QUÍMICA NA ARQUEOLOGIA

Até hoje, muitas descobertas vêm sendo realizadas por parte dos arqueólogos, os quais são responsáveis por investigar e identificar indícios de civilizações, culturas e até mesmo animais. Mas, devido a vetustez de cada elemento encontrado, os profissionais dessa área contam, muitas vezes, com o auxílio da química, e a isso, denomina-se de método de datação.

Existem diversos tipos de métodos, cada um com suas particularidades o que permite os objetos serem datados. Podem se diferenciar também com seu alcance temporal, ou seja, alguns conseguem identificar o elemento a centenas de anos enquanto outros a bilhões. Os métodos de datação mais importantes são: dendrocronologia, carbono-14 e potássio-argônio.

  • Dendrocronologia

É uma técnica de datação baseada nos anéis de crescimento das árvores e possui um alcance temporal de até nove mil anos. O padrão de crescimento das árvores muda conforme as estações do ano. O início da estação corresponde a primavera, onde os anéis formados são mais largos, pois há muita água e luz disponível, no fim do crescimento, entre o verão e o inverno, os dias vão ficando cada vez mais curtos e a água menos disponível, deixando os anéis mais estreitos e escuros.

Quando se corta uma árvore, é possível ver uma sequência de círculos claros e escuros, correspondente a cada estação. Aí é só comparar os círculos e contar.

1.    nó originado por um ramo antigo;
2.    1º ano de crescimento;
3.    crescimento de primavera;
4.    crescimento de outono;
5.    cicatriz resultante de um incêndio;
6.    anel de crescimento anual.
Fonte: CCV Floresta
  • Carbono-14

Outro método é através do C-14, onde pode ser utilizado na datação de materiais como o papel, madeira, couro, tecido e ossos e possui um alcance temporal de 60 mil anos. O carbono-14 é formado nas camadas superiores da atmosfera, quando átomos de nitrogênio-14 são bombardeados por nêutrons presentes nos raios cósmicos

Após sua formação, ele irá reagir com o oxigênio e formar 14CO2, o qual entra no organismo de todos os seres vivos juntamente com o 12CO2 e, durante toda a existência do ser vivo, a relação de C-12 e C-14 será constante. No entanto, com a sua morte, não haverá mais a absorção do C-14, mas por ser instável, aos poucos ele vai voltar a ser N-14, sendo que esse tempo de decaimento (tempo de meia vida do C-14 é de 5600 anos). Isto é, essa diferença de quantidade de carbono-14 de um fóssil é utilizada para calcular há quanto tempo o ser vivo morreu.

  • Potássio-argônio

E por fim, o método potássio-argônio possui um maior alcance, de 100 mil a 4,3 bilhões de anos, empregados em rochas vulcânicas.

Mede a variação do número de isótopos radioativos e do número dos novos núcleos produzidos pelo seu decaimento ao longo da história do mineral ou da rocha. Um exemplo deste último é o método de datação potássio-argônio (K-Ar). Parte do potássio radioativo (40 K) decai, produzindo um núcleo de argônio com número de massa 40. Medindo as quantidades de potássio e de argônio contidos em uma amostra e conhecendo a meia-vida do 40 K, é possível determinar a idade do material.

A química está presente em cada detalhe do cotidiano, desde coisas mais simples, como tomar um copo d’água até datar fósseis. Embora seja um processo recente, pois tornou-se possível apenas cinquenta anos atrás, a química na arqueologia é extremamente fundamental, porque os arqueólogos conseguem datar os elementos com os mais diversos métodos e os mais variados alcances, descobrindo cada vez mais um pouco sobre a história e as culturas dos antepassados que aqui viveram.  

REFERÊNCIAS

Química e Arqueologia: O uso do Carbono 14 

Como os arqueólogos sabem a idade de um objeto? 

DENDROCRONOLOGIA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÕES