BIOCOMBUSTÍVEIS DE 2ª GERAÇÃO

Os biocombustíveis de segunda geração são principalmente gerados a partir da biomassa celulósica, que é encontrada em resíduos agrícolas e industriais tendo diversas fontes, como o bagaço e a palha da cana-de-açúcar e resíduos do milho.

Por estas matérias-primas terem baixo valor agregado e reduzirem potencialmente a emissão de carbono pelos veículos, representantes industriais estão apostando em um futuro promissor para estes biocombustíveis, pesquisando por várias técnicas para otimizar a sua produção e estudando uma maneira de tornar viável e eficiente sua obtenção em escala industrial.

Etanol de segunda geração

No Brasil o etanol de segunda geração é produzido principalmente a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar, já em outros países, como os Estados Unidos, o biocombustível é obtido através de restos de milho, como a do consórcio Poet-DSM na Emmetsburg, Iowa.

Duas plantas industriais no Brasil estão no caminho para tornar a produção do etanol de segunda geração eficiente, como a Raízen, unidade em Piracicaba-SP, e a GranBio, unidade em São Miguel dos Campos-AL (Bioflex).

A Raízen produz cerca de 40 milhões de litros de etanol celulósico por ano, o que aumentou sua produtividade em 50%. A Granbio se destaca pela inovação e tecnologia em sua unidade Bioflex, que tem capacidade para produzir 60 milhões de litros de etanol de segunda geração por ano.

As duas usinas ainda estão em fase de aprimoramento, apresentando produção descontínua com alguns problemas que estão sendo identificados pouco a pouco e sendo resolvidos. Com o cenário atual, estima-se que a partir de 2025 a produção de etanol de segunda geração será economicamente viável.

Planta de etanol de segunda geração da Raízen, em Piracicaba-SP
Fonte: Raízen

Os principais desafios de transformar a fonte de celulose em etanol são: a quebra da lignina para a disponibilização da celulose e da hemicelulose, e a técnica mais viável para fermentação da matéria celulósica para a obtenção do etanol. Além de custos com os equipamentos do processo.

De modo geral as tecnologias aplicadas para a produção de etanol de segunda geração submetem a biomassa celulósica a um pré-tratamento, que tem a função de quebrar a parede lignocelulósica que envolve a celulose e a hemicelulose, depois o material é encaminhado para um processo de hidrólise, no qual converte a celulose/hemicelulose em açúcares para a etapa de fermentação. A fermentação é realizada com enzimas, o que também torna o custo do processo elevado.

Biodiesel de segunda geração

Pesquisas estão sendo realizadas a fim de encontrar a melhor tecnologia para a produção de biodiesel de segunda geração utilizando fontes como gorduras animais (provenientes de granjas e matadouros), gorduras vegetais, e as sementes oleaginosas.

A Petrobras desenvolveu uma tecnologia para a produção desse biocombustível, conhecida por H-BIO, no qual acontece um processo de hidrogenação com a mistura de óleos vegetais com o óleo diesel de petróleo (saiba mais aqui). O desenvolvimento dessa tecnologia, juntamente com outras, é realizado no Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras.

Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) é um dos complexos de pesquisa aplicada mais importantes do mundo. Localizado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
Fonte: Petrobras.

REFERÊNCIAS

Segunda geração de biocombustíveis: Petrobrás desenvolve tecnologia

EXAME; Etanol de segunda geração dribla problemas técnicos e é visto como competitivo. 2018

FAPESP; Etanol de segunda geração poderá ser economicamente viável a partir de 2025.