FOGO GREGO – ARMA UTILIZADA NA IDADE MÉDIA

Desde a escola, durante o ensino básico, somos submetidos a alguns conhecimentos sobre mitos gregos, os quais perduram até nos dias hodiernos. Como por exemplo, pode-se citar o fogo grego ou como também é conhecido, fogo a prova d’água, uma arma utilizada pela marinha bizantina, tal ferramenta se assemelha com um lança-chamas, sendo a principal discrepância o seu fogo duradouro, pois mesmo em contato com a água, o fogo permanecia.

Fogo grego em ação
Fonte: Museu Marítimo

No pretérito, mais precisamente durante a Idade Média, quando soldados inimigos tentavam escalar as muralhas das cidades ou invadir castelos, era aquecido óleo e lançado sobre eles. Mas, com o aparecimento do fogo grego, o uso dessas “técnicas” começou a ser restringida. Não se sabe ao certo a data de surgimento, quem o inventou e nem como era a sua constituição, embora o historiador James Partington tenha registrado que o fogo a prova d’água foi inventado pelos químicos de Constantinopla, os quais haviam herdado as descobertas da escola de química de Alexandria (COSTA, Nelson). A sua receita continua sendo um mistério até hoje e, esse meio só era utilizado em casos extremos, pois os bizantinos temiam cair em mãos erradas.

O fogo grego é um líquido com constituição um tanto complexa. Presumisse que em sua composição continha petróleo e magnésio, pois além de ser inflamável, não se misturava com a água e ainda gerava uma chama difícil de ser contida, onde tais características assemelham-se com os dois elementos base citados anteriormente.

Segundo Nelson Lage da Costa, alguns estudos indicam os seguintes elementos como parte da constituição do fogo grego

“uma mistura viscosa que contava com os seguintes ingredientes: petróleo bruto, ou nafta, para que flutuasse sobre a água; enxofre, que ao entrar em combustão, emite vapores tóxicos; cal viva (óxido de cálcio), que reage libertando muito calor ao entrar em contacto com a água (o suficiente para fazer queimar materiais combustíveis); resina, para ativar a combustão dos ingredientes, (a colofonia, também conhecida como peixe de castilla, é uma resina natural de cor ámbar obtida das coníferas por extração dos troncos; gorduras para aglutinar todos os elementos; nitrato de potássio, (salitre), que desprende oxigénio, permitindo desta forma que o fogo continue ardendo sob a água.”

Os bizantinos faziam o uso para proteger Constantinopla e para isso, ateava-o contra os navios inimigos. Os navios de guerra carregavam o líquido inflamável dentro de pequenos vasos de barro para o campo de batalha, os quais seriam inseridos dentro de reservatórios, através de tubos de latão (denominados de sifão) contendo a pressurização do líquido, que ao ser acionado, saía com um poderoso jorro. Esse jorro era responsável por levar o fogo até os inimigos. A Constantinopla só foi derrubada porque as tropas opostas começaram a fazer o uso de uma nova tecnologia, a pólvora.

Uso de sifão do alto de uma ponte contra o castelo

REFERÊNCIAS

A polêmica – O fogo grego: uma especulação sobre a alquimia dos componentes usados na preparação da arma Bizantina

Fogo grego

Fogo grego

O fogo grego