SÉRIE BetaEQ Talks III – INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DA VISÃO DO ENGENHEIRO QUÍMICO

No nosso último episódio da série de entrevistas “A indústria farmacêutica do ponto de vista do Engenheiro Químico”, entrevistamos Thiago Alves Silva (30), formado no ano de 2011 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus de Curitiba, no curso de Engenharia Química. Trabalha desde 2012 na Prati-Donaduzzi e atualmente atua como gestor na área de desenvolvimento de embalagens.

1) O curso (Engenharia Química) atendeu as suas expectativas? Se sim, quais eram elas?

R: Sempre fui apaixonado por transformação, entender como as coisas funcionam, como foram criadas e o que podemos fazer para melhora-las, isso sempre me fascinou. Cursar Engenharia química me proporcionou esse entendimento global dos processos, disciplinas como operações unitárias, fenômenos de transporte e física nos oferecem um enorme portfólio de ferramentas e habilidades que nos diferenciam no mercado de trabalho.

2) Há quanto tempo você trabalha na Prati?

R: Trabalho na Prati Donaduzzi desde 2012, são 7 anos de experiência na Indústria Farmacêutica, atuando nas áreas de Qualidade, Gestão de Projetos e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

3) Explique para nós um pouquinho mais sobre a sua área, o que você faz dentro da empresa, qual é a sua rotina e os desafios encontrados no dia-a-dia:

R: Estou atuando a 4 anos como gestor na área de Desenvolvimento de Embalagens, a qual faz parte da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Nossa equipe é composta por mim e 6 analistas que atuam diretamente no desenvolvimento e definição de novas embalagens para medicamentos e suplementos alimentares, lançamentos de novos produtos, desenvolvimento de novos fornecedores de materiais de embalagem e no desenvolvimento de métodos para análise de embalagens em Controle de Qualidade. Mantemos uma interface com diversas áreas da indústria sendo elas, da Manufatura, Logística, Suprimentos, Sistema da Qualidade e Assuntos Regulatórios.

Alguns dos principais desafios que encontramos no dia a dia são a busca por materiais que atendam às necessidades de performance de novos medicamentos, além da constante busca por redução de custo e aumento de produção através do desenvolvimento de novos materiais.

4) Quais são os parâmetros utilizados para a fabricação das embalagens?

R: As embalagens consistem em acondicionamentos que envolvem um produto temporariamente, com a função de manter as características pré-determinadas durante o transporte, armazenamento e consumo. Todas as embalagens utilizadas em medicamentos devem seguir uma série de determinações regulatórias propostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Temos vários tipos de embalagens, que na indústria farmacêutica são classificados por classe:
* Embalagem Primária: tem contato direto com o produto, consistindo na barreira de proteção, podendo ser esta barreira contra transmissão de vapor de água, gases (oxigênio e outros), fotossensibilidade (luz), etc. exemplos são os blisteres, frascos plásticos, frascos de vidro, bisnagas de alumínio e sachês.

* Embalagem Secundária: tem a função de proteger a embalagem primária, são as cartonagens, ou popularmente chamadas de caixinhas de papel cartão.
* Embalagem Terciária: tem a função de armazenar a embalagem secundária para melhor eficiência de transporte, exemplo são as caixas de papelão.

As embalagens são adquiridas de fornecedores homologados, e transformadas dentro da indústria farmacêutica. Como exemplo, podemos citar os blisters, que geralmente são compostos por uma fita de alumínio de um lado e um laminado plástico do outro, que pode ser de PVC (policloreto de vinila), PVdC (policloreto de vinilideno) ou outro polímero. Durante o processo de formação do blister usa-se emblistadeiras, equipamentos no qual temos a etapa de formação do laminado, no qual utilizamos ar comprimido e temperatura para amolecimento do material para a correta formação dos alvéolos (cavidades) onde serão alocados os comprimidos, para posterior processo de selagem com a fita de alumínio, através de temperatura e pressão de contato de duas matrizes para permitir a correta união dos materiais, de maneira a garantir a performance (proteção) esperada da embalagem.

5) Para quem quiser seguir nessa área, existe algum curso ou especialização que ajude?

R: Para quem deseja entrar nessa carreira, a primeira coisa é buscar um estágio dentro da indústria, por exemplo a farmacêutica, cosmética ou de alimentos, para ter contato com a área e verificar se é isso mesmo que a pessoa busca. Atualmente no mercado há uma carência muito grande de profissionais que possuam experiência.
Existem algumas pós graduações na área, mas o ideal é ter experiência para cursar. O universo de desenvolvimento de embalagens é enorme, pois tudo a nossa volta, utiliza embalagem, desde um medicamento até um produto eletrônico ou brinquedo.

 

6) Quando você entrou na graduação, seu sonho foi seguir essa área?

R: Meu sonho sempre foi trabalhar no chão de fábrica (gemba), entender o funcionamento das coisas, como são criadas e a interface do processo com as pessoas. Eu apenas tive contato com a área de Desenvolvimento de Embalagens na indústria, antes nem sabia da existência dessa área, hoje tenho a oportunidade de viver esse sonho através das embalagens.

7) A realidade na indústria é similar ao que foi ensinado na graduação?

R: Depende! Acredito que professores que já tiveram um contato maior com a indústria sabem transmitir essa realidade de uma maneira mais assertiva aos alunos. Por outro lado, o foco técnico que outros professores possuem nos forçam a desenvolver o raciocínio lógico que nos auxiliam no dia a dia como engenheiros.

8) Na sua opinião, qual a importância da Engenharia Química para a sociedade?

R: Na minha opinião, a essência da engenharia química é a transformação das coisas, sejam produtos ou pessoas. Poucos profissionais recebem uma formação tão ampla e diversificada quanto os engenheiros químicos, desta forma, nossas possibilidades de atuação vão muito além da indústria química, áreas como finanças, gestão de pessoas, tecnologia, alimentos e medicamentos são áreas que buscam profissionais com esse perfil diversificado, essas áreas são excelentes oportunidades para engenheiros químicos que queiram seguir carreira além da indústria química ou de petróleo.

9) Para finalizar, nos diga uma mensagem, um conselho ou uma dica para quem pensa em seguir essa área.

R: Futuros colegas de trabalho, a Engenharia química oferece um universo de atuação que vai muito além do que estudamos na graduação. Participem de cursos, façam estágios e visitas técnicas, aproveitem o que a universidade oferece para conhecer o máximo possível sobre esse universo. Quanto mais conhecerem, mais opções vocês poderão explorar em sua vida profissional.

 

Essa foi nossa última entrevista da série “INDÚSTRIA FARMACÊUTICA NA VISÃO DO ENGENHEIRO QUÍMICO”. Nessa série você conheceu quais são os principais desafios e também os motivos que fazem todo o esforço da graduação valer a pena. Se gostou, fique atento para as próximas entrevistas do nosso quadro de entrevistas BetaEQ Talks. Até a próxima!