SÉRIE BetaEQ Talks I – INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DA VISÃO DO ENGENHEIRO QUÍMICO

Dentre os mais variados ramos em que o engenheiro químico pode atuar, está a indústria farmacêutica. E, mesmo dentro da indústria de fármacos existe inúmeras funções onde os engenheiros podem atuar. Hoje iremos apresentar uma série de entrevistas com engenheiros químicos atuando dentro da indústria farmacêutica em diferentes áreas.

Os entrevistados dessa Série de Entrevistas Gratuita BetaEQ são funcionários da Prati-Donaduzzi. Com 25 anos de história a Prati-Donaduzzi se tornou a empresa com o medicamento genérico mais vendido do Brasil, sendo uma grande fornecedora de medicamentos para o governo. Sua história iniciou quando o casal Carmen e Luiz Donaduzzi recém-formados em farmácia na França, regressaram ao Brasil com o desejo de abrir uma indústria, mas com poucos recursos faziam alguns medicamentos em casa. E foi uma visita aos familiares em Santa Helena, cidade vizinha da sede, que tudo mudou.

Lá conheceram um programa estadual do governo que incentivava empresários. E, assim surgiu a Prati-Donaduzzi, que atualmente possui modernos laboratórios de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e sistema logístico próprio. Os avanços conquistados só foram possíveis através de uma conversão de importantes fatores: desenvolvimento de pessoas, investimento em tecnologia, rigor com padrões de qualidade e incentivo à inovação.

A primeira entrevistada foi Maria Eduarda Bragião (26), formada no ano de 2017 pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) campus Toledo, que trabalha na Garantia da Qualidade na área de Qualificação de Equipamentos na Prati-Donaduzzi, em Toledo-PR.

1) O curso (Engenharia Química) atendeu as suas expectativas? Se sim, quais eram elas?

 

R: Quando eu me inscrevi no vestibular para o curso de Engenharia Química as minhas expectativas não estavam bem formuladas, porque o que eu conhecia era que o engenheiro químico atuava em uma variedade de indústrias no processo produtivo, em melhorias, na qualidade, em cargos de gestão, entre outros, e isso era muito amplo para meu conhecimento na época, eu sabia que gostaria muito de atuar na indústria. Eu iniciei a Engenharia Química com a paixão que eu sentia por matemática, física e química. De fato, estudei muito matemática e física que me fez gostar ainda mais dessas matérias, mas me surpreendeu as variadas aplicações dessas matérias nas diversas aplicações da Engenharia Química e demais áreas.

 

2) Há quanto tempo você trabalha na Prati-Donaduzzi?

R: Desde de fevereiro de 2017 (2 anos 7 meses).

 

3) Conte para nós como funciona o seu setor, a sua área de atuação dentro da empresa, quais são os desafios e o que torna o trabalho gratificante:


R:
Eu atuo na Garantia da Qualidade, atualmente na área de Qualificação de Equipamentos, consiste em um conjunto de ações realizadas para assegurar e documentar que todos os equipamentos utilizados na Prati-Donaduzzi encontram-se propriamente instalados e aptos a serem utilizados ao longo das etapas produtivas e analíticas de fabricação, garantindo assim a validade das informações relativas aos equipamentos e propiciando segurança para os responsáveis pelos processos, com atendimento às normas das indústrias farmacêuticas e redução de custos. O que me motiva trabalhar na Qualificação de Equipamentos é atuar diretamente com equipamentos industriais e laboratoriais e aplicar conhecimentos específicos da graduação de Engenharia Química. Para realizar uma Qualificação é necessário a elaboração de protocolos que estabelecem metodologia, critérios de aceitação e parâmetros a serem seguidos durante a conduta dos estudos. O desafio que encontro atuando em uma indústria farmacêutica é o constante estudo e atualização das regulamentações e normas segundo os órgãos especializados em BPF (Boas Práticas de Fabricação).

 

4) Como funciona a manutenção e melhoria dos equipamentos?

 

R: A manutenção e melhoria dos equipamentos é de responsabilidade do setor da Manutenção. Existe um plano de manutenção que envolve a mecânica, a elétrica, entre outros fatores dos equipamentos que são testados semanalmente, mensalmente, semestralmente e/ou anualmente conforme a avaliação de criticidade. No entanto, qualquer fator levantando para melhoria de equipamentos, seja pelo setor da Produção, da Qualificação de Equipamentos, Pesquisa e Desenvolvimento são avaliados, estudados e implantados.

 

5) O seu setor é engajado com os demais setores ou atua de forma mais autônoma?

 

R: É engajado com os demais setores, a Qualificação de Equipamentos desenvolve suas atividades com o auxílio da manutenção interna e externa, metrologia, engenharia, automação, mecatrônica, setores de produção, controle de qualidade, pesquisa e inovação, entre outros.

 

6) Quando você entrou na graduação, seu sonho foi seguir essa área?

 

R: Não diria que no início seria meu sonho seguir essa área. Quando eu entrei na graduação eu tinha uma grande vontade de atuar na indústria, mas sem saber ao certo como e em qual ramo industrial. Nos dois primeiros anos eu me perguntava o que eu estava fazendo na graduação de Engenharia Química, eu não conseguia me ver atuando na área. Foi a partir do terceiro ano e no decorrer dos outros anos da graduação que eu engajei no curso, me identifiquei com as matérias específicas da Engenharia Química, iniciei uma pesquisa no Programa de Iniciação Científica e participação da empresa júnior Massarani, a partir desse momento me despertou o sonho de atuar e seguir a área.

 

7) A realidade na indústria é similar ao que foi ensinado na graduação?

R: Pouco sobre realidade na indústria é ensinado na graduação, é estudado na graduação o teórico muitas vezes falta o técnico, a prática e aplicações industriais. Na minha opinião a realidade na indústria nós só conhecemos de fato atuando nela.

 

8) Para finalizar, nos diga uma mensagem, um conselho ou uma dica para quem pensa em seguir essa área.

R: Para quem pensa em seguir a Engenharia Química deve ter em mente que é uma área de ampla atuação no mercado de trabalho. É ideal que desde os primeiros anos de graduação procure participar de estágios, de congressos, palestras e treinamentos voltados para a área, dos grupos de pesquisa, empresa júnior, ser um voluntariado. Se você for moldando sua graduação com atividades de crescimento dentro e fora das salas de aula sem dúvidas seu desenvolvimento será extraordinário. E sem dúvidas, nunca desista dos seus sonhos, se mova para conquistá-lo, ultrapasse seus limites, desafie-se! O retorno será muito gratificante!!!

No próximo episódio, conversaremos com Suzani Sgobero Menegon que atualmente trabalha no setor de Excelência Operacional/Processos como gestora de processos, mas que já trabalhou em diversas áreas. Fique ligado!