, marcou-se uma intensa atividade exploratória, e começaram a intensificar as incursões no mar, a partir do surgimento de novas técnicas exploratórias. Com o passar doa anos foi desenvolvida uma grande variedade de estruturas marítimas, incluindo navios, para portar os equipamentos de perfuração.

No mundo, na década de 60, registrou-se a abundância do petróleo disponível no mundo. Já os anos 70 foram marcados por brutais elevações no preço do petróleo e grandes descobertas em novos territórios. Os avanços tecnológicos que reduziram os custos de exploração e da produção na indústria petrolífera marcaram os anos 80, 90 e 2.000. E assim o petróleo foi se impondo como fonte de energia.

No Brasil, a longa trajetória em busca de petróleo pode ser desdobrada em cinco fases históricas, caracterizadas por eventos importantes que devem ser lembrados para o melhor entendimento da origem deste produto e todo cenário estratégico necessário para sua obtenção e reserva no país.

A primeira fase tem início em 1864, quando pequenos exploradores, de posse de concessões do governo do Império do Brasil, iniciaram a procura por jazidas de petróleo, geralmente junto com a busca por carvão e outros minerais com o objetivo de fabricação de “óleo e gás iluminantes” para substituir o óleo obtido a partir da pesca de baleias, que começava a se tornar escasso e caro em razão do aumento da demanda mundial pelo óleo.

As primeiras concessões governamentais foram outorgadas para explorações na Província da Bahia, seguindo-se explorações em São Paulo, Maranhão e outras províncias do Nordeste. Nesse período, o governo não tomou iniciativas próprias de explorar petróleo, tendo sido as buscas realizadas exclusivamente por particulares, e caracterizadas pelo escasso uso de técnicas e equipamentos apropriados, não apresentando nenhuma descoberta importante.

A segunda fase iniciou-se em 1919, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. Diante da falta de descobertas de petróleo no Brasil, decorridos já 60 anos do início da indústria do petróleo no mundo, e reconhecendo os riscos que o País corria ao depender integralmente de combustíveis importados, o governo federal decidiu participar diretamente das atividades de exploração, por meio do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), de 1919 a 1933, e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a partir de 1934.

Os dois órgãos realizaram perfurações de poços em vários estados, sem conseguir encontrar nenhuma jazida importante, enquanto crescia a dependência de combustíveis importados. Esse contexto fortaleceu a posição de lideranças militares, que pediam o encaminhamento de soluções para a descoberta de fontes nacionais de petróleo, além de postular maior controle estatal sobre o setor, cujo comércio era integralmente controlado por empresas estrangeiras.

As aspirações eram acirradas pelo fato de que diversos países na América Latina já haviam descoberto petróleo. Em resposta, o presidente da época decidiu, em 1938, realizar ampla intervenção no setor, ao transformar as atividades petrolíferas em “serviço de utilidade pública” e instituir o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), para dirigir a política do petróleo do país. No ano seguinte, 1939, os órgãos encarregados das explorações descobriram a primeira acumulação de petróleo, na localidade de Lobato, no estado da Bahia.

Figura 2: Descoberta da primeira jazida de petróleo em solo brasileiro.

Após a descoberta da primeira jazida iniciou-se a terceira fase, que se estendeu de 1940 a 1973, ano que antecede a primeira descoberta de petróleo na Bacia de Campos. O CNP, órgão encarregado da busca por petróleo (até a criação da PETROBRAS, em 1953), prosseguiu nos levantamentos geológicos e geofísicos, concentrando as perfurações nas áreas mais promissoras, que incluíam as bacias sedimentares terrestres do Recôncavo Baiano, de Alagoas/Sergipe e de outros estados.

Alguns empresários, de posse de autorizações do governo federal, também realizaram perfurações, mas sem encontrar jazidas comerciais. Nesta fase foi criada a PETROBRAS, em 1953, com a missão de resolver o problema da alta dependência brasileira do petróleo importado.

Ao empreender a tarefa, a empresa descobriu, nos seus primeiros anos de atividades, importantes campos de petróleo em vários estados do Nordeste, mas, em meados da década de 1960 constatou que as descobertas em terra não estavam ocorrendo em volumes capazes de diminuir a dependência do petróleo importado. Decidiu, então, redirecionar as explorações para o mar, iniciando perfurações de poços no litoral do Nordeste, em 1968, e na Bacia de Campos, em 1971.

Figura 3: A primeira descoberta de petróleo no mar, em 1968, no Campo de Guaricema, em Sergipe.

Porém, as primeiras descobertas de petróleo, no litoral de Sergipe, em 1968-1972, e do Rio Grande do Norte, em 1973, revelaram-se insuficientes para mudar o panorama da alta dependência do petróleo importado.

Com isso, dá-se abertura a quarta fase da história do petróleo. A continuação das perfurações de poços na Bacia de Campos levou à primeira descoberta de petróleo naquela região, o Campo de Garoupa, em 1974. Começava, a partir de então, um ciclo de importantes descobertas, entre os anos de 1974 e 1976.

Nos anos e décadas seguintes, as descobertas que se seguiram levaram ao firme crescimento das reservas brasileiras, permitindo à PETROBRAS trabalhar objetivamente com a perspectiva da autossuficiência, uma meta que vinha sendo perseguida, com maior ou menor ênfase, desde a fundação da empresa. O Brasil pôde, a partir de então, diminuir gradativamente a dependência das importações.

Concluindo a história do petróleo brasileiro, não poderíamos deixar de falar de algo que marcou o setor petrolífero nacional e transformou o Brasil em exportador de petróleo para o mundo: a descoberta do pré-sal. A quinta e última fase iniciou-se em 2006, com as descobertas, na Bacia de Santos, de reservas gigantes de petróleo na camada geológica do Pré-sal, como resultado de prospecções iniciadas em 2001 e da perfuração de poços pioneiros, a partir de 2005.

Pré-sal é o nome dado às reservas de hidrocarbonetos em rochas calcárias localizadas abaixo de camadas de sal. É o óleo descoberto em camadas de 5 a 7 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. No Brasil, essa camada tem aproximadamente 800 quilômetros de extensão, por 200 de largura, começando do litoral de Santa Catarina até o litoral do Espírito Santo. Geólogos da Petrobras já discutiam a existência do pré-sal na década de 70, porém, não havia estrutura suficiente para concluir as pesquisas. A área engloba três bacias sedimentares – Santos, Campos e Espírito Santo – e, dentre os campos e poços de petróleo e gás natural já descobertos na camada pré-sal, estão: Tupi, Guará, Bem-te-vi, Carioca, Júpiter e Iara, sendo o Tupi o principal deles.

As descobertas permitirão aumentar significativamente as reservas brasileiras e as exportações de petróleo, após a entrada em operação dos diversos sistemas de produção planejados para os campos do Pré-sal.

Atualmente, os maiores produtores mundiais de petróleo são Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos da América, Irã, China, Venezuela, Kuwait, Líbia, Iraque, Nigéria, Canadá, Cazaquistão e Emirados Árabes Unidos. No Brasil, a maior parte das reservas está nos campos marítimos, em lâminas d’água com profundidades maiores do que as dos demais países produtores.

Figura 4: Exemplo de plataforma em alto mar, no Golfo do México, de um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Mesmo diante desse contexto histórico e social, as características do petróleo, seus derivados, composição química e sua forma de obtenção e refino são pouco conhecidas. Desse modo, os próximos episódios irão explorar todos esses fatores, ajudando você, caro leitor, a sanar todas as suas dúvidas e/ou aprender ainda mais sobre esse produto tão importante, requerido e falado.

REFERÊNCIAS

História do Petróleo no Brasil

MORAIS, José Mauro de. Petróleo em águas profundas: uma história tecnológica da Petrobras na exploração e produção offshore. – Brasília : Ipea : Petrobras, 2013.

O que é o Petróleo?

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