PRODUÇÃO DO ÓLEO DE SOJA

A soja é utilizada como matéria-prima para a produção de farelo e extração de óleo.

O óleo de soja é classificado em classes e tipos dependendo do grau de elaboração e qualidade. Classifica-se como óleo bruto ou cru o óleo da maneira como foi extraído do grão. O óleo que passou pela extração de fosfolipídios recebe a denominação de degomado ou purificado. Já o óleo refinado é aquele que, após a extração e degomagem, passa pelo processo de refinação que corresponde a etapas de neutralização, clarificação e desodorização.

O processamento da soja ocorre, de modo geral, em duas fases. A primeira diz respeito a produção de óleo bruto, obtendo o farelo como resíduo. A segunda compreende o refino do óleo bruto produzido.

Na Figura 1 é apresentado um esquema do processo de produção do óleo de soja.

Figura 01 – Esquema do processo de obtenção do óleo de soja. Fonte: Tecnologia para produção do óleo de soja: descrição das etapas, equipamentos, produtos e subprodutos

Para a obtenção do óleo bruto e do farelo são necessárias três etapas, que são apresentadas a seguir:

Primeira etapa: armazenamento dos grãos.

Os grãos de soja devem ser armazenados em boas condições de armazenamento, pois este fator está diretamente relacionado no rendimento e na qualidade do produto final. Más condições de armazenamento podem acarretar em problemas como o aumento de acidez; escurecimento do óleo contido no grão, alterações organoléticas, modificações estruturais, entre outros.

Segunda etapa: preparação dos grãos.

Esta etapa corresponde a pré-limpeza e ao descascamento dos grãos. A pré-limpeza é feita por máquinas especiais, compostas por peneiras vibratórias ou outro dispositivo que realize a separação dos grãos dos contaminantes maiores. Esta pré-limpeza, quando feita antes mesmo do armazenamento tem como função principal reduzir os riscos de deterioração da soja evitando assim que se desperdice espaço de armazenagem no silo.

O descascamento é feito por meio de máquinas relativamente simples, sendo as cascas quebradas pela ação de batedores ou facas giratórias e separadas das polpas por peneiras vibratórias e insuflação de ar. Evita-se aqui que haja a compressão do grão, pois isso implicaria na passagem do óleo para a casca resultando em perda de óleo, uma vez que as cascas são geralmente queimadas para geração de energia nas indústrias.

Após o descascamento, a polpa da soja passa por um aquecimento entre 55°C e 60°C, sendo este processo denominado condicionamento.

A fim de facilitar a extração de óleo, realiza-se o processo de trituração e laminação, que provocam o rompimento dos tecidos e das paredes das células, resultando na redução da distância do centro de grão a superfície, aumentando a área de saída do óleo. Neste processo são empregados rolos de aço inoxidável horizontais ou oblíquos.

Visando ainda facilitar a saída do óleo, realiza-se o processo de cozimento. Este se dá em equipamentos denominados cozedores, constituídos de quatro ou cinco bandejas sobrepostas, aquecidas a vapor direto ou indireto. No aquecimento indireto utiliza-se camisa de vapor do cozedor, enquanto que, no aquecimento direto há a introdução de vapor no interior do cozedor. No último caso, além da umidificação do material a 20%, ocorre a rápida elevação de temperatura de 70°C a 105°C. O aumento da umidade resulta no rompimento das paredes celulares e consequentemente eleva a permeabilidade das membranas celulares, facilitando a saída do óleo e reduzindo a sua viscosidade e tensão superficial, provocando a aglomeração das gotículas de óleo e então possibilitando a sua extração.

Terceira etapa: extração do óleo bruto.

O processo de extração pode realizado por prensagem mecânica e utilização de solventes.

Nas plantas industriais mais antigas, a extração de óleo se dá por processo mecânico de pressão com o emprego de prensas contínuas ou expelers e posterior extração com solvente orgânico.

Em processos mais modernos, os flocos de soja são colocados diretamente nos extratores e o óleo é extraído diretamente com o solvente orgânico.

Na extração com solvente orgânico, emprega-se o hexano como solvente, cujo ponto de ebulição é próximo de 70ºC. A extração consiste em dois processos: dissolução (rápido e fácil) e o de difusão (mais demorado). Por este processo, pode-se reduzir o teor de óleo no farelo em torno de 0,5% a 0,6%.

A extração pode ser realizada de forma semicontínua ou contínua.

A mistura do óleo bruto com o solvente, denominada micela, geralmente, passa por um processo de filtragem, e em seguida é encaminhada para um destilador contínuo, onde os componentes são separados.

O farelo de soja resultante é submetido a um tratamento térmico com o objetivo de inativar os fatores antinutricionais como os inibidores de tripsina, as lectinas ou fitohemaglutininas, bem como as substâncias que causam o sabor desagradável. Atualmente, o equipamento mais usado para este fim é o dessolventizador-tostador, aparelho vertical apresentado abaixo, que combina a evaporação do solvente com uma cocção úmida.

Figura 02 – Dessolventizador-tostador

Praticamente, todo o solvente constituinte da micela e do farelo é removido. A principal causa de perda do solvente corresponde a mistura não condensável formada entre seus vapores e o ar. A recuperação do solvente contido nessa mistura é efetuada com a utilização de compressores de frio ou, nas instalações mais modernas, por colunas de absorção com óleo mineral. A separação de dá graças a maior solubilidade do hexano ao óleo mineral do que ao ar.

Refinação do Óleo Bruto

Tendo-se obtido o óleo bruto este passará pela refinação que pode ser definida como um conjunto de processos que visam transformar os óleos brutos em óleos comestíveis.

As principais etapas do processo de refinação do óleo bruto de soja são: a degomagem ou hidratação, neutralização ou desacidificação, o branqueamento ou clarificação e a desodorização.

A degomagem ou degomação é um processo que visa reduzir o teor de glicerofosfatos de ácidos graxos, as lecitinas ou gomas, por meio da hidratação do óleo bruto com água quente. Os fosfatídeos e as substâncias coloidais chamadas “gomas”, na presença de água, são facilmente hidratáveis e tornam-se insolúveis no óleo, o que permite a sua remoção.

A neutralização consiste na adição de solução aquosa de álcalis como hidróxido de sódio ou carbonato de sódio, que possibilita a eliminação do óleo de soja degomado os ácidos graxos livres e outros componentes definidos como impurezas como proteínas, ácidos graxos oxidados e produtos resultantes da decomposição de licerídeos. Existem três tipos de neutralização: descontínua, contínua e o método “Zenith”.

O branqueamento ou clareamento consiste na adição de terras ao produto visando remover traços de metais, substâncias oxidativas e pigmentos que causam uma coloração ao produto final. Remove-se também corantes naturais e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos presentes no óleo. São empregados as terras clarificantes, ativadas ou naturais, misturadas, às vezes, com carvão ativado.

A última etapa corresponde a desodorização. Esta visa a remoção dos sabores e odores indesejáveis. Pode ser realizada de maneira descontínua, semicontínua ou contínua. Baseia-se na destilação em corrente de vapor, no qual as substâncias voláteis se separam do óleo não volátil.

REFERÊNCIAS

Óleo

Cadeia de produção de Soja no Brasil: a casa do óleo

Tecnologia para produção do óleo de soja: descrição das etapas, equipamentos, produtos e subprodutos