SÉRIE BetaEQ Talks II – INDÚSTRIA FARMACÊUTICA NA VISÃO DO ENGENHEIRO QUÍMICO

A entrevistada nesta segunda parte da nossa série “Indústria Farmacêutica da visão do Engenheiro Químico” foi Suzani Sgobero Menegon, formada no ano de 2010 pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e, atualmente trabalha no setor de Excelência Operacional/Processos como gestora de processos, mas que já trabalhou na empresa como estagiária no setor de Produção de Medicamentos Sólidos, e também no setor de Melhorias de Processos (PD&I).

1) O curso (Engenharia Química) atendeu as suas expectativas? Se sim, quais eram elas?

R: O curso de engenharia química superou minhas expectativas, no que diz respeito ao desenvolvimento de raciocínio lógico. Diversas matérias que se correlacionam (fenômenos de transporte, operações unitárias, reatores, modelagem e simulação de processos, entre outras) fazem com que você desenvolva um senso crítico apurado.

Tive a oportunidade de aprender com excelentes professores, porém com pouca ou nenhuma vivência em indústria; neste sentido, minha expectativa frente ao “compartilhamento de vivência industrial” não foi atendida. Mesmo assim, instituições como AICHE, sempre trouxeram profissionais da indústria para dentro da instituição, e vice e versa, com o intuito de suprir a necessidade de formação do profissional para indústria.

Resiliência é algo que também se aprende na graduação de engenharia química, assim como o ato de “falar em público”. Os seminários durante a graduação, ajudam a desenvolver o hábito de falar em público, normalmente para pessoas que sabem tanto quanto, ou mais do que você sobre o assunto.

2) Há quanto tempo você trabalha na Prati?

R: Entrei na Prati Donaduzzi como estagiária no setor de Produção de Medicamentos Sólidos; em seguida comecei a trabalhar no setor de Melhorias de Processos (PD&I), também conhecido em outras empresas como Farmacotécnica Industrial; atualmente trabalho no setor de Excelência Operacional/Processos como gestora de processos. Estou na Prati a três anos.

3) Conte para nós um pouquinho mais sobre a sua área, o que você faz dentro da empresa, quais são os desafios no dia-a-dia de trabalho e o que torna o trabalho gratificante:

R: Na Prati Donaduzzi atuei nos setores de Melhoria de Processos (PD&I) e Excelência Operacional/Processos.

No setor de Melhorias de Processos (PD&I) foi onde tive a oportunidade de utilizar conhecimentos específicos de engenharia química; trabalhei principalmente com a otimização de processos de secagem e granulação em leitos fluidizados; graças ao excelente professor que tive em modelagem e simulação de processos (Carlos Eduardo Borba), fui capaz de aplicar estes conhecimentos no processo industrial e desmistificar alguns “paradigmas” do processo.

A rotina do setor também compreendia a parte de transferência de escala (scale up) e resolução de problemas de processo (troubleshooting); para o desenvolvimento destas atividades também é necessário um bom embasamento teórico/técnico e além disso um raciocínio rápido para a tomada de decisões.

Atualmente, atuo como gestora de processos no setor de excelência operacional/processos; nossa principal atividade é focada em “aumento de produção” e nossos resultados são apresentados mensalmente para o Conselho Administrativo da empresa e para presidência.

Por se tratar de indústria farmacêutica, de produção em célula e batelada, temos um grande desafio com relação ao “deslocamento de gargalos”; sendo assim, nossa equipe (quatro gestores de processo) trabalha em etapas específicas do processo produtivo, e caminha através destas etapas aumentando a produção em cada uma delas.

Hoje, nosso principal desafio é gerar o engajamento das pessoas que fazem parte da melhoria implantada e também a manutenção de resultados; é necessário estar no “gemba” para enxergar como as coisas realmente funcionam e buscar o engajamento desde cargos superiores, até o operacional.

4) Até que ponto o seu setor é integrado a ação de outros setores dentro da empresa?

R: Nosso setor atua diretamente com a área de produção, porém devido aos problemas de produção estarem relacionados com outros setores, acabamos trabalhando com diversas áreas como: engenharia, garantia da qualidade e PD&I.

5) No seu setor existe uma política clara de metas e prazos?

R: Temos uma meta global específica que nos foi dada pela presidência de “aumento de produção”; porém, internamente trabalhamos com cronogramas por projeto, e dividimos as atividades entre os gestores; para gerenciamento das nossas atividades utilizamos o “Trello”, uma ferramenta que eu recomendo para organização simples e clara.

6) Quando você entrou na graduação, seu sonho foi seguir essa área?

R: Quando entrei na graduação tinha o sonho de seguir na linha de petróleo; porém ao entrar na indústria farmacêutica e estudar o mercado, verifiquei que haviam boas oportunidades para engenheiros químicos; com relação a área de atuação em excelência operacional e otimização de processos, sempre foi o que sonhei trabalhar.

 

7) A realidade na indústria é similar ao que foi ensinado na graduação?

R: O ambiente corporativo é bem distinto daquele que estamos acostumados na graduação; porém, quem consegue desenvolver uma boa comunicação, tem resiliência e sabe lidar com pessoas, não enfrentará muitas dificuldades. Basta fazer o que tem que ser feito, da melhor maneira possível e não aceitar respostas como “sempre foi assim”.

8) Na sua opinião, qual o papel do engenheiro químico para a sociedade?

R: Não acredito que exista um “papel” específico para o engenheiro químico na sociedade; acredito que cada pessoa deve descobrir o seu propósito e seu papel; de maneira geral, acredito que possamos contribuir questionando e exigindo respostas; questionando processos, sistemas, organizações … Não se conformar com aquilo que sempre existiu, e sempre buscar melhorar.

Quando se melhora um processo produtivo, não podemos esquecer das pessoas que estão envolvidas nesse processo, porque no final das contas, são as pessoas que fazem a diferença.

 

9) Para finalizar, nos diga uma mensagem, um conselho ou uma dica para quem pensa em seguir essa área.

R: Minha dica para quem está pensando na graduação de engenharia química é estar ciente de que você saberá “um pouco de tudo”, porém nada muito específico de determinada área. Então estejam preparados para entrar no mercado de trabalho com “gana” de aprender, porque no início vai parecer que “você não sabe nada”; porém, com o passar do tempo, você vai descobrir que muito do seu bom desempenho é fruto da graduação! Participe de atlética, AICHE, empresa júnior, tudo isso conta muito quando você começa a trabalhar! Network é fundamental! Não se acomode apenas com o que a graduação te oferece, se você quer seguir a linha de excelência operacional, por exemplo, faça cursos específicos durante a graduação! Estude inglês, hoje em dia isso é requisito básico! E mais importante, desenvolva a habilidade de lidar com as pessoas, empatia sincera e o poder da negociação!

Só mais uma sugestão: Leia muito, e nunca pare de estudar!

 

No último episódio da nossa série entrevistaremos o Thiago Alves Silva que trabalha desde 2012 na Prati-Donaduzzi e atualmente atua como gestor na área de desenvolvimento de embalagens. Confira em breve!