MICROEMULSÕES

“Microemulsão” é um sistema que foi descoberto por Hoar e Schulman no ano de 1943, e atualmente vem sendo bastante estudado em diversos campos, sendo um dos principais a indústria de farmacêutica, atuando no sistema carregador de fármacos.

Nas emulsões as gotículas são maiores e estão mergulhadas em fase contínua existindo assim uma interface bem definida entre o óleo e a água. Em microemulsões a interface água e óleo tem seu tamanho reduzido, e isso só é possível se uma das fases deixar de existir ou for substituída por outro tipo de estrutura. Para a fase óleo deixar de existir as suas moléculas não podem ter contato entre si, e isso pode ser feito através de um processo chamado de   solubilização micelar, onde as moléculas de óleo irão alojar-se entre as cadeias lipofílicas das micelas de tensoativo deixando de ter contato entre si e passando a ter contato apenas com as moléculas de tensoativo, assim fase óleo deixa de existir formando uma microemulsão.

Com isso vemos que para a formação de microemulsões é necessário a utilização de mais tensoativo, quando comparada com as emulsões, na formulação de microemulsões geralmente envolve a combinação de três a cinco componentes: óleo, água, tensoativo, cotensoativo e eletrólito, sendo que a ação desses últimos auxilia na estabilidade da microemulsão.        

Fonte: Microemulsions – A pontencial carrier for drug delivery.  (Adaptado)

Na questão energética, vemos que emulsões não são estáveis, pois  a criação de superfícies vai ao contrário da tensão superficial, logo demanda energia, então não é espontâneo. O tensoativo apenas mantém a instabilidade o maior tempo possível, mas toda emulsão um dia irá se separar em fases. Já  as microemulsões são termodinamicamente estáveis, já se entrando no mínimo de energia livre de Gibbs, ou seja, independente do tempo que se passar elas não irão se separar.

Com isso podemos definir microemulsões da seguinte maneira: “Microemulsões são compostas por dois líquido imiscíveis, um espontaneamente disperso no outro com auxílio de um ou mais tensoativos ou cotensativos, estabilizados por um filme interfacial de tensoativos localizados na interface óleo/água.”

Quadro de comparação entre emulsões e microemulsões

Escolha do sistema tensoativo

Por causa do tamanho das estruturas envolvidas em microemulsões, a geometria molecular tem grande importância na sua estabilidade, devido a dificuldade de encontrar uma geometria exatamente necessária em apenas um tipo de tensoativo, normalmente são utilizadas misturas de tensoativos ou cotensoativos para a preparação de microemulsões. A estrutura do cotensoativo e sua relação com o tensoativo principal tem sido um dos maiores focos de pesquisa nessa área.

O método mais utilizado para o formulação de microemulsões é a partir do acompanhamento da variação da tensão interfacial com a variação dos parâmetros de formulação. Como o atingimento da microemulsão coincide com o mínimo da tensão interfacial, podem-se comparar as diferentes tensões interfaciais obtidas com alguma variação da formulação e obtendo assim tendências de redução que indicam as concentrações otimizadas de redução da tensão interfacial.

Aplicações e estudos sobre microemulsões

A partir dos finais dos anos 1980 e no início da década de 1990 as microemulsões foram usadas para produzir nanopartículas de agentes terapêuticos e para remediar aquíferos contaminados.

Atualmente microemulsões vem sendo estudadas para a utilização em sistemas de transportes de fármacos devido às suas características e a alta capacidade de solubilizar fármacos pouco solúveis em água na fase dispersa oleosa. Outra forma de aplicação de microemulsões é no sistema de liberação de fármacos dentro do organismo, devido a sua capacidade de atuar como reservatórios capazes de liberar e direcionar os fármacos para tecidos e células específicas do organismo, diminuindo assim a toxicidade dos fármacos.

Exemplo de um produto que se utiliza de microemulsão

Outros exemplos de uso de microemulsões é em produtos de limpeza (remoção de gordura por processo espontâneo), na reabilitação ambiental (recuperação de derramamento de óleo em terra), na formação de substitutos de solventes, que seja ambientalmente mais adequados (para retirada de gorduras e graxas) e em domínios com a nanotecnologia, ou também ser usados para a separação de hidrocarbonetos de cadeias diferente com fases orgânicas distintas, para a extração de óleos comestíveis como o de soja.

Com essa grande variedade de aplicações e estudos surgindo, vemos que as microemulsões ainda terão um papel fundamental no desenvolvimento de novos produtos.

REFERÊNCIAS

Desenvolvimento e caracterização de microemulsões contendo óleo essencial de alecrim – Rosmarinus officinalis (Lmiaceae).

Microemulsions – A pontencial carrier for drug delivery.

Microemulões: estrutura e aplicações como sistema de liberação de fármacos.

Microemulsão: um promissor carreador para moléculas insolúveis.

DALTIN. D. Tensoativos: química, propriedades e aplicações. Blucher. São Paulo: 2011.